Mopho: “Nós sentimos este disco como sendo algo muito introspectivo quer seja a nível melódico quer seja a nível lírico”

 

 

 

 

Mopho é a demonstração do que melhor se faz no rock em Portugal. O projecto conta já com a edição do EP homónimo e do disco “Estranho em Mim”. Este último lançado há um ano pela Last Man Standing Records. Em entrevista ao Infocul, o grupo faz um balanço do percurso deste disco, do percurso da banda e também sobre o que pretendem fazer.

 

 

Entre “Mopho” e “Estranho em Mim”, decorreram quatro anos. Como foi este processo de crescimento e maturação? O que mudou?

Efectivamente muita coisa mudou nestes quatro anos, nós mudámos, o mundo à nossa volta também e isso reflecte-se neste último trabalho. Qualquer processo de mutação, de evolução demora o seu tempo e neste caso não foi diferente, mas, este espaço de tempo, permitiu-nos ganhar um novo olhar sobre nós próprios, a nossa música bem como sobre os nossos processos de criação, nomeadamente a importância de termos um produtor a trabalhar connosco, neste caso o Carlos Rocha cujo trabalho já conhecíamos, e que nos ajudou a levar os nossos temas a outro nível. Outro aspecto que mudou foi o facto de termos lançado este disco pela Last Man Standing Records, a quem muito agradecemos por terem apostado em nós e que veio dar mais credibilidade ao nosso trabalho.

 

 

As expectativas para este disco foram cumpridas?

Eu diria que as expectativas para este trabalho foram ultrapassadas, o disco teve uma aceitação junto do público muito boa, mas a maior surpresa foi a reacção que obteve junto dos media, nomeadamente na exposição que obteve a nível de rádios onde fez e faz parte das suas playlists. Outro aspecto interessante foi a forma como foi recebido internacionalmente, nós cantamos em português e foi por isso uma surpresa quando recebemos excelente feedback quer de rádios quer de blogs internacionais que passam maioritariamente música cantada em inglês e que passaram os nossos temas e/ou publicaram notícias sobre nós.

 

 

Como descrevem este disco, tema a tema, para quem não o ouviu?

Nós sentimos este disco como sendo algo muito introspectivo quer seja a nível melódico quer seja a nível lírico, onde abordamos temas variadíssimos que muitas vezes até se cruzam ao longo do mesmo. Por exemplo, enquanto o disco abre com um tema que aborda a questão do eu interior, o que somos e o que parecemos, passa também por abordagens mais românticas como a “Melancolia” e encerra com temas mais fortes que falam de assuntos que transmitem uma maior revolta, como “Ícaro” e a ”Insensatez”. O final fica então guardado para um tema instrumental, que sentimos como que uma libertação da tensão criada ao longo do disco. A “Voraz” nasceu já num processo quase final das gravações e estava destinada a encerrar o disco da forma que mais gostamos, com peso e com aquela pontinha de melancolia que nos é característica desde o início da nossa carreira.

 

 

Quando nasceu o projecto Mopho?

Este projecto nasceu algures em 2008. Formação diferente da qual restam apenas 2 elementos. O próprio nome só entrou em cena mais tarde, por volta de 2010.

 

 

O vosso rock é melancólico ou o rock é o género que melhor consegue transmitir todo o vosso amor e vivência?

Todos nós temos os nossos antecedentes firmemente enraizados no rock, seja ele mais ou menos pesado, assim que esta sonoridade por vezes mais “escura” é algo que nos vem naturalmente, os temas sobre os quais escrevemos também contribuem para isso. Eu costumo fazer a ligação ao Fado sempre que nos colocam essa questão. De onde vem esta nossa melancolia, esta tristeza? Vem do Fado. Vem de ser português.

 

 

O disco celebra um ano desde que foi editado. O que têm feito durante este tempo e em termos de espectáculos como correu?

Em termos de espectáculos, correu bem, mas queremos mais, mais concertos, mais pessoas a ouvir e a disfrutar a nossa música. Esse é o próximo passo e o que se está até agora a mostrar ser o mais difícil, que é encontrarmos alguém para trabalhar connosco ao nível do agenciamento, pois o nosso esforço só nos leva até certo ponto e não queremos ficar só por aqui.

 

 

Como é o processo criativo do grupo?

O nosso processo criativo foi sendo optimizado ao longo do tempo, ou seja, começámos por fazer o que muitas bandas fazem, vão para a sala de ensaio, todos levam ideias, trabalham-se essas ideias, “parte-se pedra” até se chegar ao tema final, mas verificámos que no nosso caso era contraproducente. Todo o criador ganha muito facilmente ligações emocionais às partes que cria o que dava por vezes azo a que o processo de composição se arrastasse muito no tempo. Assim que decidimos, especialmente após a entrada do Rúben Azevedo no projecto, deixar a composição dos temas para o Ricardo Rosa e as letras a cargo do Pedro Bandeira, ou seja quando vamos ensaiar vamos trabalhar um tema já completo em que nos é fácil perceber o fio condutor do mesmo e sugerir as mudanças que vemos como pertinentes para as nossas partes individuais mas sempre a trabalhar para o tema e não para os egos.

 

 

Há, agora, um novo single. “Alter Ego” pode ser definido como?

“Alter Ego” é o terceiro single retirado deste disco sendo a “Melancolia” o primeiro, o cartão de visita do álbum, “Sombra” o segundo e agora então o “Alter Ego”. É uma música que se debruça sobre uma das questões mais pertinentes do ser humano e que hoje em dia ganha ainda mais importância que é essa dicotomia entre o ser e o parecer e o facto de na sociedade moderna ser muito fácil perdermos a noção da nossa identidade ao ponto de já não reconhecermos aquela pessoa que vemos ao espelho. É um tema forte, que nos desperta para essa realidade em que muitas pessoas vivem nos dias de hoje.

 

 

Em termos de redes sociais, onde pode o público interagir convosco e saber as novidades?

O nosso principal canal de comunicação é a nossa página de facebook, mas podem saber notícias nossas no nosso instagram e seguir o nosso canal de youtube.

 

 

Qual a importância das redes sociais no vosso trabalho?

Hoje em dia nenhum projecto, musical ou não, consegue passar sem ter uma presença nas redes sociais, quanto mais forte melhor e nós não fugimos a essa situação. É para nós muito importante a forma como nos apresentamos, pois são “O” canal através do qual chegamos a quem não pode ir aos nossos concertos, através do qual vamos divulgando o estamos a fazer e a estar em contacto com todos os que se identificam com a nossa música.

 

 

Quais os maiores desafios neste percurso?

O maior desafio é sem dúvida fazer música, música que mexa com as pessoas e que simultaneamente nos estimule, nos agrade e que mostre quem somos, que de algum modo reflita a nossa identidade.

 

 

Quais os próximos espectáculos?

Estamos a trabalhar no assunto. O verão é um período marcado maioritariamente pelos festivais e assim que esses acabam, é hora de voltar à carga e promover o nosso trabalho.

 

 

Qual a mensagem que deixam aos leitores do Infocul?

A mensagem que desejamos deixar é a de que apoiem, seja apoiar o percurso das novas bandas que aparecem, que lutam e trabalham indo aos concertos, espalhando a palavra, seja apoiar projectos como o Infocul já que são muito importantes para que as bandas possam mostrar o seu trabalho.

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Notícia publicada a 05/10/2018

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