No Dia de Portugal, Oeiras rendeu-se ao Fado de Katia Guerreiro!

Katia Guerreiro

 

No Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, Oeiras rendeu-se ao Fado de Katia Guerreiro. Este espectáculo esteve inserido na programação das festas do município.

 

 

Katia Guerreiro que esteve esta semana no Consulado de Portugal em Sevilha, voltou a actuar no Dia de Portugal em solo nacional, depois de muitos anos a representar Portugal e a música portuguesa por esse mundo fora.

 

 

Abriu o espectáculo com “Fado Português”, num poema de José Régio e música de Alain Oulman e neste primeiro tema conseguiu “agarrar” o público que lhe prestou uma estrondosa ovação.

 

 

Em palco a fadista esteve acompanhada por Pedro de Castro e Eurico Machado na guitarra portuguesa, João Veiga na viola de fado e Figueiredo Lopes na viola-baixo. “Estou muito emocionada porque hoje é o Dia de Portugal, 10 de Junho, e em que devemos celebrar a imensidão deste país tão pequeno, que faz tanta coisa maravilhosa pelo mundo fora” disse na primeira interacção com o público, algo que foi uma constante ao longo do concerto, com intervenções assertivas e nos momentos adequados.

 

 

De João Veiga, seguiu-se uma boa interpretação no Fado Alberto, antes de uma homenagem “à grande, e única, diva do fado, Amália Rodrigues” com o tema “À janela do meu peito”, da autoria de Alberto Janes. A noite estava agradável, amena, e o público era cada vez mais junto do palco da feira e mostrava-se participativo num espectáculo em que a fadista permitiu e incentivou a essa participação por parte da assistência.

 

 

“Nesta noite”, de Paulo Valentim e “Fado da Sina” (uma interpretação soberba), antecederam mais um momento muito bem interpretado em “Tenho uma saia rodada”, antes do qual contou uma história decorrida numa digressão sua, algures no sul de Espanha.

 

 

Num dos momentos mais intimistas do espectáculo, Katia Guerreiro dedicou um tema à sua filha, que estava a assistir ao concerto, com “Eu gosto tanto de ti”. Mas o dia era de Portugal, como devem ser todos, e Katia concebeu um alinhamento em que cantou alguns dos maiores poetas nacionais. De Ary dos Santos ofereceu ao público “Rosa Vermelha”, antes de voltar a relembrar Amália Rodrigues em “Quero cantar para a lua”, num tema com música de Pedro de Castro.

 

De Vasco Graça Moura, cantou “As Quatro operações”, numa analogia entre o amor e as operações matemáticas. E ganhou um coro, afinadíssimo e dedicado, em “Mentiras” de Rita Ferro. Este tema tem em si uma escrita genial e divertida mas abordando uma temática séria, as verdades e mentiras do amor.

 

“Até ao fim” de Vasco Graça Moura antecedeu um encore, após forte e prolongada ovação do público, no qual Katia Guerreiro homenageou Luís Vaz de Camões, brilhou em “Amor de Mel, Amor de Fel” e terminou com cancioneiro tradicional perante o entusiamo do público. Katia Guerreiro soube moldar e colocar a voz de forma quase irrepreensível durante o espectáculo ao mesmo tempo que optou por uma linguagem corporal correcta a cada interpretação. Está num momento de enorme fulgor! Os seus músicos estiveram, como habitualmente, num plano superior, sendo notória a química existente entre todos.

 

 

Salientar ainda o excelente trabalho de Luís Ventura na luz e Luís Figueiredo no som, que acaba por dar uma dimensão superior ao espectáculo.

 

 

No final do espectáculo em conversa com o Infocul, Katia Guerreiro disse que “é muito emocionante” cantar para os portugueses no Dia de Portugal, porque “não é preciso explicar, não é preciso justificar o sentimento que nós temos pelo nosso país. O orgulho e o amor que temos a este país e que se traduz em expressões muito variadas, e o fado é a sua expressão maior. E isso não foi preciso explicar aqui. Portanto foi viver as emoções sem ter que as explicar”.

 

 

Deixou ainda palavras para o “afinadíssimo” público de Oeiras, sendo que “assim que entrei em palco percebi a expectativa e depois a vontade de dar antes de receber, foi isso que aconteceu quando nós entrámos. O público estava com vontade de dar, até antes de receber alguma coisa da nossa parte. E isso fez com que estivéssemos todos numa convivência muito harmoniosa. Eu via a cara das pessoas felizes…sorrisos… e o contributo do público foi extraordinário”.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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