Museu do Oriente acolhe “A Oriente tudo de novo” de Sofia Areal

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Após uma residência artística em Macau (na Casa Garden) enquanto bolseira da Fundação Oriente, a pintora Sofia Areal mostra agora os seus cadernos de viagem e as suas plantas na exposição “A Oriente tudo de novo” que inaugura a 12 de Maio, às 18:30, no Museu do Oriente.

 

No dia anterior houve uma apresentação da exposição à imprensa com a pintora enquanto finalizava-se os últimos detalhes numa sala com uma disposição cuidada.

 

 

Esta exposição resulta de uma estadia de mês e meio na Fundação Oriente, em Macau, na Casa Garden. Tive este convite e vivi e trabalhei lá durante mês e meio. A Casa Garden está colada ao jardim Camões e no apartamento onde eu estava havia uma janela gigantesca para dentro do jardim onde eu estava de dia e de noite. A minha primeira ligação a Macau foi com a sua flora e mais tarde veio as pessoas e a cultura oriental que é gigantesca. Isto são resultados de ateliê de cadernos de viagem. Pequenos apontamentos.”, conta Sofia Areal sobre o que a impulsionou a fazer esta exposição.

 

 

Num total de 28 trabalhos inéditos, são exploradas diferentes técnicas e materiais como a tinta-da-china, aguarela, lápis de cera, acrílico e grafite, numa mostra singular de um nome de referência da arte contemporânea portuguesa. Quadros que nos remetem para o Oriente. Esta exposição é uma mostra frutuosa da estadia da pintora por terras Macaenses.

 

 

Macau foi uma grande surpresa. Cada vez há menos pessoas a falar português. A geração com menos de 30 anos já não fala português. Mas houve uma grande ligação a uma arquitectura e há todo um ambiente. Houve uma grande ligação as pessoas que estão lá. São pessoas que se adaptaram a um tipo de trabalho muito exigente mas ao mesmo tempo há uma grande ligação a Portugal“, é desta forma que a pintora descreve a sua estadia no antigo território português.

 

 

Durante a estadia em Macau fui fazendo pinturas, desenhos de dimensões diversas, esquiços, colagens: pinceladas a tinta-da-china ou com outros materiais aí comprados. De regresso ao ateliê em Lisboa, fiz trabalhos de maiores dimensões e pequenas colagens utilizando os papéis que trouxera comigo. Esta exposição é uma mostra da frutuosa estadia em terras do Oriente, onde nunca tinha estado. Primeiro, foram as flores, mas depois e obviamente, as cores, os símbolos, as pessoas. A Oriente tudo de novo“, explica a artista no flyer de apresentação da exposição.

 

 

Este foi um caminho de agradecimento da minha parte. Estar mês e meio num sítio maravilhoso, esta foi a minha retribuição a esse convite e mostrar o que andei lá a fazer. Fiz lá uma exposição mas penso que era importante as pessoas de cá verem que mesmo estando lá, faz-se trabalho e aqui está a prova. Deram-me a estadia e eu retribuo com a mostra do que fiz“, diz a pintora.

 

 

Sofia Areal nasceu em Lisboa e é uma das mais importantes pintoras da sua geração. É um nome de referência da arte contemporânea portuguesa.

 

 

É bom ter metas. O meu trabalho é um trabalho de palco. Os meus trabalhos são os actores e eu sou o encenador”, é desta forma que a pintora sente-se em relação às suas obras. O Oriente tem um lugar bem especial nas obras realizadas: “Em relação à China tenho para 2017/18 uma exposição que será itinerante é que vai percorrer Pequim e Xangai. Vai ser uma coisa diferente e grande. Vai ser na sequência da estadia, não tanto deste trabalho. Haverá esse percurso oriental. Sem ser ai, tenho em Novembro, ao mesmo tempo que haverá um filme feito pelo cineasta e homem de teatro, Jorge Silva Melo. Tem seis filmes de artistas e este agora é meu. Haverá uma exposição com o João Esteves de Oliveira na ARCO de Lisboa. Esta exposição será muito importante e depois seguem-se outras. Cada vez mais coisas fora de Portugal“, estes serão os próximos trabalhos de Sofia Areal que iniciou a sua formação em Inglaterra. Regressada a Portugal, estudou nos ateliês de Gravura e Pintura do Ar.Co., em Lisboa.

 

 

Expõe colectivamente desde 1982 e, individualmente, desde 1990. Além da pintura e do desenho, desenvolve também a sua investigação plástica nas áreas da ilustração, design gráfico e cenografia.

 

 

O filme de Jorge Silva Melo será o mote de uma nova exposição (que começa no dia 17 de Novembro). A obra vai ser lançada no São Luiz e em simultâneo na RTP2. O documentário chama-se “Um Gabinete anti-dor”.

 

 

A pintora já expôs em Oslo, Macau e no México. “Isto tem haver com uma parceria que tenho com o meu filho ,Martim Brion,que também é artista e há quatro anos propos-me sair mais do país. Ele faz as suas exposições e toma conta destas minhas coisas. Não há nada melhor do que trabalhar em equipa“, diz.

 

 

Em Portugal já expôs na Galeria do Torreão Nascente da Cordoaria Nacional em Lisboa, com produção dos Artistas Unidos, uma exposição antológica dos últimos dez anos de trabalho (em 2011). Em 2012 ilustra a Colóquio Letras, edição publicada pela Fundação Calouste Gulbenkian. Em 2013 lança um livro, juntamente com o Professor Emérito de Harvard, Allan Hobson – “Criatividade”.

 

 

“A Oriente tudo de novo” está patente até 28 de Agosto, com entrada gratuita. Pode ser visitada de Terça-feira a domingo: 10:00 às 18 horas (à sexta-feira o horário prolonga-se até às 22.00). Encerra à segunda-feira.

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