O Alentejo é o fio condutor do primeiro disco dos Monda, que pegando em modas alentejanas lhe dá sonoridades contemporâneas da world music promovendo num único disco um casamento perfeito entre a simplicidade e o requinte.

Os Monda são um grupo de três rapazes constituídos por Jorge Roque na voz e guitarra, Pedro Zagalo nos teclados e Herlander Medinas no contrabaixo e voz. Neste disco contaram ainda com a participação especial de Katia Guerreiro, Rui Veloso, Bernardo Charrua e os Cantadores de Portel.

 

 

Efectuando uma recolha de modas do cancioneiro tradicional alentejano, os Monda adicionaram sonoridades contemporâneas que são suportadas na voz de Jorge Roque. O seu canto traz o Alentejo na voz e esta junção do instrumental com a voz de Jorge Roque torna-se absolutamente irresistível e muitíssimo bem conseguida.

 

 

A simplicidade das letras das modas alentejanas é elevada com o requinte das composições e arranjos musicais. Este disco, homónimo, dos Monda é um dos melhores discos de 2016. Pela inteligência com que elevam o cante alentejano sem o descaracterizar com as sonoridades impostas nestes disco, pela voz de Jorge Roque (um espanto) e pela qualidade das composições musicais e respectivos arranjos.

 

 

Recordamos que as modas alentejanas têm nas suas letras uma linguagem muito especifica, o que só sentindo ou conhecendo-se o Alentejo se pode escrever sobre o mesmo, muitas das letras são de cariz popular e que abordam os hábitos e as estórias destas gentes.

 

 

A juntar a isto, que não é pouco, convidaram ainda Katia Guerreiro no tema “Adeus Maria até quando”, Rui Veloso em “Só uma pena me existe”, os Cantadores de Portel em “Mais Brando, João Brandão” e Bernardo Charrua em “Verão Alentejo e os Homens”.

 

 

Neste disco não há nenhuma moda que superiorize a outra, todo o disco demonstra uma grande maturidade, uma verdade no que é apresentado e a certeza que está dado o primeiro passo para um dos melhores divulgadores da musica tradicional portuguesa, do Alentejo em particular, dos próximos anos.

 

 

Mas enquanto o futuro não chega, aproveite-se o presente e valorize-se um projecto que mais não faz do que valorizar o que de melhor a música portuguesa tem.

 

 

Neste disco foram ainda convidados os seguintes músicos: Ruben Alves (piano e harmónio), João Tiago Oliveira (guitarra clássica), Mário Caeiro (acordeão), João Ferreira (percussões) e Pedro Vidal (Lap Steel Guitar/ banjo).

 

 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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