Matilde Cid acaba de lançar o seu primeiro disco, ‘Puro’, que contempla 11 faixas e tem produção assinada por Diogo Clemente.

Não é surpreendente e nem tão pouco arrebatador, embora o trabalho contemple qualidade na interpretação de Matilde Cid e nos músicos que a acompanharam neste disco (Diogo Clemente, Luís Guerreiro, Francisco Gaspar, Rogério Ferreira, Bruno Chaveiro, Pedro Viana, Pedro Santos e Bernardo Viana).

Durante muito tempo, Matilde Cid afirmou-se como defensora da pureza do Fado, ou se preferirmos, da raiz do fado. E talvez neste disco não se escrutine essa pureza, tão defendida.

É um disco à imagem do seu produtor, muito na linha de outros álbuns produzidos, e que tem extraordinários arranjos. Extraordinários porque são verdadeiramente bem feitos, embora não nos leve para a pureza do Fado.

0 disco abre com um apaixonado ‘Foi Assim’ (letra de Diogo Clemente e música de Valter Rolo e Diogo Clemente) que nos puxa o pé para a dança com a cara metade, seguindo-se a marcha de Raul Pinto na qual é interpretado ‘Olhar Puro’ com letra de Matilde Cid, com uma das letras menos conseguidas deste disco.

O disco, que, conta com letras de elevadíssima qualidade, como ‘Nosso Fado’ (Maria Teresa de Noronha, com música de Jaime Santos) ou ‘Não digas sorte diz adeus’ (João Dias, com música de Joaquim Campos), às quais Matilde conseguiu dar um cunho interpretativo pessoal e valioso. Os restantes temas acabam por ter alguma coerência na sua escolha (atendendo ao percurso), mas sem grandes destaques.

Talvez por conhecer e valorizar a resiliência de Matilde Cid esperasse um disco mais simples no conceito e exuberante na execução. Espero que ao vivo o disco possa ser potenciado para um outro patamar.

Este disco, em termos de conceito, é muito semelhante a outros do mesmo género musical e peca exactamente por pouco trazer de novo.

Destaque ainda para a imagem do disco que, também, não transmite a sensação de ‘Puro’. Matilde tem tudo para se afirmar no Fado, mesmo com um disco que fica aquém das expectativas.

 

Gravado nos estúdios Tejo Music Lab, mistura a cargo de Diogo Clemente e Bruno Plantier, masterização de Bruno Plantier, fotografias de Luís Carvalhal, que assina também o design gráfico.

 

Um disco com edição Museu do Fado-Discos

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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