Num sábado frio, 5 de Janeiro, o Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém foi invadido pelo calor da música da jovem Maro e do público que esgotou a sala lisboeta.

 

Numa noite fria, foi no foyer do Pequeno Auditório, que momentos antes do concerto, o ambiente começou a aquecer com o aglomerar de familiares, amigos, fãs e simples admiradores. Rapidamente a sala encheu e as luzes se apagaram, apenas um foco para o piano no qual Maro iniciou o espectáculo.

‘Mariana’ foi o tema que abriu o espectáculo e que prendeu, desde logo, a atenção na voz aveludada que apesar de tenra idade denota vida intensa e sabedoria.

Neste espectáculo, tal como ocorrerá em toda The Jukebox Tour, são os seguidores e fãs quem escolhe os temas para o concerto. É um desafio interessante e que coloca o público logo a participar no espectáculo e que ao mesmo tempo cria desafios a Mariana Secca, nome de nascimento da artista Maro. O concerto contou com um alinhamento que integrou temas dos seus mais recentes projectos “Maro, Vol.1”, “Maro, Vol. 2” e “Maro, Vol. 3”, “Maro & Manel” e “it’s OK”.

O que começou a decorrer de seguida foi, provavelmente, dos momentos mais naturais e bonitos que um espectáculo pode oferecer ao público: emoções e verdade. Maro saiu do piano e sentou-se com a sua guitarra, ficando a seu lado Manuel Rocha, também, com a guitarra. E os dois, como amigos em serão familiar, fizeram os icebergs que seriam os corpos vindos do exterior do CCB derreterem e elevarem-se a um mundo em que a palavra ditou leis, suportada nas directrizes de notas e arranjos simples.

Este disco, Maro & Manel, conta com temas de ternura e vivências que facilmente poderão ser comuns a qualquer mortal. ‘Amiga’, Irmão’, ‘Caracol’, ‘Sonho’ e ‘Barco’ foram os temas deste disco que o público levou ao CCB. Maro destacou o facto de, neste disco, ter sido a primeira vez que Manuel Rocha cantou e que o facto de ele estar ali a partilhar palco consigo a deixava muito feliz. E feliz ia ficando cada vez mais quem os ouvia, destacando-se os pequenos gestos que davam conta da cumplicidade de ambos. Em noite de véspera de Dia de Reis, as suas vozes foram guias celestiais para a alma, fazendo o caminho da paz. A restante banda de Maro juntou-se aos dois músicos, posteriormente.

O segundo disco de Maro, ‘It’s Ok”, que sucedeu ao primeiro disco que incluiu “Maro, Vol.1”, “Maro, Vol. 2” e “Maro, Vol. 3”, esteve no CCB com alguns temas e que acabou por fechar a primeira parte. Deste disco destaca-se o facto de ser composto em inglês, e também por isso, podermos afirmar que a música que Maro cria é do mundo e reflecte a sua experiência, com claro destaque para o tempo em que estudou em Boston.

Após um pequeno intervalo, 15 minutos aproximadamente, houve um pequeno desfile, um a um, dos elementos da sua banda que ao entrarem em palco vestiam uma camisa, pendurada num charriot desde o inicio do espectáculo. Devidamente vestidos, e já sem as duas cadeiras em palco e com Manuel a juntar-se à restante banda, Maro assumiu a frente e levou a cabo um espectáculo mais ritmado, bem doseado com temas mais calmos, e com as palavras certas, por serem genuínas, com o público.

E se ‘Maro’ transmite festa, ‘Páro quando ouço o teu nome’ é de uma doçura viciante e escrito com o coração, arriscando-se a ser a banda sonora de muita gente. ‘P’ra onde vai o tempo’ era o que todo o público nem questionava. O relógio tinha parado desde o momento em que Maro subiu a palco e assim podia continuar. ‘It Will Get Better’ foi dedicada à mãe e a toda a sua família pela importância e suporte que deram, permitindo a Maro partilhar a sua arte com o público.

O público demonstrava estar já apto a cantar, algo que foi fazendo o longo do espectáculo, e ainda teve mais oportunidades para isso e para aquecer as mãos ao compasso das palmas pedidas por Maro. O encore era quase uma obrigatoriedade após o soberbo espectáculo que ali estava a acontecer.

No encore momento familiar entre Maro e a sua irmã Matilde em ‘Fliyng to L.A’, seguindo-se ‘O que será de ti’ e rematando a apoteótica noite com ‘Não faz sentido’.

Mas tudo neste espectáculo fez sentido. E se tantas vezes achamos que a internet é um mundo de problemas, pode ser também a descoberta de talentos raros como Maro. Sobre esta noite no CCB há a destacar que Maro contou com Manuel Rocha nas guitarras e voz; Tommaso Taddonio no piano, teclado, percussão e voz; Michael Decena no baixo elétrico e voz; Carlos Miguel Antunes na bateria e voz e ainda com a irmã Matilde Secca na percussão e voz.

Por último, mas de total justiça, destacar o trabalho de Luís Santos nas luzes e de Miguel Nunes no som. O desenho de luz foi grandioso na sua simplicidade e criou, sempre, os ambientes perfeitos para as mensagens das músicas de Maro, que contaram com uma qualidade de som também meritória.

O público de Lisboa pode ver Maro já no próximo dia 12 de Janeiro, no Cinema São Jorge, aquando do Festival Termómetro.

 

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