Monda: Jorge Roque apresenta-nos o disco e anuncia concerto a 15 de Novembro no Teatro Tivoli BBVA

Os Monda são um novo projecto valorizador de um património chamado Cante Alentejano. Recriando modas do cancioneiro tradicional alentejano, acrescentaram sonoridades contemporâneas e apresentam um disco de elevada qualidade. Em entrevista ao Infocul, o vocalista Jorge Roque, dá-nos a conhecer o projecto e fala-nos sobre o primeiro disco, homónimo, do grupo.

Os Monda são constituídos por Jorge Roque na voz e guitarra, Pedro Zagalo nos teclados e Herlander Medinas no contrabaixo e voz. Neste disco apresentam ainda convidados de luxo.

 

 

Se o leitor ainda não os conheces, deixe-se encantar e conheça os Monda e o Alentejo nas palavras de Jorge Roque na entrevista concedida ao Infocul em que anunciam em primeira mão o concerto a 15 de Novembro no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa. Antes disso actuam a 04 de Junho na FNAC do Chiado.

 

 

Quando surgiu esta ideia de juntarem as modas alentejanas às novas sonoridades contemporâneas de world music?

 

Todos nós somos oriundos de vários projectos musicais e entre essas paragens distintas , a certa altura, eu fiz sem qualquer intuito em particular, um arranjo para um tema que depois acabou por ser a alavanca de ideias para este projecto. Mostrei o tema ao Pedro e ao Der e criámos então um arranjo distinto do que até então a música tradicional do Alentejo apresentava para “O Mocho”, uma moda popular com um texto muito peculiar e bizzaro.

 

O clique estava dado. Tínhamos criado quase ingenuamente uma nova vertente no cante, talvez por termos culturas e campos musicais que nos permitiam fazer aquela abordagem. Depois existe a aproximação natural à world music, pelo assemble de instrumentos acústicos e as sonoridades electrónicas, factor fundamental para as novas composições que, para nós, assentam como uma luva nas modas que desde sempre estiveram no nosso imaginário, que sempre fizeram parte do nosso quotidiano.

 

 

Como foi a reacção do povo alentejano a este vosso projecto?

 

Eu penso que não poderia ter sido mais positiva. Aliás, nós tínhamos uma expectativa de que, as pessoas do Alentejo não iriam rejeitar a nossa música, pois também nós, como alentejanos, sabíamos que estávamos a criar algo novo a partir de uma grande herança . Não poderíamos dar-nos ao luxo de a perder com arranjos musicais medíocres. Para além disso mantivemos sempre intacta a traça original de cada melodia e de cada texto. Isso foi ponto assente desde o início.

 

 

Reagiram bem ao ver o cante com acompanhamento musical?

 

O Cante Alentejano, ao contrário do que a maior parte das pessoas pensam, e como provam hoje muitos estudos aliás, foi nos seus primórdios, sempre acompanhado por alguns instrumentos músicas, casos da viola campaniça, a viola tradicional ou o próprio acordeão. Para além disso, ainda hoje existem essas expressões, em alguns casos do Baixo Alentejo e sobretudo no Alto. O Cante também é música e como tal, não deixa de o ser apenas por ser acompanhado por qualquer instrumento. A essência do cante está na alma e no ambiente onde se recria e não nas vozes ou nos instrumentos que compõem a sua performance.

 

 

Como correu a recolha das modas do cancioneiro alentejano?

 

O cancioneiro alentejano é um património vasto e riquíssimo. A recolha dos temas foi feita sobretudo para este primeiro disco, através de algumas sonoridades que nós conhecíamos muito bem e que se tornavam assim mais propícias a trabalhar. É preciso conhecer bem as modas para podermos criar, através das mesmas, algo de novo. Com alguns temas do cancioneiro popular alentejano e outros criados de raíz, apenas a partir dos textos e “dizeres” que disponhamos, fomos criando um leque de modas que nos pareceu muito interessante para um primeiro trabalho discográfico.

 

 

Houve algum critério particular para a selecção das modas para o disco?

 

O único critério foi a beleza das letras e melodias, o que é fácil no cancioneiro popular do Alentejo.

 

 

Sendo vocês também representantes alentejanos como analisam o actual momento do cante após elevação a património imaterial da humanidade?

 

Achamos que o Alentejo está bem e recomenda-se no que diz respeito ao cante. Cada vez mais existem homens e mulheres a cantar e muitos deles com grande qualidade. O Cante é do Alentejo, de todos aqueles que ao longo de gerações criaram através da sabedoria popular um património riquíssimo e altamente nobre que percorre a maior região do país, desde o Cante a Vozes mais comum no Baixo Alentejo até às “Sais” de Redondo ou de Campo Maior, fazendo tudo isso também parte da nossa cultura nacional neste momento. Para além disso, hoje o Alentejo é visto com outros olhos, ou se quisermos, com outro modo de olhar, o que nem sempre aconteceu. Não gostamos muito de pensar, como alguns teimam em dizer, que o Alentejo está na moda. Uma região com tanto património, tanto saber e tanta cultura popular não pode estar ou deixar de estar na moda. O Alentejo apenas está a receber aquilo que sempre foi seu por mérito. O prémio da autenticidade. É esse o segredo e esperamos que nunca mude.

 

 

O disco sai a 02 de Junho. O que podem já adiantar de concertos?

 

 

Felizmente já recebemos bastantes convites para concertos, datas que a nossa agência está a fechar e certamente, em breve, poderemos anunciar as datas. Queríamos destacar uma em particular e para a qual gostaríamos de convidar todos aqueles que se interessam pela nossa música. A 15 de Novembro vamos estar no Teatro Tivoli BBVA em Lisboa e estamos a preparar um grande concerto. Os bilhetes ficarão à venda ainda no mês de Junho.

 

 

Para quem ainda não vos conhece como convidam o público a ouvir este disco?

 

O nosso disco é representativo de uma música que ultrapassa em muito as fronteiras do Alentejo. É um disco de muitas sonoridades e de muita riqueza popular .Queremos portanto mostrar essa riqueza a todo o mundo. Só precisamos de um palco e 5 minutos de atenção. Garantimos que não irão ficar desiludidos.

 

 

Neste disco contam com alguns convidados? Como foi a reacção deles ao convite e como se sentem ao ver o resultado final?

 

Este foi um disco de muitas simbioses. E para além disso, pensamos ser um disco em que os astros se alinharam a nosso favor. Astros e estrelas, grandes estrelas da música nacional que, desde o primeiro momento acreditaram no nosso projecto e disseram sim à nossa música. Para além da Katia Guerreiro e do Rui Veloso, estrelas maiores desta companhia, tivemos muitos amigos e também eles grandes músicos a participarem no disco e ajudarem-nos a construir e consolidar a nossa ideia inicial. Desde logo pelo nome que assina a produção do disco, Ruben Alves, pianista e compositor de grande talento, Tiago Oliveira, guitarrista e fundador dos Polo Norte, Mário Caeiro, João Ferreira, Pedro Vidal e o Grupo de Cantadores de Portel. Estamos certos que o contributo e a disponibilidade que emprestaram ao disco, foi fundamental para que o mesmo possa ter sucesso entre o público.

 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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