Oficina do Livro edita livro onde se explica aos mais novos o que aconteceu em Auschwitz e o que foi o Holocausto

Oficina do Livro edita livro onde se explica aos mais novos o que aconteceu em Auschwitz e o que foi o Holocausto com base na história real de um dos maiores escritores britânicos que lutou contra a Covid 19 nos últimos meses.

“Os que Desapareceram em Auschwitz” conta a história real da família de um dos principais escritores infanto-juvenis britânicos durante a II Guerra Mundial, Michael Rosen, autor bestseller com 140 livros publicados ao longo de uma carreira de 50 anos. Depois de anos de investigação, o também poeta britânico tenta explicar aos mais novos o que foi o Holocausto recorrendo às histórias dos tios-avós, um relojeiro, outro joalheiro, num livro editado na próxima terça-feira, 29 de Setembro, pela Oficina do Livro.

Um dos meus tios-avós era relojeiro. O outro joalheiro. Foi a única coisa que fizeram de mal, ou seja, não fizeram nada de mal. No entanto, morreram por serem quem eram. Quando se fala de holocausto, as pessoas costumam dizer: ‘nunca mais.’ Isto quer dizer que o que aconteceu aos meus tios-avós e aos milhões de mortas pelos nazis, nunca mais deve acontecer. Mas desde então quantas tentativas de genocídio já ocorreram? Preocupo-me muito com o preconceito que vejo. Não me preocupo apenas com o anti-semitismo, mas com todas as formas através das quais grupos ou pessoas se tornam alvo de ódio. Em especial quando há um governo envolvido, a alimentar esses sentimentos ou mesmo a discriminar ‘legalmente’ esses cidadãos. A dividir pessoas pela religião e raça, a separar famílias. Pessoas como eu e tu. Relojeiros e joalheiros.

Autor de “Vamos à Caça do Urso”, editado com enorme sucesso pela Caminho, Rosen tentou, durante muitos anos, descobrir o passado dos familiares desaparecidos. Conversou com os mais velhos, pesquisou arquivos e bibliotecas e viajou até aos Estados Unidos e França. Sabia apenas que existiam antes da guerra, e que, depois, nunca mais ninguém teve notícias deles. A história que descobriu, de perseguição e angústia, é contada com uma mistura de prosa e poesia, a única forma que encontrou para explicar o Holocausto aos jovens.

Aos 74 anos, Michael Rosen foi, nos últimos meses, notícia constante no Reino Unido devido ao internamento por Covid 19. Esteve 47 dias nos cuidados intensivos e sete semanas em coma induzido. Perdeu a visão e audição do lado esquerdo e teve de aprender a andar. Mas já recuperou e até já entregou um novo livro para surpresa dos editores.

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