Paulo de Carvalho revela “dívida” para com os portugueses!

paulo de carvalho

 

A comemorar 55 anos de carreira e depois de muitos discos editados, Paulo de Carvalho apresenta “Intemporal- Duetos” que tem data de lançamento a 19 de Maio. Um disco de celebração e não saudosista.

 

 

Neste trabalho, o músico canta os seus maiores sucessos, como “E Depois do Adeus” ou “Nini Dos Meus Quinze Anos”, ao lado de um variado número de músicos dos mais diferentes géneros e gerações, como é o caso do fadista Carlos do Carmo (o músico é o autor de “Lisboa Menina e Moça”) e de Agir, que para além de cantar é o produtor desta obra.

 

 

A ideia é do Agir. Ele é o produtor do disco e ele é que escolheu não só as músicas como as pessoas. O que me tirou de cima um peso enorme porque as músicas não são difíceis de escolher. A maior parte das músicas que ai estão pertencem a uma memória colectiva. Os indivíduos que cantam comigo é que era mais complicado pois estão ai só alguns“, conta o músico.

 

 

Com o que sabe da música que faz, ele sabe quem faz sentido para cantar uma música ou cantar outra. Resultou muito bem. Eu pessoalmente estou muito satisfeito com o disco. Gosto muito deste disco. Gosto muito de como foi feito, deu um trabalho enorme para o resultado final deste disco. Deu um trabalho enorme gravar em vários estúdios. Tivemos que arranjar um horário próprio para cada um deles. Isto em termos de agenda foi complicado“, conta Paulo de Carvalho sobre o trabalho de gravação deste novo disco que foi produzido por Agir, que também canta um dos temas do disco com o pai.

 

 

Em “Duetos”, Paulo de Carvalho realizou parcerias inéditas e outras repetidas com mais de 40 artistas e instrumentistas. 

 

 

A ideia do meu filho neste disco permitiu-me conhecer pessoalmente estes músicos mais novos. Pude cantar e estar com eles. Gente de uma geração mais nova. O que é bom. O que me demonstrou o respeito que eles têm por mim. O que é bom“, diz o músico que neste álbum canta com uma geração mais nova e a quem muito elogia.

Ainda bem que aqui estão, por um lado, quer dizer que eles fazem bem a outra parte do trabalho deles porque a primeira parte é cantar bem. A segunda é tratar da carreira deles. E essa também está a ser conseguida e ainda bem que está mas tem muito a ver com isso. Como é que estas gerações novas aprenderam mais que nós. Se só tivéssemos este tipo de músicas com estes cantores. Há muita gente a cantar maravilhosamente em Portugal. Continuo a dizer que o problema de muita desta gente mais nova é o mesmo que nós tivemos na minha geração, que é a oportunidade de dar a conhecer o que fazemos. Muitas vezes não é conseguido e fica música muito boa pelo caminho“, diz o músico sobre esta nova geração de cantores.

 

 

No “Just Duet”, da SIC, Paulo de Carvalho e o restante júri ajuda aspirantes a cantores. Jovens que pedem apenas uma oportunidade para poderem cantar com os seus ídolos e demonstrarem todo o seu talento.

 

 

“É a primeira vez que estou a participar num programa destes. É um programa que eu pensei duas vezes porque esta coisa de a gente julgar  os outros quando estão a cantar pode-se tornar numa coisa muito injusta e não é bem o meu género mas depois percebi que o que está aqui em causa é nós podermos também perder. Não julgamos e vamos para casa. Estamos ali para escolher uma pessoa para cantar connosco e no dia que isso acontecer, que forçosamente será na final. Isso agrada-me porque não estou ali só a julgar“, conta Paulo de Carvalho que ao lado de Agir, Héber Marques e Gisela João compõe o júri do programa das noites de domingo da SIC.

 

 

Neste disco de ” Duetos”, Paulo de Carvalho repete parcerias com Carlos do Carmo, Camané, José Cid, Rui Veloso, com o músico brasileiro Ivan Lins ou com Tozé Brito, mas também há duetos inéditos com Diogo Piçarra, Raquel Tavares, Miguel Araújo, António Zambujo e com o angolano Matias Damásio. Há ainda duetos com Mafalda Sacchetti e Agir, dois dos filhos de Paulo de Carvalho.

 

 

É dar e receber. Eu tenho muita prática em cantar em grupo. Não necessariamente em dueto mas às vezes até em trio ou em quarteto. Toquei em vários conjuntos quando comecei. Não era a voz principal, portanto, há que saber o que se está a fazer e, depois, em dueto é quase a mesma coisa. Nós temos que perceber quem está a cantar connosco, tentarmos que as nossas vozes joguem uma com a outra e fundamentalmente pormos o ego de parte”, explica Paulo de Carvalho sobre como é cantar em dueto com alguém.

 

 

Do novo álbum fazem parte músicas como, “Flor sem tempo”, “E depois do adeus”, “O homem das castanhas”, “Lisboa, menina e moça”, “Os meninos do Huambo” e “Nini dos meus quinze anos”, canções que foram escritas ou interpretadas ao longo dos 55 anos de carreira de Paulo de Carvalho. Neste novo disco o músico e os seus convidados vão entoar as canções que ficaram na memória dos portugueses.

 

 

Será sinal que este foi um sucesso e depois que o sucesso se transformou num sucesso de vendas, o que permite economicamente fazer outro. Isto custa dinheiro“, diz Paulo de Carvalho sobre a possibilidade de realizar um segundo disco.

 

 

Paulo de Carvalho reúne “muitos anos de cantigas” neste novo álbum de duetos, que será editado na semana que comemora 70 primaveras, e que pretende chegar aos corações de todas as gerações.

 

 

“É natural que sim, que gostem de me ouvir. Os mais velhos passam aos mais novos e os mais novos foram ouvindo as músicas lá em casa. São muitas músicas. Em cada década há 2 ou 3 músicas que são conhecidas por muita gente. É a minha divida. Este disco tem um pouco a ver com a minha divida para com milhares de pessoas“, conta o músico que reúne consenso entre o público dos 8 aos 80 anos.

 

 

Paulo de Carvalho considera este novo disco uma “divida” que tem para com o seu público que o segue desde 1970.

 

 

Paulo de Carvalho começou a tocar em bandas mas foi em 1970, quando foi convidado por  Pedro Osório e Carlos Portugal, para tocar “Corre Nina”. Em 1971 ficou em 1971 fica em segundo lugar no Festival RTP da Canção com “Flor Sem Tempo”, da autoria de José Calvário. 

 

 

Nós levamos sempre aquela esperança de que este ano é que é!”. Uma pressão que se concretizou na vitória de Salvador Sobral no Festival da Eurovisão.

 

 

O assunto Eurovisão não é novo para Paulo de Carvalho. O músico actuou por várias vezes no Festival da Canção, tendo ganho por duas vezes. É o intérprete da mítica canção “E depois do adeus”, o tema com o qual ganhou o festival da canção em 1974 e que serviu de senha para a revolução de 25 de Abril de 1974. O músico coloca esta música, que 43 anos depois continua a ser relembrada e representa o “despertar” da democracia, como um dos momentos mais marcantes da sua carreira.

 

 

Paulo de Carvalho tem mais de duas dezenas de álbuns publicados e é autor de cerca de 300 canções, muitas das quais interpretadas por outros artistas, como é o caso de Carlos do Carmo. “Lisboa Menina e Moça” é da autoria do fundador dos Sheiks.

 

 

Tudo. Andar pela rua a ver as pessoas. Nós vivemos aqui. Se amanhã me aparecer uma pessoa a descer a rua e se eu lembrar-me pode ser um bom tema para uma cantiga. Tudo me inspira”, diz o cantor que acredita que a cantiga é uma arma e que deve alertar as pessoas para aquilo que as rodeia.

 

 

Haverá se nós conseguirmos realizar isso mais para lá um pouco mas a apresentação do disco num local público com todos. A nossa vontade é que fossem todos“, diz Paulo de Carvalho que pretende apresentar o disco com todos os envolvidos num concerto a ser realizado em um espaço a céu aberta na cidade de Lisboa. Para isto basta conseguir agendar as agendas de todos os envolvidos na produção de “Duetos”.

 

 

Continuo a dizer que foi tudo muito bom o que me aconteceu, para eu agora fazer contas em relação ao que ainda vou fazer. Não fico agarrado ao passado. Só tenho saudades é do futuro, do passado não tenho“, disse o músico que fora dos palcos se considera um homem simples que gosta de levar os filhos mais novos à escola e que adora a cidade de Lisboa, local que o viu nascer a 15 de Maio de 1947.

 

 

O primeiro exemplar do disco “Duetos”, que será lançado a 19 de Maio, foi entregue ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, algo que ocorreu hoje em Belém.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.