Paulo Pessoa de Carvalho: “Estar 2020 sem corridas de touros, com muito ou pouco público, é uma catástrofe” (C/Vídeo)

 

A APET (Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos) foi recebida, no passado sábado, pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

O presidente da APET, Paulo Pessoa de Carvalho, concedeu, na noite desta segunda-feira, uma entrevista ao Infocul, na qual abordou a actualidade do sector empresarial tauromáquico.

Sobre a audiência, disse-nos que foi “simpática, num tom informal, num ambiente em que o senhor presidente consegue com que as pessoas se sintam à vontade. Correu muito bem”.

Deixou o desejo de que “esta reunião servisse de exemplo para os restantes órgãos de soberania”, até porque Marcelo Rebelo de Sousa “demonstrou preocupação em saber dificuldades do sector, que ele desconhecia”.

Paulo Pessoa de Carvalho destacou que “fiquei muito contente. Mas eu não teria que ficar muito contente, porque isto é o decorrer normal de uma actividade, em que as pessoas com responsabilidades na nação se preocupam em saber as dificuldades que os sectores de actividade económica estão a viver”.

O empresário referiu ainda que “portanto num contexto normal e se a tauromaquia tivesse sido reconhecida e querida dos políticos…eu acho que a tauromaquia às vezes mete mete aos políticos por ser um tema sensível e quente na defesa dos prós e contras”.

A audiência com Marcelo Rebelo de Sousa, “poderá ser o início de uma série de oportunidades e diligências para a tauromaquia poder falar com órgãos de poder”. Já sobre o facto de esta reunião não ter constado da agenda pública do chefe de estado, Paulo Pessoa de Carvalho revela que “não me sinto nada minorizado ou inferiorizado com essa situação. Entendo-a. Mas se me perguntar se eu gostaria que fosse pública, sim gostaria”.

Sobre a polémica de as corridas de touros poderem ser realizada à porta-fechada, explicou que “nunca a APET foi tida ou achada nesta matéria. Naturalmente, a APET tem aqui uma primeira vontade ou obrigatoriedade neste projecto: Ele tem de ser sustentável. (…) Estamos a tentar arranjar a fórmula de modo a que todos os intervenientes ganhem aquilo que for possível. Naturalmente que não será uma corrida na Praça do Campo Pequeno ou Santarém, com praça esgotada e muitos bilhetes vendidos, porque isso é impossível”.

Por isso, revelou que está a ser trabalhado um “modelo alternativo para ser apresentados aos nossos parceiros, que seja viável”, estando a APET a “diligenciar em várias frentes para apresentar isso”.

Este trabalho está a ser desenvolvido por um grupo “composto por mim, pelo Rui Gato Rodrigues, o Ricardo Levesinho e o José Luís Gomes”.

O facto de as praças de touros não estarem incluídas nos recintos que a partir de dia 1 de Junho voltarão a ter actividade, com limitação de lugares, foi também abordado nesta entrevista.

As praças de touros são recintos que têm todas as condições para receber espectáculos, obviamente que com as regras definidas pela Direcção-Geral de Saúde”, revela Paulo Pessoa de Carvalho.

Contudo, assume que, em termos políticos, “a tauromaquia não é uma prioridade. Não está na agenda dos partidos, do governo, é um assunto relegado. “Deus queira que não falem muito, para não nos lembrarmos deles”, é um bocadinho a sensação que eu, às vezes, tenho”.

Regressando às transmissões das corridas de touros, assume que “a situação de corridas transmitidas por um canal por cabo ou até mesmo em streaming, em que possa gerar receitas, para nós é importante”. Nesta altura há “necessidade de criar dinâmicas diferentes. Estar 2020 sem corridas de touros, com muito ou pouco público, é uma catástrofe”.

Portanto, “se encontrarmos uma modelo de negócio viável, o que iremos fazer é propor aos outros sectores: ganadeiros, toureiros e forcados”, acrescentando que “o regresso das corridas de touros, para nós, era algo que deveria ser imediato”.

Paulo Pessoa de Carvalho anunciou nesta entrevista que “estamos a desenvolver contactos com a Direcção-Geral de Saúde. Queremos ser pró-activos nesta matéria, queremos que seja defenido um plano de contigência,, adequado aquilo que é uma praça de touros. Nesse sentido, solicitámos reuniões à Direcção-Geral de Saúde, para nos disponibilizarmos para tudo aquilo que seja necessário”.

Defende que “não há mais contacto numa corrida de touros, do que há no futebol”, de que “as praças de touros são dos melhores recintos para voltar a ter espectadores”, mas que neste momento “ainda não há resposta para essa reunião. Fiz o pedido para essa reunião na semana passada, quarta-feira, nao tive resposta até hoje. Hoje, voltei a reencaminhar. Não temos resposta, ainda”, referindo-se à DGS.

E quando regressarem as corridas de touros, como irá gerir uma imprensa do sector em termos de acreditação? “Não pensei onde sentarei a imprensa. Estamos preocupados com todas as pessoas que são essenciais ao espectáculo”, explicou, não retirando a importância à imprensa.

Sobre algumas críticas que tem sofrido por parte de alguma imprensa, explica que “acho que as pessoas gostam de se sentir privilegiadas, com notícias em primeira mão, exclusivo, e quano de repente percebem que são tratados todos por igual, ficam ofendidos. É uma questão cultural e de educação”.

Na tauromaquia, revela que “o patrocínio é um caminho que está a ser trabalhado”, referindo-se a apoios que grandes marcas poderão fazer no sector, como acontece na música e outras áreas culturais. E que esta altura é o momento de “dar um passo em frente”, embora assuma que “não tivemos reuniões com outros empresários, sejam o turismo seja da cultura. É uma falha e assumo”.

Em termos políticos, revelou que tem estado em contacto com os vários partidos presentes na assembleia da República.

Reunimos com o grupo o PS, foi o primeiro que nos recebeu, e acho que correu bem. Vieram a público umas notícias que não entendo muito bem, mas deve ter sido alguma criatividade a funcionar. Tivemos uma reunião com o grupo parlamentar do CDS, que correu muito bem. Temos um agendamento com Os Verdes, para quinta-feira. O PCP ficou esta semana de nos confirmar. PSD e Bloco de Esquerda já nos responderam”, começou por explicar.

Não houve qualquer partidarização a tauromaquia”, acrescentou. Ainda sobre os partidos, disse que “com a Iniciativa Liberal já houve pedido de reunião, mas ainda não temos resposta. A Iniciativa Liberal tem uma postura liberal, espero que nos recebam. Gostava de os perceber. Nunca teve nenhuma manifestação nem contra nem a favor. É uma das conversas que estamos curiosos em ter. Com o Livre, eu não sei se devemos dirigir-nos ao partido ou à deputada. Ainda não conseguimos reunir”.

Sobre o sector tauromáquico, em constante desavença, disse que “eu não o que é que consegue unir este sector. Este é um momento para nos unirmos, mas as pessoas são diferentes e continuam apenas e só a olhar para o seu umbigo”, antes de revelar que “a imprensa taurina cá é feita por muitos curiosos, que não vivem disto e têm outra actividade”, quando questionado sobre o porquê de a imprensa taurina não ser tida em conta, como aconteceu por exemplo em Espanha, na questão tauromáquica.

A entrevista na íntegra pode ser vista e ouvida no link abaixo:

 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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