O Palácio Vila Flor e o Centro Internacional das Artes José de Guimarães recebem primeiro ciclo expositivo de 2017

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O Palácio Vila Flor e o Centro Internacional das Artes José de Guimarães recebem exposições de José Almeida Pereira, Edgar Martins e Rui Moreira, para além de uma nova montagem da colecção permanente do CIAJG, a partir do dia 28 de Janeiro, sábado.

 

 

O programa de inauguração das exposições tem início às 17:00, no Palácio Vila Flor, com a abertura de “Bufos”, de José Almeida Pereira, com a participação de Cristina Mateus e Max Fernandes. Esta irá ocupar as salas de exposição do Palácio Vila Flor entre 28 de Janeiro e 03 de Junho. “Bufos” incita o observador a imaginar, convidando-o a demorar-se no espaço sensível da sua subjectividade para escapar à luz estroboscópica das imagens. As temáticas abordadas nas obras em exposição fazem um retorno aos valores humanos inscritos na pintura, distanciando-se do presente e assumindo esse recuo. 

 

 

As pinturas de José Almeida Pereira apresentam-se em camadas de tempo, no contraste entre o preto e o branco, o negativo e o positivo, como se se tratasse de uma imagem fotográfica. Cada obra dá a ideia de sobreposição, de sedimentação, de trajecto, de um tempo expresso num espaço. O que se coloca diante do espectador são simples espectros, pequenos vestígios, rastos de um conjunto de imagens que teimam em permanecer para sempre na memória. Num tempo onde a imagem é comunicação, a sua fixação na retina não é todavia suficiente para formar conhecimento. Desse modo, a obra-prima citada em cada pintura demora-se porque se fecha no olhar como um segredo. 

 

 

Às 18:30, as atenções viram-se para o arranque do novo ciclo expositivo do CIAJG (Centro Internacional das Artes José de Guimarães) que será assinalado pelas exposições “Os Pirómanos”, de Rui Moreira. Esta exposição foi concebida em parceria com a EGEAC, em que o artista apresenta a mais abrangente exposição que alguma vez realizou em Portugal. 

 

 

O seu trabalho desenvolve-se quase exclusivamente na área do desenho e constitui-se como um terreno de reflexão política e poética sobre a condição humana. Aqui poderá ver-se um amplo conjunto de desenhos de grande escala, cuja execução, meticulosa e densa, se estende por vários meses, como que incorporando o tempo do quotidiano bem como o tempo da história. O cinema, a poesia, a citação de outros artistas, alguns anónimos, de outros tempos, são referências constantes num trabalho que faz conviver de forma sublime a figura  geométrica e a figura humana, afinal o centro de todo o pensamento do artista.

 

 

Para além da exposição de Rui Moreira, o CIAJG inaugurará ainda a exposição “Destinerrância – o lugar do morto é o lugar da fotografia”, de Edgar Martins, que tem desenvolvido uma reflexão poderosa sobre os regimes da visualidade contemporâneos, o uso da fotografia em contexto institucional e a relação da fotografia com a nossa vida e a nossa morte. 

 

 

A exposição que agora apresenta resulta de um projecto que foi longamente preparado e que teve duas primeiras e consideravelmente mais pequenas apresentações em Lisboa, no MAAT e na Cristina Guerra Contemporary Art. 

 

 

Trata-se de uma investigação empreendida nos arquivos do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, a instituição que tem jurisdição legal sobre o corpo depois da morte. A reflexão visual que levou a cabo resulta numa exposição poderosa e, por vezes, chocante que é capaz de transpor a fronteira que separa a vida da morte, a respiração da petrificação. 

 

 

As exposições de Rui Moreira e Edgar Martins poderão ser visitadas até 04 de Junho.

 

 

Ainda este ano, o Centro Internacional das Artes José de Guimarães contará com novas intervenções “Birds”, de Christine Henry, “Sem escala”, de António Bolota, e “Stefano Serafin, Arte em Estado de Guerra”, com o título “Cosmic, Sonic, Animistic”. 2017 será um ano de muita movimentação no espaço da colecção permanente.

 

 

O corpo em todas as exposições apresentadas será abordado sob diferentes pontos de vista: o corpo e a morte, o corpo e a guerra, o corpo e a história, a representação do corpo. Neste ciclo, falar-se-á sobre mudança e permanência, mostrando a grande e a pequena escala, o universal e o íntimo.

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