Matias Damásio: O artista mais galardoado e que mais vende em Angola chega em força a Portugal!

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Matias Damásio é um cantor e compositor angolano que celebra 10 anos de carreira e acaba de lançar o seu quarto disco da carreira, “Por Amor”. Em entrevista ao Infocul aborda o disco, os convidados deste novo trabalho e também o seu percurso e o que mais gosta na música portuguesa.

 

 

É o artista mais premiado e que mais vende em Angola e chega agora em força a Portugal. “Loucos” é o single de apresentação deste novo disco e que conta com Héber Marques dos HMB. Mas o disco é acima de tudo uma homenagem ao seu país, aos seus fãs. Na entrevista ao Infocul fez uma ponte que liga as culturas portuguesas e angolanas.

 

 

 

Este disco é uma homenagem a Angola?

 

Sim este disco é uma homenagem a Angola, não só ao país mas sobretudo aos fãs. Eu comemoro 10 anos de carreira e tudo o que fiz, ganhei, em termos da musica e da estrutura artística, dependeu muito da musica angolana. Em 10 anos fiquei confinado ao mercado angolano, é um amor reciproco pelo meu amado público de Angola, pela minha terra… É um disco acima de tudo dedicado aos fãs que sempre me apoiaram em Angola.

 

 

Sente que também já está a conquistar o público português? É que o single “Loucos” com Heber Marques está a passar nas rádios e a ser um sucesso de visualizações…

 

Sim, nós sentimos isso. O “Loucos”, hoje tem milhões de visualizações e como conseguimos ver de onde vêm, é 80% de Portugal, o que para nós é uma alegria muito grande. Em algumas rádios estamos em primeiro do top, o single é também nº1 em vendas no iTunes português, é a única musica em português no top 20 do Spotify, portanto são sinais… Para nós é uma alegria muito grande porque era esse o nosso objectivo, este disco é especial para o povo português e sinto que há uma recessão muito boa, que as pessoas estão a gostar e nós naturalmente vamos continuar a fazer tudo para cada dia mostrar mais trabalho como forma de agradecimento aos fãs aqui de Portugal.

 

 

Sente que o facto de ter o Heber neste tema também ajuda?

 

Sim, sim… Eu fiz muito poucos duetos nestes 10 anos, devo ter feito para ai uns seis duetos. E quando penso na possibilidade de um dueto, nunca penso apenas num artista mediático, tenho que admirá-lo, tenho que ser fã… Adoro a voz do Heber, conheço HMB e mais do que o mediatismo do Heber há o talento, sem sombra de dúvida. Encaixou perfeitamente no tema e ficou um espectáculo. É sem sombra de dúvida, um dos grandes causadores deste sucesso. Acho que foi tudo: a música, o Heber, o Matias… Mas acima de tudo o Heber, que teve aqui uma energia muito positiva.

https://www.youtube.com/watch?v=Q86lCtj1BYs

 

Quando compõe e escreve os seus temas, mais do que pensar no sucesso deles, pensa na transmissão de sentimentos?

 

A minha música vem da viola. Eu não sou um entertainment, provavelmente hoje adapto-me ao mundo musical ou às coisas que existem mas eu sou trovador, desde os 14/15 anos que toco viola. Ou seja, eu não consigo entrar para um estúdio, encontrar um beat e fazer uma musica. Sou de uma geração que a minha inspiração vem de mim sentado numa cadeira, de madrugada ou de manhã, na cozinha ou noutro sitio, pego na viola faço umas harmonias e escrevo umas canções. Quando se toca viola ou se começa na trova, temos muita dificuldade em pensar só na questão comercial, até porque eu estou muito ligado ao sentimento, e o meu sentimento é a base do violão… depois é juntar tendências do mundo actual, actualizar a musica ao nível de ritmos, mas o primeiro passo como tu disseste é o sentimento.

 

 

Acha que o mundo actual ainda está aberto a pessoas com sentimentos?

 

Está. Eu acho que hoje estamos a viver uma fase completamente diferente, já fomos mais mediáticos, se reparar bem hoje em dia uma cantora como Adele é a maior do mundo, Charlie Puth que é um artista pop mas que vai buscar canções dos anos 60 e canta Marvin Gaye… Se reparar bem os grandes sucessos da música pop hoje em dia estão muito ligados à alma, à canção. As letras hoje voltaram à ribalta, há uns anos era o beat, as canções pop que estão nos tops internacionais e a ganhar Grammy’s são altas canções. Hoje uma balada ganha prémios, há uns anos só a música electrónica… Hoje há claramente uma necessidade muito forte da canção, os artistas quando pegam no violão ou no piano e compõem uma canção, o sentimento está sempre presente . As pessoas estão sempre à espera de alguma coisa que as desperte, acho que hoje o mundo está mais atento nisso, a pensar mais na coisa da alma, da canção!

 

 

Como é ser o artista com mais vendas em Angola?

 

É especial. Principalmente porque isso traduz o carinho que as pessoas têm por nós. Angola é a nossa terra e para nós é bastante satisfatório ter discos e discos vendidos. Felizmente para nós, em Angola não há uma plataforma digital como noutras partes do mundo, então para sorte dos artistas, a alternativa é o disco físico. Angola é neste momento dos países que mais discos físicos vende. Para nós tanto melhor, é uma alegria e uma satisfação muito grande.

 

 

Como vê a aceitação dos portugueses à música angolana?

 

Estamos muito contentes mas chegou tarde… Portugal e Angola têm uma relação quase que natural, pois Portugal tem quase 500 anos de colonização que se traduzem numa grande interligação pois as nossas feiras são cá, as nossas escolas são cá, eu começo a vir cá cantar mas já passo cá férias há muitos anos. É tal como aconteceu nas colonias francesas, a musica angolana na França é muito forte, é uma coisa que aconteceu naturalmente, o povo portugues tem estado a apoiar a musica angolana, surgiram artistas como o Eduardo, o Bonga… que fizeram aqui coisas, e depois surgiu uma nova geração com C4 Pedro e Anselmo Ralph que acabam por trazer uma musica mais fresca, mais jovem e acabam por entrar no mercado com mais intensidade. Está a chegar a hora das parcerias entre artistas portugueses e angolanos, penso que a nossa história  está ligada para sempre. E fico muito feliz que aos poucos esteja a acontecer  esta aproximação.

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Sendo um cantor muito ligado aos sentimentos e sendo o Fado a musica maior em Portugal, e também ele ligado aos sentimentos, questiono o que pensa da musica portuguesa e qual seria o artista com quem gostaria de fazer um dueto caso houvesse possibilidade?

 

 

Eu sou fã de muitos, muitos mas muitos artistas… Gosto de Ana Moura, é fantástica com aquela voz rouca, eu chamo de voz rouca embaciada, tem uma alma fantástica… Tive o prazer de cantar com o Paulo Gonzo, adoro o Rui Veloso, que é para mim um dos maiores artistas de Portugal. Há uma nova geração de fadistas fantásticos em Portugal e seria muito complicado dizer-te um nome porque iria dizer-te vários, desde a Mariza, partilhei palco com a Carminho que é uma voz fantástica, aliás a musica portuguesa está de parabéns. Gosto principalmente desta nova geração com boas canções, eu adoro canções.  Portanto seria para este lado, caso tivesse oportunidade de fazer duetos, que iria… Pedro Abrunhosa por exemplo… são os que admiro mais.

 

 

Neste disco para além do Heber, há mais convidados…

 

Há o Laton que é dos Kalibrados, o Prodígio dos Força Suprema. São jovens que eu admiro. Neste disco decidimos convidar, excepto o Heber que é uma coisa especial aqui para Portugal, aqueles jovens que eu sinto que têm a mesma força que eu tive quando comecei e então é uma forma de incentivá-los. Não são as grandes estrelas de Angola mas serão sem sombra para dúvidas as grandes estrelas do futuro na musica angolana.

 

 

Olha para eles com ar paternalista?

 

Não diria isso porque se calhar muitos deles não apreciam sequer a minha musica, estão noutros estilos, mas é quase olhar como um papá. Um pai do talento. Não do estilo, porque eles não fazem o meu estilo, mas no sentido em ter orgulho por haver uma geração nova que vem ai com muita força.

 

 

Quem é Matias Damásio fora do palco?

 

Sou pai, adoro os meus filhos, ou casado com a Carolina com há dez anos. Epá… Sou um tipo tranquilo, gosto de me divertir mas a minha maior paixão é a música que me consome maior parte do tempo, choro nos filmes, principalmente naqueles mais emocionantes como por exemplo “O Resgate do Soldado Ryan” em que chorei, chorei… Vou aos cinemas quando posso e principalmente naqueles que tem assim uma sala mais VIP, porque é dficil… Já gostei de ir à Praça da Alimentação, hoje em dia não consigo. Gosto de viver a vida quando tenho tempo, gosto de fazer umas viagens, dar uns mergulhos… Sou de uma família humilde, nasci no Bairro da Lixeira, tenho nove irmãos, já fiz um pouco de tudo nesta vida…

 

 

É muito assediado pelas fãs? Como é que a família reage a este reconhecimento?

 

Muito felizes mas… não diria tristes. Para nós o reconhecimento das pessoas é fantástico, mas para eles… Eu passo muito pouco tempo com a família, o que normalmente acaba por os deixar um pouco tristes, mas uma tristeza compreensiva. Eu fui impedido de ir levar e bucar o meus filhos à escola pois sempre que lá ia os miúdos saiam todos da sala de aula, até que os directores da escola chamaram-me e disseram “Matias sei que estás a fazer o teu papel de pai, mas estás a complicar a nossa vida…”, é daquelas coisas que nenhum pai quer, mas eu fui impedido pacificamente e compreendi.

 

 

Acaba por não ter uma vida normal?

 

Sim acabo. Vais almoçar com os filhos e volta e meia tens que te levantar umas dez vezes para tirar uma foto. Nós temos essa responsabilidade e o fã só tem aquele momento e aproveita-o. E tu acabas por sentir que és afastado nesses momentos, pois eles vão jantar ou almoçar e não te avisam ou não te convidam e é uma forma de dizerem “fica ai no teu canto que também queremos ter uma vida mais tranquila”. São as coisas boas e más do sucesso.

 

 

Sobre este disco, o que está a ser preparado de espectáculos em Portugal?

 

Olha neste momento estamos a fazer alguns showcases em algumas FNAC, mas acima de tudo estamos numa fase de divulgação. Os concertos estão programados para o próximo ano, vai haver Coliseus (Lisboa e Porto), vai haver Multiusos de Guimarães, Campo Pequeno… Vamos também passar por alguns festivais, neste momento a Ruela Music está a fechar alguns concertos. Fiquem ligados nas redes sociais porque vai haver muitas novidades boas.

 

 

Qual a relação com os fãs nas redes sociais?

 

Gosto de responder, vou lá sempre saber o feedback das pessoas, tenho uma equipa que também vai vendo todos os comentários. Mas sempre que posso gosto de ser eu a responder, tenho inclusive todas as minhas paginas das redes sociais no meu telemóvel. É muito bom receber o carinho dos fãs.

 

 

Para quem não conhece Matias Damásio porque deve ouvir este disco?

 

Porque é um disco de música. Não é um disco de Kizomba. Eu não gostaria de ser considerado um cantor de kizomba, não porque a kizomba não seja boa, mas parece que que é quase obrigatório um artista que venha de Angola só cantar kizomba. Parece uma espécie de catálogo. Nós fizemos musica, fizemos canções, independentemente do estilo. É um disco que foi feito com muito amor e muito carinho.

 

 

Qual o momento mais complicado durante estes dez anos?

 

Foi um acidente à saída de um concerto há mais ou menos quatro anos, em que fiquei sem cantar durante um ano, embora tenha saído ileso do acidente. Só houve danos matérias, mas fiquei um pouco traumatizado. Os quatro discos que lancei foram um sucesso, os concertos também, portanto penso que esse talvez tenha sido o momento mais complicado da minha carreira.

 

 

Se a carreira terminasse hoje era um homem satisfeito?

 

Epá…eu tenho tantas canções escritas…Quando vou no avião e ele tem aqueles cheliques eu só peço “por favor aguenta so mais dois anos para lançar mais algumas musicas”…(risos).

 

 

Como classificaria a sua carreira numa única palavra?

 

Sucesso.

 

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Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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