O Teatro Ibérico recebeu este domingo, 28 de Abril, a fadista nortenha Patrícia Costa.

A fadista natural de Vila Nova de Famalicão veio a Lisboa apresentar o seu EP homónimo, sem esquecer a sua anterior discografia, além de temas que nunca gravou mas que integram o seu percurso e que poderão integrar futuros trabalhos discográficos.

Num espectáculo correcto, linear e no qual a fadista demonstrou as suas qualidades, destaca-se a elegância na conversação com o público e o cuidado em explicar cada tema, a sua história e os autores e compositores. No canto esteve segura, excepto algum nervosismo pontual, marcando a sua actuação por uma boa dicção, constante afinação e inteligente postura perante o pouco público que marcou presença na sala lisboeta.

Patrícia Costa tem feito um percurso valoroso e qualitativo mas ainda não alcançando o reconhecimento que, talvez, lhe seja devido. Tem o Porto na voz e na Alma, mas em Lisboa montou uma verdadeira Nortada (sinal de força) em termos de classe, num alinhamento no qual percorreu o Fado tradicional, o folclore, a música tradicional e ainda a canção.

Mas foi Fadista em todas as interpretações, dando vida às palavras dos poetas e sabendo aproveitar os extraordinários músicos que a acompanharam. Abriu com ‘ O Meu Fado é o Meu Povo’ e ‘Cristal’, no Fado Menor do Porto e Pedro Rodrigues, respectivamente, seguindo-se o Fado da Horas recordando Linhares Barbosa.

Seguiram-se alguns fados dedicados ao Porto como ‘Balada de Lisboa’ ou ‘Fado da Cantareira’, antes de interpretar os temas que integram o mais recente trabalho, o EP homónimo.

‘Novo Fado de Viana’, um tema ainda não gravado e da autoria de Manuel Alberto Valente e Pedro Fernandes Martins, tem tudo para ser um dos temas a ‘rodar’ nas rádios em breve. É orelhudo e a interpretação de Patrícia Costa tem raça, força e uma incrível simplicidade que arrebata quem ouve.

Deste espectáculo destacar os nomes de Joaquim Pimentel e Pedro Fernandes Martins, que tiveram várias obras da sua autoria ali apresentadas e todas elas de qualidade indiscutível.

Culminou em festa e deixando a certeza de que o seu talento merecerá maior reconhecimento e projecção.

Em palco esteve acompanhada por Pedro Fernandes Martins (guitarra portuguesa), João Moutinho (viola de fado) e Luís Lumini (baixo). Contou ainda com Graciano Caldeira, na braguinha, no tema ‘Saudade’ e Edu Mundo, na viola eléctrica, no tema ‘Fado Mudo’.

 

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: Arlindo Homem

 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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