Fotografia: Hugo Calado / Toureio.pt

 

 

A Praça de Touros da Nazaré, agora intitulada de Arena da Nazaré, recebeu este sábado um concurso de ganadarias.

Lidaram-se reses das ganadarias Paulino da Cunha e Silva, Prudêncio, Manuel Veiga, Brito Paes, São Torcato e Higino Soveral, pelos cavaleiros, Rui Salvador, Duarte Pinto, Miguel Moura, João Salgueiro da Costa, António Prates e Joaquim Brito Paes.

As pegas estiveram a cargo dos Amadores de Santarém e Montemor.

 

Lides:

Rui Salvador teve muito azar. Abriu as actuações deste noite, frente a um touro manso da ganadaria Casa Prudêncio. Touro com crença em tábuas, sem investida, sem classe e a obrigar o cavaleiro tomarense a porfiar muito. Depois de dois compridos em que suou para os deixar, na cravagem curta teve de apostar em sortes a ‘sesgo’, com resiliência, labor e paciência. Atribuição de música inacreditável quando nem motivos havia para tal, por parte do director de corrida.

O segundo touro da noite foi pertencente da ganadaria Manuel Veiga. Um exemplar com trapio, mobilidade e no encalço da montada , que permitiu a Duarte Pinto uma lide de qualidade. O cavaleiro, de assumido estilo clássico, teve por diante um touro que lhe permitiu desenvolver o seu toureio a gosto. As sortes foram bem desenhadas, frontais, com reuniões ajustadas e cravando de alto a baixo. O primeiro curto é de elevada nota e ainda destaque para mais dois ao estribo. O cavaleiro esteve ainda comunicativo com o público, numa actuação muito positiva e meritória.

Miguel Moura teve por diante um touro da ganadaria São Torcato. E que lide teve Miguel Moura! Adulto, artístico, com sortes bem elaboradas e, por isso, a conseguir agradar ao público. Touro com escassa apresentação e ‘bisco’ de córnea, mas a permitir uma lide com cravagens de ligeira batida ao piton contrário, brega vistosa e o remate das sortes com arte e classe. Destaque para o momento das cravagens, a preceito e de acordo com o seu estilo, entre o contemporâneo e o clássico. O mais novo do clã Moura, no toureio a cavalo, a concretizar uma temporada, até ao momento, com lides de mérito.

João Salgueiro da Costa com lide irregular, frente a um touro da ganadaria Paulino da alcunha e Silva. Touro bem apresentado, distraído mas com condições de lide e exigir credenciais ao toureiro e a permitir poucos erros. Salgueiro da Costa nem sempre o entendeu e foi tendo alguns toques na montada, cravagens nem sempre ajustadas e pela positiva destaca-se apenas um ferro curto, o primeiro da série. O cavaleiro ribatejano não teve a noite sonhada, na Nazaré.

António Prates teve por diante um touro com aceitáveis condições de lide, embora manso, da ganadaria Brito Paes. Prates é um toureiro artista, tenta construir lides com classe, estética e cumprindo os mandamentos da arte marialva. Mas nem sempre transmite confiança para quem vê, no sucesso das sortes que desenha. Na Nazaré e exceptuando um, totalmente, evitável toque na montada, esteve em bom nível. Bem na brega e na escolha de terrenos e a deixar cravagens bem colocadas, rematando as sortes. Ferros com batida ao piton contrário, o quarto é de nível elevadíssimo, e os dois últimos curtos, em sortes frontais, destacam-se na sua passagem pala Nazaré.

O cavaleiro praticante Joaquim Brito Paes encerrou a noite, na execução das lides equestres, frente a um touro da ganadaria Higino Soveral. Ao melhor estilo clássico, mas colorido, sem exageros, desenhou uma actuação positiva e com bom desenho das sortes, pecando nas cravagens, algo díspares. Aposta maioritariamente em sortes frontais, e bem, devendo ter um mais rápido entendimento do touro que tem por diante, e com isso ajustar os terrenos e as distâncias. O futuro augura-se auspicioso. Teve por diante hastado de excelente apresentação e com mobilidade.

 

Pegas

Santarém: António Goes (1ª tentativa); Francisco Graciosa (2ª tentativa); Lourenço Ribeiro (3ª tentativa).

Montemor: Vasco Ponce (1ª tentativa); Vasco Carolino (3ª tentativa); José Maria Cortes (1ª tentativa).

Notas: A segunda pega do grupo de Santarém peca por não ter sido devidamente concretizada. Na segunda tentativa o forcado sai da cara do touro ficando ‘preso’ por um braço. O grupo deveria ter procedido a nova tentativa.

Na terceira pega do grupo de Santarém, destaque para Manuel Lopo, o primeiro ajuda, pelo mérito, tendo também sido permitida voltada a arena ao lado do forcado da cara e do cavaleiro.

 

Direcção de Corrida: Corrigida dirigida por José Soares , assessorado por José Manuel Lourenço.

Lotação: Dois terços preenchidos.

Prémio para melhor ganadaria: São Torcato (Reacção não consensual do público).

 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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