Museu do Oriente apresenta nova exposição permanente: “A Ópera Chinesa”

Museu Oriente

 

A 24 de Novembro, pelas 18:30, o Museu do Oriente inaugura a nova exposição permanente, “A Ópera Chinesa”. Um total de 280 peças entre trajes ricamente decorados, perucas, toucados, modelos de maquilhagem, marionetas, gravuras, pinturas e instrumentos musicais, bem como fotografias e vídeos, podem ser vistas nesta nova exposição.

 

 

Considerada um dos tesouros culturais da China, a ópera tradicional surgiu em finais do século XI, agregando elementos de formas artísticas mais antigas como a música, a mímica, a dança e as artes marciais, entre outras, com manipulação de adereços como armas e leques.

 

 

Utilizando cenários muito básicos, a principal característica da ópera chinesa é a sua oposição ao realismo. A voz nunca é natural e, os movimentos estilizados e simbólicos, exprimem os sentimentos das personagens de acordo com um rigoroso imperativo estético. Tal como as representações de ópera eram muitas vezes antecedidas de bailados ou danças propiciatórias, também a exposição apresenta vestes, máscaras e outros acessórios usados nestes rituais que visavam garantir a protecção dos deuses para os actores e público.

 

 

É todo este universo que se mostra em “A Ópera Chinesa”, pelas histórias, objectos e personagens que a compõem, através de dois núcleos ,Personagens e Repertório, bem como uma secção dedicada à ópera durante a Revolução Cultural.

 

 

Trajes, maquilhagem e acessórios csão essenciais para identificar os tipos de Personagens presentes na ópera. Da excelência dos actores ,que têm obrigatoriamente de dominar uma série de disciplinas artísticas , depende o sucesso da produção e o prestígio da companhia.  As tipologias, suas características e elementos diferenciadores estão ilustrados no núcleo das Personagens.

 

 

O vasto repertório da ópera chinesa inclui comédias de costumes, histórias de amor, peças históricas e mitos fundadores da China. No núcleo dedicado ao Repertório exploram-se quatro das suas mais célebres histórias: A História dos Três Reinos, A Viagem ao Ocidente, A Lenda da Serpete Branca e O Pavilhão da Ala Oeste. Através delas é possível perceber os vários papéis da ópera na cultura e sociedade chinesas: a crítica de costumes, a exultação das virtudes guerreiras e morais, o temor aos deuses, a transmissão da sabedoria dos antepassados, entre outras. Aqui se destacam ainda o “nuoxi” e o “dixi”, teatros religiosos de exorcismo, realizados em ocasiões solenes.

 

 

Enquadrando esta arte na história recente, a exposição conta ainda com uma secção dedicada à ópera durante a Revolução Cultural e a tentativa de instrumentalização pelo regime. O teatro torna-se num instrumento social que tem por missão um papel educativo. Foram toleradas apenas oito óperas revolucionárias, criadas sob a égide de Jiang Qing, a mulher de Mao. Com a morte de Mao em 1976, os antigos temas da ópera tradicional reapareceriam pouco a pouco, sob a influência de Deng Xiaoping, grande admirador do teatro clássico.

 

 

Estes objectos são pertencentes à colecção Kwok On, dando a conhecer mais um núcleo significativo do total de mais de 13.000 peças que a compõem, e vão ocupar todo o piso 2 do museu. Esta exposição oferece uma visão abrangente deste singular género performativo, em toda a sua diversidade e exuberância.

 

 

Para assinalar a inauguração desta exposição, o Museu do Oriente pode ser visitado gratuitamente de 25 a 27 de Novembro, com um programa de actividades, que vão desde oficinas a conferências e que exploram os conceitos e objectos que formam o espólio de “A Ópera Chinesa”. 

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