NOS Alive: A guitarra de Mário Pacheco tem um coração e transmite amor

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A 13ª edição do NOS Alive começou ontem com 55 mil pessoas a deslocarem-se ao Passeio Marítimo de Algés, para o primeiro dia de um festiva que se encontra esgotado.

 

 

O Infocul, pelo segundo ano consecutivo, dará especial destaque ao palco EDP Fado Café, que no primeiro dia teve como maior ponto de interesse os dois espectáculos de Mário Pacheco. Mário Pacheco é um nome que ficará para sempre na história do fado, quer seja pelo percurso quer seja pelo lado criativo e de composição, além claro está do talento com que continua a presentear o público em cada actuação.

 

Filho do também guitarrista António Pacheco, Mário conquistou ontem, no primeiro de dois concertos, o público que acorreu em bom número ao seu espectáculo. A guitarra de Mário Pacheco parece ter uma profunda ligação ao coração do seu executante, pois num espectáculo todo ele instrumental não foi precisa palavra alguma para sentirmos todas as emoções que as várias peças interpretadas tentavam transmitir. Da euforia à nostalgia, do amor ao desamor, da tristeza à alegria, Mário Pacheco teve momentos inebriantes, denotando uma jovialidade e uma força absolutamente admiráveis.

 

Houve momentos em que o guitarrista proporcionou poesia tal a beleza das obras interpretadas, mostrando que mesmo com um longo percurso no fado, e na música, continua a estar muito à frente do seu tempo. Daqui a 20 anos, os actuais modernistas do fado não serão lembrados, mas Mário Pacheco e a sua obra continuarão a ser interpretados.

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Mário Pacheco mostrou interesse em saber se o público que assistia ao seu espectáculo era maioritariamente português ou estrangeiro. Ganhou Portugal. Mesmo assim, Mário Pacheco em todas as suas intervenções falou em português e inglês, para que todos o entendessem, e sempre com muito boa disposição. Foi ao NOS Alive “tocar este instrumento, que é a guitarra portuguesa”, revelando também que era para si uma experiência nova actuar num festival deste género e num palco “à porta aberta”. Recordamos que Mário Pacheco é proprietário de uma das mais conceituadas casas de fado de Lisboa, o Clube de Fado, em Alfama.

 

Mas o guitarrista foi além do fado, começando por tocar “duas peças mais abrangentes”, tendo posteriormente revelado que no “fado também há baladas”, antecipando “Voando no Meu tapete”. Ao longo dos dois concertos há a destacar Carlos Menezes no contrabaixo e Luís Pontes na viola de fado, também eles a mostrarem talento, virtuosismo e classe.

 

 

Mário Pacheco encerrou os dois concertos, no qual apresentou o mesmo alinhamento, com “Além Terra”, “a minha visão sobre as origens da nossa música, assentes num triângulo: Portugal, Andaluzia e Norte de África”.

 

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Neste primeiro dia, actuaram ainda neste palco, Miguel Araújo e Blues’N’Swing. Para hoje, dia 7 de Julho, são aguardadas actuações de Janeiro, Carminho e Blues’N’Swing.

 

Fotografias: José Fernandes/NOS Alive

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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