Morante de la Puebla pintou dois quadros e rabiscou dois na Corrida Goyesca no Campo Pequeno

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O Campo Pequeno recebeu ontem, 30 de Junho, uma corrida de touros goyesca com o matador de touros espanhol Morante de La Puebla a enfrentar quatro touros Zalduendo, num espectáculo que teve ainda bonitos apontamentos de flamenco com o “cantaor” Diego El Cigala.

O espectáculo iniciou-se com a Charanga a cavalo da GNR que se exibiu a um nível alto, num momento bonito, e dando ainda maior importância a este corrida no Campo Pequeno.

 

 

Morante de La Puebla enfrentou-se perante quatro touros Zalduendo desiguais no comportamento. No primeiro touro, Morante conseguiu momentos de bom toureio tanto no capote como na muleta. Com o capote começou por efectuar verónicas com a sua mestria e depois por chicuelinas em que vimos o perfume (ou um pouco da essência) do seu toureio. Na muleta templou, toureou com profundidade e cadência perante um touro que serviu. O público aplaudiu efusivamente esta lide do diestro espanhol.

 

 

No segundo e terceiro touro, Morante não pôde mostrar muito da sua arte, devido às poucas condições de lide dadas pelo seu opositor. O segundo touro foi recolhido aos curros por debilidades físicas, sendo substituído pelo terceiro da ordem que não permitiu a Morante brilhar, tendo este abreviado a lide. No terceiro touro lidado na arena lisboeta, Morante brilhou com…o capote através de verónicas bem desenhadas rematando com uma meia verónica. Na muleta abreviou mais uma vez a lide devido a falta de condições do touro para a lide.

 

 

No último touro da corrida houve arte no seu estado mais puro. Morante teve por diante uma paleta de cores, entenda-se touro, que lhe permitiu pintar um quadro de rara beleza. No capote lanceou com verónicas num tércio bastante aplaudido pela assistência. Na muleta vimos arte e a arte não se explica, sente-se. Os seus movimentos com o touro acompanhados pela voz de Diego Cigala (tal como nos touros anteriores), fez a tauromaquia e o cante flamenco unirem-se numa simbiose perfeita. Morante com obra-prima de qualidade pela rente mostrou por ser dos toureiros mais admirados no mundo e Cigala é simplesmente o maior cantaor de flamenco da actualidade.

 

 

No terceiro touro da corrida houve ainda o salto de garrocha, uma sorte emblemática nas corridas goyescas.

 

 

Neste espectáculo do Campo Pequeno alguns detalhes que merecem ser referenciados. O cartel para este espectáculo foi arrojado, fora da caixa e de grande qualidade. Um autentico pontapé no marasmo que são os carteis nas corridas de touro cá do burgo. Os bandarilheiros de Morante la Puebla, exceptuando o terceiro touro, não tiveram propriamente brilhantes no tércio de bandarilhas. O público talvez devido ao jogo de futebol da selecção não encheu o Campo Pequeno, mas a moldura humana ultrapassava largamente a meia casa. A empresa do Campo Pequeno adiou por duas vezes o horário da corrida de touros, primeiro das 22:00 para as 22:30, e depois tendo o jogo da selecção nacional ido a penalties, voltou a adiar. Incompreensível. Não se valoriza a tauromaquia, colocando-a em segundo plano perante um jogo de futebol, mesmo que seja a selecção.

 

 

Referência ainda para a volta a arena de Morante de la Puebla, após lide do quarto touro,  feita em ombros nos seus bandarilheiros, por decisão destes. Deu ainda uma segunda volta apeado e com o público de pé.

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