Margarida Pinto: “Se tiver estas pequenas grandes coisas resolvidas na minha vida, não há limites para nenhuma das outras”

d.r.

Margarida Pinto lançou recentemente o seu novo disco, ‘Todas as Coisas’. Após ter participado no Infocul Live (a convite de André ViaMonte), concedeu-nos agora uma entrevista para falar sobre este novo trabalho discográfico.

Com os Coldfinger, Margarida gravou entre 2000 e 2013 um conjunto importante de trabalhos que são peças fundamentais do tabuleiro em que se jogou a modernidade e o futuro da música pop portuguesa, aquela de espírito mais livre, de horizontes mais amplos, tocada pela tecnologia, mas com balanço orgânico certo”, refere o texto de apreentação do seu disco.

Acrescenta que “em 2005, primeiro, e 2009, depois, Margarida já nos tinha deixado avisos sob a forma de um álbum, Apontamento, e de um EP, A Aprendizagem de, que a confirmaram como um dos mais superlativos talentos vocais da nossa praça”.

O novo álbum de Margarida Pinto é o resultado de um longo e íntimo processo feito música, feito canção, feito palavra e respirar. Margarida teve que aprender a reconhecer a sua própria voz, a interior, aquela que a impelia a transformar em melodias as ideias que assomavam à sua boca, a embalar com as mãos, no piano, os impulsos que queria fazer canção”, refere ainda.

A produção do álbum pertence ao mesmo Frederico Pereira que assinou produções de trabalhos de Gisela João ou Helder Moutinho.

Quando começou a pensar em ‘Todas as Coisas’, o mais recente disco?

Este disco começou a ser pensado em 2015. Na altura comecei a compor e surgiram algumas das canções , como “Mundo Perfeito” ou o próprio “Todas as coisas”. Foi quando achei que iria começar a ter argumentos para avançar para um novo álbum.

A concepção deste disco foi um longo processo. Quais os maiores desafios?

O maior foi sem dúvida aprender a esperar, não deixar que o tempo de que as coisas muitas vezes necessitam para avançar – seja criativamente seja em termos de estrutura – levar a melhor sobre a confiança de estarmos a fazer um bom trabalho. Na verdade todos os outros desafios advieram e advêm desse. Dar às canções o tempo necessário para se levarem às suas melhores versões, nas letras, instrumentais e interpretações, algo que só consegues reconhecer quando chegas a um determinado momento e por comparação à sua versão primordial. Por outro lado e ao mesmo tempo não baixar os braços e procurar meios para fazer um álbum acontecer com tudo o que implica financeiramente nas várias vertentes (produção, edição, promoção, divulgação). Esperar que dê frutos, que seja relevante. Os vários tipos de espera são constantes desafios.

Quais as mensagens mais importantes deste disco?

Julgo que a mensagem principal é a de que dentro de nós contemos vários “eus”, mais fortes, mais frágeis, mais vulneráveis, mais lutadores, mais apaixonados ou mais sofridos, nenhum deles mais importante que o outro, todos parte de um mesmo ser humano. E isto acontece como consequência do simples facto de existir e de viver uma vida. É a vida no seu desenrolar, com tudo o que tem de imprevisível, incontrolável e incontornável, que nos vai colocando frente a frente com todas estas nossas facetas , com formas de sentir e reagir que vamos descobrindo e conhecendo sobre nós próprios a cada dia, para o bem e para o mal. Há uma mensagem de perseverança também, em temas como “Mundo Perfeito”, “Tudo vai ficar bem” ou na versão do “Manual de Sobrevivência “ que espero sinceramente que passe.

Quem participa neste disco consigo?

O disco foi trabalhado essencialmente com o Frederico Pereira, que o produziu. Na faixa “Tudo vai ficar bem” contei com a participação da Leonor Bastos nas vozes e da Margarida Campelo no piano e vozes também. E há uma espécie de participação “silenciosa” da Xana (Rádio Macau) que me deu uma enorme alegria quando me autorizou a gravar a minha versão do seu “Manual de sobrevivência”.

Onde podem as pessoas adquirir o disco?

O disco está disponível para compra em versão digital e em versão física e pode ser adquirido no site: www.margaridapinto.pt.

 

Que balanço faz do seu percurso?

Posso dizer que estou certa de que neste momento trabalho mais e de forma mais intensa, profunda, dedicada e consciente naquilo que faço, seja como intérprete, como autora ou compositora. Mas posso dizer também que para chegar ao lugar em que hoje me sinto a mim própria , tudo o que está para trás conta. Num piscar de olhos passaram 20 anos e cada tema, cada disco, cada concerto, cada colaboração, cada oportunidade dada ou negada, cada conquista e cada perda me trouxe aqui. Todas as coisas contam. O facto de de estar a apresentar um novo trabalho é o reflexo de, ao fim do dia, o balanço ser positivo.

Quais as coisas mais importantes para Margarida Pinto?

Aquelas coisas que facilmente damos por adquiridas mas que são na verdade a base para tudo o resto: ter saúde, ter trabalho, amar, sentir-me amada, saber que aqueles de quem mais gosto estão bem. Cada vez mais é este o meu pilar de estabilidade e que muito me esforço por preservar. Se tiver estas pequenas grandes coisas resolvidas na minha vida, não há limites para nenhuma das outras.

 

Onde podem as pessoas interagir consigo?

Neste momento vou partilhando aquilo que faço na minha página https://www.facebook.com/MargaridaPintoOficial/ e também em https://www.instagram.com/margaridapintooficial/ e é sobretudo aqui que as pessoas podem interagir comigo. Também através do site www.margaridapinto.pt, escrevendo para o mail info@margaridapinto.pt .

Qual a mensagem que deixa aos leitores do Infocul?

Antes de mais que os espero bem e em segurança e desejo que estejam a passar por esta situação de “quase desconfinamento” da melhor maneira possível. Depois , que continuem a seguir o Infocul , porque fazem de facto falta espaços que privilegiem a conversa e tentem recuperar essa arte quase esquecida da tertúlia. Por último , como não podia deixar de ser, que visitem o meu site e os meus canais para conhecerem o meu álbum, de que espero que gostem, comprem, sigam, enfim, todas as coisas.

D.R.

 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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