“Olá, eu sou o Pai Natal” de Tiago Barbosa para ver no D. Maria II

 

 

O Teatro Nacional D. Maria II recebe, de 3 a 6 de Janeiro, “Olá, eu sou o Pai Natal” de Tiago Barbosa.

 

 

 

O Pai Natal nunca está. Mas existe. Neste teatro, sim. Pelo menos é o que quer provar o seu corpo inteiro de actor em palco. Até ao fim do espectáculo, está em dívida para com quem já pagou bilhete e o vê. E é mesmo ele, o Pai Natal. O verdadeiro. A quem devemos todos os presentes e que se perdeu do Polo Norte e de si próprio. Vem agora explicar-se e oferecer-se. Assistimos à suprema dádiva. Uma grande mentira é contada de um espaço cénico para uma plateia. E faz acontecer o impossível. O Pai Natal. A sua aparição perante uma audiência adulta e com certeza descrente, mas constrangida a crer por estar diante de um palco. Enfim, nada que não aconteça em muitas casas na noite de 24 de Dezembro, quando alguém mascarado de Pai Natal aparece de fugida a largar presentes junto à árvore. Mas no teatro o Pai Natal entra pelos olhos e pelos ouvidos adentro de quem se senta na plateia. E então, sim, revela-se a verdade impressionante. 

 

 

 

Após estreia no NEGÓCIO, a segunda encenação de Tiago Barbosa vai estar em cena na Sala Estúdio do Teatro Nacional D. Maria II.

 

 

O trabalho de Tiago Barbosa, assente na prática do actor, distingue-se por generosidade e despojamento. A capacidade de gerar e manipular estados de emoção inquietantes coloca-nos perante a experiência teatral na sua essência. Olá, eu sou o Pai Natal parte de um retrato individual – que nos comove através da partilha de angústias e preocupações privadas – para alcançar uma reflexão sobre questões mais globais, como a dádiva e a economia na sociedade, e o comércio em jogo no ato performativo. 

 

 

Olá. Eu sou o Pai Natal. Eu sou uma pessoa. Há quem não saiba. E acredite em histórias que se contam sobre mim. Mas eu sou um homem. Normal. Que é real. Que está vivo na realidade. E fabrica os presentes e vai mesmo a casa das pessoas no natal. E isto é importante. Os presentes são mesmo presentes. Presentes que aparecem na árvore de natal. À meia-noite, de um momento para o outro. De repente, a árvore fica rodeada de presentes. Aparecem. É uma coisa formidável. São presentes impossíveis. Presentes do Pai Natal que ninguém viu nem sabe quem é. Nem como nem porquê, oferece aqueles presentes todos. São ofertas de ninguém. De alguém a quem não se agradece. Nem se dá presentes. Alguém que se esquece no momento em que os presentes aparecem. E que logo a seguir ao natal é reduzido a lenda. Eu sou a lenda. Olá. A lenda que oferece presentes. Para com uma lenda ninguém tem dívidas. Sobretudo dívidas incomensuráveis. A lenda ninguém pensa em conhecer. Não se pode encarar. Pode quando muito ser contada. Por isso é que não posso parar de falar. Nem de aparecer. Para contar a lenda que não sou. Eu sou o Pai Natal. Olá.”, refere Tiago Barbosa.

 

 

Os espectáculo decorrem de 3 a 6 de Janeiro, na Sala Estúdio, pelas 21:30 de quinta e sexta-feira, 19:30 de sábado e 16:30 de domingo. Espectáculo para M/12.

 

 

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