Nuno Sousa, porta-voz da Festa do Cinema, diz que “a mudança estrutural no mercado do cinema deve passar por criar condições de menor dependência dos filmes que chegam do mercado norte-americano”

 

 

 

Terminou ontem, 24 de Outubro, a Festa do Cinema que permitia assistir a filmes por 2.5, cada bilhete. Nuno Sousa, porta-voz da Festa do Cinema, concedeu entrevista ao Infocul para falar sobre a iniciativa e sobre esta edição. De 22 a 24 de Outubro, houve uma festa e o cinema foi rei!

 

 

Começou por destacar que em termos de novidades desta edição, “além dos filmes que estrearam recentemente, e que são o centro desta celebração, a grande novidade é a data”, pois “normalmente, a Festa do Cinema realiza-se mais cedo, mas decidimos avançar no Outono pela primeira vez, o que nos permite juntar um cartaz muito abrangente com o conforto de ir ao cinema quando o tempo lá fora está mais cinzento”.

 

 

A adesão das salas de cinema a nível nacional foi enorme, e como tal Nuno Sousa referiu que “o mais difícil é encontrar um lugar onde não nos possamos juntar à Festa do Cinema! Todas as salas nacionais, de todos os distribuidores, juntam-se ao evento e ainda temos uma oferta muito vasta em auditórios e cineclubes que permitem ter sessões em locais como Mirandela, num distrito onde não existe cinema regular. Desde que haja uma sala ou espaço de visionamento por perto, o preço especial está garantido”, disse-nos.

 

 

O porta-voz da Festa do Cinema esclareceu ainda que “o projecto é sustentado através de um acordo nacional de enorme escala, que inclui os distribuidores, os cinemas, as autarquias, a APEC – Associação Portuguesa de Empresas Cinematográficas, o ICA – Instituto do Cinema e do Audiovisual, a FEVIP – Associação Portuguesa de Defesa das Obras Audiovisuais e a GEDIPE – Associação para a Gestão Colectiva de Direitos de Autor e de Produtores Cinematográficos e Audiovisuais. Todas estas entidades reúnem esforços para abdicar de alguma da sua margem financeira e promover o envolvimento do público com o ato cultural de assistência cinematográfica em sala, uma prática social por excelência que se pretende desenvolver e que venha, cada vez mais, a crescer no mercado nacional”.

 

 

Sobre as mais valias desta iniciativa, diz-nos que “de acordo com as estatísticas de anos anteriores, e que ambicionamos ultrapassar este ano, as mais-valias da Festa do Cinema são significativas para todos os envolvidos. Em 2017, na mais recente edição, o evento atraiu 217 mil espectadores às salas durante os três dias, o que equivale a quase quatro vezes o volume normal de público nos mesmos dias da semana ao longo do ano. Esta variação, juntamente com o impacto nos meios de comunicação, a opinião extremamente positiva do público e a distribuição geográfica muito abrangente permite-nos ver a Festa do Cinema como um evento muito positivo para todos os envolvidos”.

 

 

Esta iniciativa permite ainda que os menos abonados financeiramente possam assim aceder a cinema de qualidade. Opinião corroborada por Nuno Sousa que acrescenta ser “importante juntar os portugueses e criar esta noção de família e de diversão em conjunto nos cinemas, de forma a trazer mais público e convencer aqueles que já vão ao cinema com regularidade a ir mais vezes. A expressão nacional do evento é também um motivo de grande orgulho, porque permite que locais sem hábitos cinematográficos comecem a ganhá-los e aproveitem estes três dias para ver filmes no grande ecrã”.

 

 

A tendência dos últimos anos tem sido positiva, com crescimento sustentável que contraria a tendência da restante Europa. Depois de aumentos constantes durante três anos, registou-se uma quebra em 2018 até Outubro, curiosamente no primeiro ano em que a Festa do Cinema se realiza no outono ao invés de maio. Acreditamos que estes três dias de celebração vão ajudar a dar um impulso importante nos números – as primeiras indicações são muito positiva – e vão ajudar-nos a escapar à tendência normal de ter um mercado muito dependente da produção norte-americana e muito susceptível à variação”, disse-nos sobre o actual estado do cinema em Portugal.

 

 

 

Já sobre o que urge mudar disse que “a mudança estrutural no mercado do cinema deve passar por criar condições de menor dependência dos filmes que chegam do mercado norte-americano, o que só será conseguido com uma aposta muito forte na produção nacional. Todos os agentes têm de unir-se neste objetivo de criar uma indústria cinematográfica mais forte em Portugal, e o público certamente dará uma resposta positiva. Precisamos também de reinventar o conceito de sala de cinema, para trazer de volta o público que está a ficar mais vezes em casa. Perante a oferta de tantos ecrãs para ver filmes, as salas têm que redefinir a sua oferta para ter mais conforto e tecnologia mais avançada, o que ajudará a criar a próxima experiência de ver cinema”.

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Notícia publicada a 25/10/2018


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