Nilton reage às críticas relativamente ao espectáculo em Guimarães

Nilton, que no sábado actuou em Guimarães num espectáculo de stand-up, veio hoje a público expor a sua opinião sobre o ruído que se criou por supostamente o espectáculo ter proporcionado grande aglomerado de pessoas, no dia em que foi batido o recorde de infectados com covid-19 em Portugal.

Tenho recebido mensagens de malta que não esteve lá, mas que é contra a noite de ontem em Guimarães porque acha que não pode ser. Eu sei que estão com inveja porque ficou no ar a ideia de que acabou tudo nu a passar Covid de língua em língua (não que não tivesse sido giro), mas não aconteceu. Como se pode ver, nem dava para engravidar a pessoa da cadeira do lado, tal era a distância.
Mas como a malta é livre de reclamar, eu próprio mandei bocas ao Avante porque não concordei que meses antes, numa altura em que não havia espetáculos, em que ninguém podia fazer nada, o Governo tenha aprovado fazer o Avante com a desculpa de que era uma ação política e achei que isso era atirem-nos areia para os olhos. (Pelos vistos foi depois bem executada e ainda bem porque a DGS meteu ordem na coisa e proibiu os 100 mil que lá queriam meter inicialmente. Ainda bem para todos).
Mas voltando à noite de ontem. Não pode ser o quê? As salas estão abertas, sabem disso, certo?
Cumprirem-se as regras impostas e até mais que isso. Num pavilhão de 4 mil pessoas estiveram 800 e tal (por lei a organização poderia ter ido até às 2 mil). A separação das pessoas foi feita como se pode ver nas fotos e toda a gente usou máscara.
E vamos lá ver uma coisa. Eu não fui o produtor do espectáculo, mas tenho uma produtora e estive parado 8 meses (último espetáculo que fiz em sala foi a 7 de Fevereiro e o primeiro a 2 de Outubro) – até fico triste que ninguém reclamou desse – Estou há 8 meses a pagar ordenados, a pagar a segurança social e todos os impostos que me são devidos e me é obrigatório cumprir. Não tenho nenhum subsídio privado ou público nem tenho contrato algum com nenhum organismo estatal. Ou trabalho, ou não facturo! Mesmo assim esperei 8 meses e agora decidi voltar à estrada. Não por dinheiro, mas porque acho que devo contribuir para a economia arrancar, aceitando as premissas e cumprindo as regras impostas. Como voltaram muitos artistas, como voltaram muitos de vocês aos cafés, às esplanadas, aos restaurantes e ao Shopping. Segundo a DGS, 67% dos contágios que tem havido são em contexto de festa. Família, amigos…não em locais onde a malta se protege e segue as regras.
E ninguém é obrigado a ir aos espetáculos, mas eles são permitidos e já acontecem há muitos meses. Desde Maio. (Pedro Abrunhosa em Drive IN a 23 de Maio). Deixem O Pimba em Paz a 1 de Junho. E desde Maio que o país tenta mexer e desde Maio que o Governo permite que se façam.
Mas temos de nos acertar de uma vez por todas. Ou continuamos parados e seja o que Deus quiser para a economia, para o país e para as famílias que vivem dos espetáculos, do turismo, do comércio e tudo à volta, que é uma posição muito confortável para quem recebe o seu ordenado mas não tem de os pagar, ou começamos a fazer coisas e cabe a cada um defender-se e tomar as precauções devidas, dentro do que a lei e os especialistas nos permitem e aconselham. E digo isto com a consciência dos perigos dos tempos que vivemos porque tenho filhos, Pais em grupo de risco, mas é a minha leitura neste momento. Sermos cautelosos, usar máscara e proteger-nos. Ninguém é obrigado a ir a lado nenhum, mas também não podemos ficar parados indefinidamente e muito menos sermos guiados pelas opiniões das redes sociais. Nunca fui, não seria agora. Até acho um disparate a câmara ter fechado o Multiusos com base numa foto em que parece que a sala esta cheia sem analisar as coisas decentemente. A sala ontem teve 40% de ocupação.
Isso ou fechamos as salas todas, porque se a DGS e o Governo as abriram, é para ter gente. Digo eu.
Ou só podemos estar cheios de malta à nossa volta nos cafés, nas esplanadas, nas touradas, nos restaurantes e no Shopping?

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