O último disco de Djavan abre o baú das memórias

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“Vidas Pra Contar”, lançado em 2015, é o último álbum de Djavan, um dos mais conceituados músicos brasileiros. Neste trabalho o cantor abre o seu baú das memórias e faz com que façamos o mesmo com as nossas, que mergulhemos até ao mais fundo das nossas memórias e provoca-nos sentimentos ambíguos de alegria e alguma tristeza sempre que escutamos uma das músicas que faz parte deste CD.

 

 

São recordações que chegam-nos através dos sentidos, das imagens que vamos construindo sempre que ouvimos as doze faixas que compõe “Vidas Pra Contar” (O vigésimo terceiro disco da carreira do brasileiro), possivelmente um dos discos mais autobiográficos e ternurentos do cantor.

 

 

O amor aqui é apresentado de diferentes formas, em diferentes idades. Começa com um amor puro, um amor adolescente que é cantado em “Não é um bolero” (tema com um género que se assemelha à bossa-nova ou à música popular brasileira com alguns toques de bolero) e nos faz recordar aquele primeiro beijo que trocamos às escondidas na primária com o colega do lado. “Encontrar-te” fala sobre a dificuldade em encontrar a pessoa certa e em como conquista-la mas termina com um amor explosivo em “Se não vira Jazz”, algo bem ao estilo de Djavan.

 

 

Em “Vidas Pra Contar” Djavan mistura diferentes géneros musicais que vão do jazz (“Enguiçado”), ao samba (“Aridez” e “Ânsia de viver”), aos ritmos sertanejos em (“O Tal do Amor”), onde as teclas fazem a vez da sanfona e dança nos salões do Palácio de Versalhes ao som de “O tal do amor”, um tema bem leve.

 

 

A primeira canção do disco é “Vida Nordestina” e marca a volta do cantor às raízes que são expostas através da viola caipira, o instrumento mais típico da música sertaneja. Enquanto que a viola representa o passado, a voz de Djavan leva-nos para o presente e dá-nos a confiança necessária para encararmos o futuro. É uma música simples na sua apresentação mas que resulta.

 

 

O passado volta a visitar-nos em “Dona Do Horizonte”. Nesta música o cantor presta uma homenagem à sua mãe, a responsável por inicia-lo nas lides da música, e apresenta-nos uma veia bem poética e profunda.

 

 

O segundo tema deste disco e uma das músicas para reter na memória é “Só pra ser o sol”, uma canção poderosa digna de tocar em qualquer rádio do mundo mas, em especial, nas nossas cabeças. Esta canção conquista o público através de uma secção de sopro, trompete, que traz uma harmonia surpreendente a esta música que se junta à letra escrita por Djavan.

 

 

“Vidas Pra Contar” é um disco de melodias simples e leves que estão conectadas entre elas e que contam uma história, que devem ser ouvidas de uma vez só para provocar sentidos e memórias.

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