Montepio Fado Cascais: Noite de excelência com Ângelo Freire e Raízes

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O Montepio Fado Cascais esgotou, ontem, para ver e ouvir  Ângelo Freire e o projecto Raízes que junta Jorge Fernando, Mariza, Custódio Castelo, Pedro Jóia, além de ontem terem também subido a palco João Frade no acordeão e Yami no baixo.

 

 

Ângelo mostrou porque é considerado um dos maiores talentos na guitarra portuguesa. Acompanhado por Diogo Clemente na viola e Pity no baixo, o guitarrista criou um alinhamento em crescendo e que conquistou por inteiro o público que além da arte de dedilhar uma guitarra, pôde também apreciar a voz de  Ângelo Freire.

 

 

Iniciou o espectáculo interpretando o Fado Cravo com uma letra da sua autoria, seguindo-se um instrumental, “Nocturno”. Esteve bem na interacção com o público e a explicar cada um dos temas que interpretou, dando um lado didáctico e pedagógico ao público, principalmente a quem fosse menos entendido em fado.

 

 

De Alcino Franco trouxe ao Estoril “Variações em Ré”, o Fado Alexandrino do Estoril com poema de António Rocha, “O meu tempo chegou”, com uma incrível interpretação quer na guitarra quer vocalmente.  Num alinhamento bastante fadista, passou ainda pelo “Fado Menor”, recordou Fontes Rocha, dedicou o “Fado das Horas” à sua mãe e ao seu sobrinho Daniel, de 12 anos, que estava na plateia e começou a aprender a tocar guitarra e culminou o espectáculo com “Além Terra” de Mário Pacheco e o “Vira de Frielas”. A sua voz é natural, não precisando de usar melismas e fazer malabarismos vocais. Com  ngelo Freire tudo é natural, seja na guitarra ou a cantar. Excelente concerto!

 

 

O projecto Raízes subiu ainda mais a fasquia, com um espectáculo completíssimo, bem cantado, bem interpretado instrumentalmente e com um fio condutor no alinhamento que são as emoções e as suas diferentes tonalidades.

 

 

Custódio Castelo, acompanhado por Jorge Fernando e Yami, deu inicio ao espectáculo com dois instrumentais: “Ondulância” e “Sobre Lisboa” mostrando o, reconhecido, virtuosismo no dedilhar da sua guitarra portuguesa (desta vez não trouxe a siamesa). Jorge Fernando com “De mim para mim” e “Tantos Fados deu-me a vida” mostrou que os 40 anos de canções apenas são possíveis para alguém com uma genialidade muito acima a média e à frente do seu tempo.

Pedro Jóia, que durante a tarde actou com o Quarteto Arabesco no MIMO Amarante, subiu ao palco para dois instrumentais a mostrarem o que faz dele um artista único e capaz de abranger distintas sonoridades. Mariza foi a cereja em cima de um bolo musical extremamente saboroso. Esteve inigualável, soberba, levando-nos para uma outra dimensão. Fadista em tudo o que fez, no momento certo e com a postura assertiva. “Fado Tango” e “Chuva” foram os dois primeiros temas interpretados esta noite.

 

 

Mais do que as individualidades, Raízes vale pela força colectiva, pelas harmonias musicais criadas, pela complementaridade artística em palco, pelo espaço em que cada um brilha sem atropelar os restantes, pela inebriante viagem que proporciona ao público através dos maiores êxitos de cada um dos integrantes do projecto.

 

 

“Trigueirinha” fez pela primeira vez e de forma convicta o coro de Cascais, o público, trautear o refrão com Jorge Fernando. “Barco Negro” juntou a criatividade instrumental com uma interpretação assombrosa de Mariza, num momento que culminou com um aplauso esfuziante do público.

 

 

 

Pedro Jóia teve em João Frade um parceiro brilhante nos seus instrumentais, sendo notória a química existente entre ambos.  “Sem ti” foi dedicado por Mariza ao amor da sua vida, sem desvendar a quem se referia. “Aconchego” faz parte das canções que apeteceu à fadista cantar, vincando que o seu fado abarca o mundo inteiro. “Quem vai ao fado” de Jorge Fernando foi interpretado por Mariza e pelo público. O momento mais lírico do concerto surgiu com “Valsa dos Amantes” numa interpretação brilhante e apaixonada de Jorge Fernando. Destaca-se a letra que é algo de sublime. Custódio Castelo, sozinho em palco, antecedeu o encore com  “Encantador de Tristezas”.

 

 

Parte do público em Cascais, principalmente na bancada amovível denotou falta de educação ao sair enquanto o guitarrista tocava. Não foi uma atitude bonita. E perderam o encore onde Yami mostrou a sua voz quente em “Mãe Negra”, “Fado Errado” na voz de Mariza, “Pode ser Saudade” por Jorge Fernando e “Asa Branca” novamente por Mariza.

 

 

 

“Raízes” merece ser visto e revisto, apreciado e valorizado, escutado e amado. Porque não podemos, nunca, perspectivar o futuro se não reconhecermos e valorizarmos as nossas raízes.

 

 

 

Fotografias: Sérgio Garcia – Your Image

 

 

 

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Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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One thought on “Montepio Fado Cascais: Noite de excelência com Ângelo Freire e Raízes

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    Deve ter sido um noite interessante, de reencontros, nomeadamente de Mariza com Jorge Fernando, seu 1.º produtor, com Ângelo Freire, com quem fez uma digressão do CD que inclui “Rosa Branca”, que a Florência cantou e a “Taberna da Mouraria”. Curioso na versão escolhida por Yami cantar “Mãe Preta”, julgo que a do Caco Velho/Piratini.

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