Old Jerusalem revela que ‘Chapels’ “é um disco que tenho vindo a apelidar de “espartano”

 

 

 

“Chapels” é o mais recente trabalho discográfico de Old Jerusalém, que celebra 17 anos de percurso artístico, enquanto projecto.

 

 

Este novo disco conta com 10 temas e teve Francisco Silva (na guitarra e voz), Jorge Coelho (na guitarra no tema “Carnation Day” e no tema “How Beautiful, That”). As letras são assinadas por Francisco Silva, Jorge Coelho e Prince Rogers Nelson. Foi gravado, misturado e masterizado por Paulo Miranda, no Estúdio AMP, excepto a guitarra de Jorge Coelho, nos dois temas, gravados em casa.

 

 

Este disco sucede a  “April” (2003), “Twice the humbling sun” (2005), “Splitted” (2006), “The temple bell” (2007), “Two birds blessing” (2009) além de colaborações com outros artistas, não só como músico/intérprete (The Unplayable Sofa Guitar, Green Machine, The Neon Road, entre outros), mas também como autor, tendo desenvolvido a este título trabalho com artistas tão diversos quanto Carlos Bica, Bernardo Sassetti, Alla Polacca, Mandrágora ou Kubik.

 

 

Em entrevista ao Infocul, é abordado o percurso e também o processo criativo neste disco e a mensagem que pretende ser transmitida.

 

 

17 anos celebrados com novo disco, “Chapels”. Como pode ser descrito este disco?

É um disco que tenho vindo a apelidar de “espartano”. As canções são apresentadas num formato muito simples e imediato, e o que se ouve é praticamente o primeiro registo gravado de cada um dos temas, pouco após a sua composição. 

 

17 anos já é um percurso considerável. Qual o balanço e o como o analisa? Mudaria algo?

17 anos é já efectivamente algum tempo, e é logo à partida bastante mais do que inicialmente pensei que Old Jerusalem viesse a durar. Dá-se ainda por cima a circunstância de terem sido 17 anos de grandes reviravoltas no mercado da música, pelo que foi um percurso preenchido com muitas voltas e voltinhas, avanços e recuos, subidas e descidas… Mudar, seguramente mudaria muita coisa, mas creio que nada de fundamental, pelo que o Balanço é positivo.

 

 

 

Quando começou a ser pensado este “Chapels”?

Creio que se pode dizer que a ideia inicial que deu rumo ao trabalho específico deste disco surgiu há pouco mais de 1 ano, após a escrita do tema “Black pool of water and sky”, que é em vários aspectos central para o álbum. No entanto, alguns dos temas são anteriores a este período.

 

Como classificaria cada um dos temas que o compõem, individualmente?

Pode dizer-se que a estrutura do disco inclui um prólogo (o 1º tema) e um epílogo (o último) – ambos pequenos temas algo impressionistas, com características muito específicas e escritos em parceria com o Jorge Coelho – que “emolduram” o corpo do disco. Os restantes temas individualmente abordam pedaços de histórias muito variados na sua temática, mas com uma tónica particular numa ideia de vulnerabilidade que é comum a quase todas as canções. 

 

 

 

Em que marca a diferença este projecto no panorama musical português?

Não sei se estou em posição de fazer essa avaliação – de facto acompanho apenas parte do que é feito no nosso meio musical (que é ainda por cima cada vez mais vasto) e por outro lado estou demasiado envolvido naquilo que faço para ter alguma perspectiva crítica sobre o papel relativo do meu trabalho no contexto do nosso panorama… Desejaria no entanto que Old Jerusalem marcasse um espaço de recolhimento que me parece fazer sempre alguma falta no nosso meio cultural e artístico, que geralmente abraça mais a sua veia extrovertida e celebratória. 

 

Como analisa o actual mercado musical nacional?

O nosso meio musical tem demonstrado grande vitalidade, o que é interessante porque o mercado musical – no sentido mais estrito, económico, do termo – continua a passar uma fase de grande incerteza.

 

 

 

Quais os maiores desafios?

O desafio, como em outras áreas afectadas pelo fenómeno das transformações galopantes nas tecnologias, continua a ser o de manter relevante e viável uma certa forma de comunicação estética e artística num contexto em que os novos meios têm vindo alterado praticamente tudo: a forma como se faz música, a forma se distribui e promove, e a forma como as pessoas a consomem e a incorporam na sua vida. 

 

Como tem sido o feedback do público que acompanha o projecto e que o vai descobrindo?

O feedback que em geral vamos recebendo é bastante positivo.

 

Podem-se esperar mais 17 anos de Old Jerusalem?

Diria que é pouco provável, mas se me perguntassem o mesmo há 17 anos responderia exactamente o mesmo, portanto… quem sabe? É difícil de dizer.

 

 

 

Em termos de espectáculos para apresentar este novo trabalho o que pode já ser revelado?

Neste momento pouco. O ambiente do disco é bastante específico e inicialmente não previa fazer apresentações ao vivo baseadas nele. Decidimos no entanto posteriormente que não excluiríamos essa possibilidade e estamos portanto a avaliar o que poderá fazer sentido dentro da estética subjacente a este álbum. No dia 25 de Outubro faremos uma breve apresentação no Teatro do Campo Alegre, no âmbito das Quintas de Leitura. Até lá iremos anunciando o que entretanto for surgindo e sendo fechado.

 

Há alguma sala que haja uma grande vontade em lá actuar? Uma espécie de sonho? Qual?

Não tenho nenhuma sala de sonho, embora pudesse descrever um ambiente geral ideal para o tipo de música que faço: intimista mas informal, com bom som, que propicie a comunicação com um público atento e interessado. 

 

Nas redes sociais, onde pode o público interagir e saber novidades?

Estamos no facebook.

 

É dedicado muito tempo à gestão das redes sociais?

Não, de facto é até dedicado relativamente pouco tempo a essa gestão, o que reconheço ser uma lacuna considerável nos dias que correm.

 

 

 

Qual a importância das redes sociais para o projecto?

É inegável que as redes sociais têm hoje uma importância extremamente significativa para qualquer projecto em praticamente todas as áreas. São claramente um dos principais meios de interacção com o público real e potencial e a fonte de informação de uma grande franja da população a nível global, o que as torna incontornáveis.

 

Qual a mensagem que deixa aos leitores do Infocul?

Nada de especial, apenas que faço votos que se mantenham leitores atentos e criteriosos e que, cruzando-se com a música de Old Jerusalem, encontrem nela algo que valorizem. 

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Notícia publicada a 09/10/2018

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