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O ciclo Há Fado no Cais, edição 2017, teve ontem o seu inicio com o espectáculo “Os Mestres” que levou ao Grande Auditório do Centro Cultural de Belém alguns dos maiores nomes de sempre do fado:  Nuno de Aguiar, Maria Armanda, Artur Batalha, Maria da Nazaré, António Rocha, Cidália Moreira, Filipe Duarte e Maria Amélia Proença.

 

 

Este espectáculo proporcionou uma viagem pela história do fado. Ouvimos temas de sempre e para sempre, com interpretações únicas, de artistas que são referências da canção nacional.

 

 

Com direcção musical e artística de Diogo Clemente, o espectáculo de ontem levou até ao CCB a cenografia e ambiente de uma casa de fados. Duas mesas (uma em cada lado do palco) com quatro cadeiras cada, onde todos os interpretes se sentavam, levantando-se à vez para cantarem dois fado cada.

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Ângelo Freire na guitarra portuguesa, Diogo Clemente na viola de fado e Marino de Freitas no baixo, deram os primeiros acordes que antecederam a entrada dos interpretes em palco. A destacar estes três músicos de excelência pelo suporte que deram aos fadistas ao longo de todo o espectáculo.

 

 

Nuno de Aguiar abriu as actuações no que aos Mestres diz respeito com “Motivo para a Saudade” com letra de Paco Bandeira e “Jardim do Coração”, ambos com música de Nuno de Aguiar. Elegância na interpretação e sabedoria nas palavras dirigidas ao público. Maria Armanda cantou e encantou com “Confesso” e “Os Loucos”, este último com letra de Mário Rainho e música de Fontes Rocha.

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Um dos príncipes do Fado, Artur Batalha, teve provavelmente uma das frases mais bonitas da noite, “o mais cachet da minha vida é o vosso carinho e o vosso amor”. Interpretou o fado Proença e ainda “Promete Jura”. Maria da Nazaré mostrou a doçura habitual no olhar e no sorriso, contrastando com uma voz poderosa no Fado Cravo e em “Tu não me digas”.

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António Rocha apresentou no palco do Centro Cultural de Belém dois temas com letra sua e música de Alfredo Marceneiro e Fontes Rocha, “Lisboa Cidade Fado” e “Foste uma Ilusão”, respectivamente. A sua capacidade interpretativa, poder vocal e timbre são absolutamente arrebatadores. Cidália Moreira continua um furacão em palco e com uma interacção com o público peculiar. “Ternura dos 40” e “O mais bonito amor” no fado Suplica levaram o público ao rubro.

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Filipe Duarte apresentou-se no Centro Cultural de Belém com dois poemas na melodia do Fado das Horas e  do Fado Marialva. Maria Amélia Proença fechou o que pode ser considerada a primeira parte do espectáculo com “Sabe-se Lá” e “É Mentira”.

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O espectáculo decorria a bom ritmo e o público reagia a cada interpretação com sentidos aplausos e alguns “Vivas”, “Lindo” ou “Ah Fadista”. A juntar ao trio musical tradicional de fado, juntaram-se mais quatro violinos e o espectáculo continuou com a mesma dinâmica com cada fadista cantando à vez, mas agora apenas um tema.

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Artur Batalha com “Leio em teus olhos”, Maria Armanda com “Lençóis de Lua”, Nuno de Aguiar com “Lembras-te mãe”, “Maria da Nazaré com “Noite Serrada” (interpretação arrepiante), António Rocha com “Procura Vã”, Cidália Moreira com “Primeiro Amor”, Filipe Duarte com “História de uma chinela”, “Maria Amélia Proença com “Voltaste” levaram o público ao rubro com prolongados aplausos no agradecimento de todos os músicos.

 

 

Mas ainda havia uma boa desgarrada cantada por todos, para terminar um espectáculo grandioso que fez da simplicidade a sua maior virtude. Diogo Clemente conseguiu ciar um espectáculo que mais do homenagear o passado, serve para memoria futura. Porque só respeitando o passado, a tradição conseguirá perpetuar-se no futuro!

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Além da cenografia, nota de destaque ainda para a iluminação a cargo de António Martins (sim, mais uma vez ele), pela grandiosidade e intensidade com que elevou cada actuação através do jogo de luzes executado.

 

 

O ciclo Há Fado no Cais, parceria entre o Centro Cultural de Belém e o Museu do Fado, abriu 2017 com chave de ouro. O Fado merece e quem ama o fado e esteve no CCB ficou com uma noite intensa e bonita na sua memória!

 

 

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