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O Teatro Maria Vitória no meio das suas dificuldades financeiras volta a ter o glamour de outrora com “Parque à Vista”, a nova revista à portuguesa que conta com um elenco liderado por Paulo Vasco, Adelaide Ferreira e Flávio Gil. Contudo a revelação e um dos maiores interesses deste espectáculo chama-se Diogo Martins. Um espanto de actor, absolutamente brilhante nesta revista.

 

 

A produção da revista é de Hélder Freire da Costa, textos de Flávio Gil, Miguel Dias e Renato Pino, música de Eugénio Pepe e Miguel Dias, direcção vocal de Miguel Dias, orquestrações e direcção musical de CAMI, Cleo Malulo é a coreógrafa, estando a cenografia a cargo de Eduardo Cruzeiro, Mestre Luis Furtado, João Barros, Trepa Rita Pereira e Avelino do Carmo, guarda-roupa da empresa Ana Marques e Sónia Pires e o grupo de dança é “My Dancers”.

 

A persistência e capacidade de luta de Hélder Freire da Costa continua a dar frutos. Frutos esses nem sempre bem divulgados ou com o reconhecimento do mérito que a qualidade apresentada requeriam. Mas tudo parece mudar com esta nova revista à portuguesa, “Parque à Vista”.

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Com um renovado elenco, Hélder Freire da Costa apostou também numa renovação da restante equipa responsável pelos textos.

 

Os actores surgem nesta revista com grande qualidade, embora tenhamos que fazer alguns destaques. Diogo Martins marca a diferença pela positiva. Com muitos e bons momentos nesteespectáculo, demonstra versatilidade, um incrível extraordinário de memória (os textos não são fáceis) e a verdadeira arte da representação. Para tão tenra idade, apresenta um notável carisma. Pedro Silva tem uma bonita presença em palco. Nota-se trabalho do encenador na sua representação. Encenador que é também actor e apresenta-se desenvolto e com a qualidade por muitos (cada vez mais reconhecida). Falamos de Flávio Gil. Entre os muitos momentos em que se apresenta em palco destacamos um: o momento em que canta o fado. Inteligentíssimo no uso da voz, não faz malabarismos nem magia, mas é de uma entrega e alma empregues absolutamente arrebatadoras. Paulo Vasco é primeira figura no Teatro Maria Vitória há muitos anos e percebe-se porquê. A experiência e o saber como agarrar o público mesmo em números menos conseguidos dão-lhe a segurança para brilhar. O seu número do velhinho é absolutamente magistral. Adelaide Ferreira brilha em dois temas com letra de Flávio Gil. Dona de uma voz poderosa deverá contudo ter algum cuidado no modo com ataca as notas. Do elenco ainda prestações meritórias de Filipa Godinho, Maria Giestas e Patrícia Teixeira.

 

 

Os textos assinados por Flávio Gil, Renato Pino e Miguel Dias são elegantes, cuidados, inteligentes e fogem do brejeiro. Mantendo a tradição, revelam modernidade muito bem “escondida” em pequeníssimos pormenores em que é necessária redobrada atenção para os vislumbrarmos. Todos eles jovens, revelam um talento e sensibilidade impares no uso da “caneta”. Talento e qualidade também na parte musical assinada por Eugénio Pepe e Miguel Dias. Quem for ao Maria Vitória sairá de lá a cantar. Todas as musicas ficam no ouvido e puxam pelos aplausos.

 

Os figurinos e cenografia são também eles adequados ao que em palco nos é apresentado pelos actores. Ainda a destacar o trabalho de Cleo Malulo, a corógrafa. O corpo de bailarinos apresenta coreografias de grande qualidade, apenas machados por alguns momentos em que não se nota uma boa coordenação entre todos os intervenientes.

 

 

Hélder Freire da Costa tem tudo mas mesmo tudo para obter um estrondoso sucesso com esta revista que tem muito de Flávio Gil que assina co-autoria dos textos, encenação e ainda representa.

 

Que o público reconheça este bonito e agradável espectáculo e que esgote a sala da Catedral do Teatro de Revista.

 

Fotografias: Carlos Scarllaty

 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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