Opinião. “Black Panther” traz a lenda da Pantera Negra ao grande ecrã

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Depois de Thor, Hulk ou o Capitão América, mais um herói da Marvel chega ao grande ecrã. A personagem do Pantera Negra foi criada por Stan Lee (que também faz uma breve aparição neste filme) e apareceu pela primeira vez, num livro de banda desenhada, em 1966. Este foi o primeiro super-herói de origem africana e é neste continente que começa este filme e a história de T’Challa, o príncipe herdeiro de Wakanda.

 

 

 

Este reino fictício, que perante o olhar de estrangeiros não passa de mais um país pobre de África, deslumbra pela sua tecnologia ultra-secreta e algo futurista que, ao lado dos cenários naturais, como é o caso da cascata onde o príncipe fez as suas duas lutas iniciais, chama bastante a atenção neste filme que é um bom “aperitivo” para quem não conheça convenientemente a história do Black Panther.

 

 

 

Uma história que conjuga as raízes ancestrais do povo africano (que podem ser vistas nos cenários, em alguns aspectos do guarda-roupa, no ritual da dança, no sotaque inventado e nos tambores que povoam a trilha sonora) e aspectos mais modernos. Continuando a falar na banda sonora de “Black Phanter”, esta foi entregue ao rapper americano Kendrick Lamar.

 

 

 

Este filme, desde antes começarem as filmagens, deu que falar pela escolha do protagonista. Os meios de comunicação social chegaram a referir o nome de Dwayne Johnson (antigo lutador da WWE) para este papel que acabou por ser entregue a Chadwick Boseman, que anteriormente participou em inúmeras séries e que com o seu 1,83 encanta com o seu atletismo, que fica latente nas inúmeras cenas de luta existentes ao longo do filme.

 

 

 

Este filme começa com um roubo de Vibranium (um metal muito poderoso, sendo esta a fonte de todo o poder do povo de Wakanda), que leva o anterior rei até a um bairro pobre de Oakland. Esta cena no início pode passar algo despercebida mas é aqui que reside o segredo que vai fazer desenrolar o resto da história.

 

 

 

Como em todas as histórias de acção, onde há um herói tem que haver um vilão. Um vilão injustiçado e revoltado com o mundo vai fazer o mundo do Black Phanter virar de “pernas para o ar”. Killmonger (Michael B. Jordan) é um guerreiro mortal que vai conseguir alcançar o trono de Wakanda, já que é primo de T’Challa e Suri (que é responsável pelo super fato e todas as construções altamente tecnológicas que este “país” apresenta) e acha que tem direito ao trono pois o anterior rei matou o seu pai, que tinha sido o responsável pelo roubo de Vibranium (que é referido numa das primeiras cenas do filme).

 

 

Michael B. Jordan é uma agradável surpresa pois para além de ser extremamente atlético também consegue ser gracioso e engraçado, já que a sua forma de falar é bastante diferente da restante população de Wakanda.

 

 

No que toca aos actores masculinos, também é de destaque a representação Martin Freeman, que apresenta uma personagem (que tem um interesse romântico na personagem interpretada por Danai Gurira) muito semelhante aquela que fez no seu último trabalho mas como a representa de uma forma tão natural que se torna bastante agradável de ver.

 

 

Se Freeman tem uma actuação natural, Andy Serkis encarna uma personagem exagerada e que goza com toda a gente e em todas as situações (como fez quando, mesmo sem um braço, estava a ser interrogado por um agente da CIA).

 

 

O humor (e os gadgets) estão entregues a Suri (Letitia Wright). A ligação que esta tem com irmão entrega cenas com um humor bem leve e inocente, mesmo ela sendo muito mais que uma criança (como o líder de um dos povos revoltados teima em chamar-lhe).

 

 

Para além da habitual história de super-heróis e num momento cada vez mais conturbado, este filme transmite uma grande mensagem, tanto no que se refere ao racismo e extremismo (havendo, mais para o final do filme, uma cena onde o vilão pretende usar as armas do povo de Wakanda para iniciar uma rebelião contra os “brancos” ou quando esta mesma personagem, que acaba por morrer às mãos do Black Panther, não quer ser ajudado e prefere ser lançado ao mar tal como os seus “irmãos” que saltaram dos navios de negreiros para fugir da escravatura. O conflito destas duas personagens pode ser comparado aquele, que na década de 60, dividiu a sociedade norte-americana entre os ensinamentos de Martin Luther King e Malcolm X) como ao empoderamento feminino (as quatro personagens femininas – Nakia, Okoye, a mãe de T’Challa e Suri – não têm medo de ninguém e recusam-se a ceder perante os caprichos de qualquer homem, mesmo do herói desta história).

 

 

Mas não é só sobre racismo ou “girl power” que esta história fala. Numa das primeiras cenas deste filme temos Nakia (a oscarizada Lupita Nyongo), um Cão de Guerra (espiã de Wakanda) e interesse romântico de T’Challa, a ajudar os refugiados e a exigir que o príncipe utilize o poder que tem para ajudar aqueles que mais precisam (contrariando o que o anterior rei fazia, já que este defendia que só deveriam entrar em guerra quando é estritamente necessário e que ninguém no mundo exterior poderia conhecer as riquezas que Wakanda guarda, algo que o seu filho “quebra” quando leva até ao reino o agente da CIA Everett K. Ross).

 

 

A actualidade dos temas continua na última cena, já depois dos créditos terem passado, quando uma comitiva de Wakanda fala perante a Assembleia Geral da ONU e oferece os seus préstimos aos restantes povos do mundo. Esta oferta de “cooperação” deixa chocados alguns delegados que não compreendem o que um simples país de pastores africanos lhes pode oferecer (podemos fazer uma comparação com a expressão “nações de merda” utilizada por Donald Trump).

 

“Black Phanter” estreia nos cinemas portugueses no dia 15 de Fevereiro.

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Notícia publicada a 14/02/2018


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