Pedro Chagas Freitas: “As emoções são a melhor parte da vida. Somos o que sentimos. O resto é paisagem.”

O Amor não cresce nas árvores” é o mais recente livro de Pedro Chagas Freitas. Um livro com forte componente interactiva, contando inclusive com app, e no qual o autor junta vários géneros literários. Uma obra que está a apaixonar, ainda mais, os seus milhares de seguidores.

Sobre o seu percurso já tudo se sabe e preparar uma entrevista com um dos escritores mais lidos da actualidade é tarefa complicada. Contudo, acabamos por abordar o processo criativo do livro, as ideias que baseiam a escrita de Pedro Chagas Freitas e ainda o que lhe dá gozo fazer, além da escrita.

O Amor não cresce nas árvores” é o seu mais recente livro. Como se constrói um amor tão forte quanto as árvores?

Dá um trabalho danado. Mas vale a pena. O segredo é sentir, todos os dias, como é que todos os dias valem a pena ao lado de quem se ama. E adaptação. Muita adaptação. Cada momento novo exige algo de novo de nós. É bom que o saibamos ir buscar.

Benjamim foi o motivo que o despertou para a escrita deste livro?

Benjamim, o meu filho de nove meses, é o motivo para quase tudo na minha vida nos dias de hoje. (risos) Este livro foi escrito com ele ao lado, a respeitar o meu tempo de escrita como gente grande. (risos) Só tenho é de agradecer a compreensão.

Junta vários géneros numa única obra, cinco. Todas elas têm o amor como fio condutor. Os personagens deste livro são pessoas reais ou são do imaginário do autor?

São ficcionais. Só escrevo ficção. Mas é óbvio que tudo o que fazemos, quando escrevemos, é reinventar aquilo que somos e que vimos e que lemos e que pensamos. As personagens e as histórias são só para fazer de conta que não. (risos)

Uma das grandes novidades deste livro é a componente interactiva e ainda os milhões de possibilidades de leitura e entendimento que o livro permite. Como criou toda esta ideia?

Sempre entendi que cada livro tem múltiplas cores em si. Resolvi, desta feita, levar isso até à demência, trazendo a cada cor uma história diferente e fazendo com que todas as histórias se ligassem entre si numa narrativa só. Foi um desafio tremendo. Mas deu um gozo ainda maior.

Ler este livro pode ser considerado um jogo?

Dependerá do que cada leitor decidir fazer. Se for lido do começo até ao fim, como se fosse um livro “normal”, não é um jogo. Mas se for lido com a condução do dado, é de facto um jogo, com milhões de possibilidades. São, nesse caso, milhões de possibilidades numa só.

Acha que esta ideia pode ajudar os ‘preguiçosos’ a voltar a pegar em livros e cultivarem o gosto da leitura?

Porque não? Todos os motivos são bons para ler.

Trabalha quantas horas por dia?

Nos dias de hoje, trabalho 20 horas por dia, ou mais, para o meu Benjamim. (risos) Mas habitualmente escrevo duas ou três horas por dia, dependendo do que cada dia me trouxer fora da escrita.

Há um Pedro Chagas Freitas enquanto escritor e outro enquanto cidadão comum? Ou a escrita emocional na qual aposta é parte do seu ser?

Escrevo o que me apetece. As emoções são a melhor parte da vida. Somos o que sentimos. O resto é paisagem. É natural que me apeteça mais centrar-me no mais interessante.

Qual a barreira entre o romântico e o dito ‘lamechas’?

Cada um definirá a sua. No limite, pode não haver barreira alguma.

Podemos já assumir que esta obra será internacionalizada, como anteriormente aconteceu?

Podemos assumir que quero que o seja. Isso é evidente. Quero conquistar cada vez mais leitores em todo o mundo e acredito que esta obra pode ser universal, pela proposta diferenciadora que oferece ao leitor.

Quem é o Pedro Chagas Freitas? O que gosta de fazer além de escrever?

Sou só um gajo que escreve cenas. A minha vida não é escrever; é viver. E o que me dá mais gozo viver é um abraço do meu filho ou da minha mulher, conversar com o meu pai, rir com a minha mãe, … Gosto de estar com as minhas pessoas sempre que posso — para além de gastar bastante tempo a ler, a ver filmes, séries. Sou uma pessoa normalíssima.

Como se gere a curiosidade e as expectativas de milhares de seguidores?

Escrevendo sempre mais e mais. E estando atento, atento de verdade, a cada leitor. Sou fã de cada um dos meus leitores. E tento mostrar-lhes isso, quer em sessões de autógrafos, ao vivo, quer quando me contactam online. É uma maravilha.

Dedica muito tempo às redes sociais?

Algum. Porque me interessa estar junto de quem me lê. Não deixo nenhuma mensagem por responder. É o mínimo que posso fazer para retribuir tudo o que me dão. Tudo o que são para mim.

Se não fosse o autor deste livro, como o descreveria?

Quero que sejam os leitores a fazerem isso: singular, diferente, viciante, curioso. envolvente. São palavras que já têm vindo a ser usadas para descrever sobre este livro. Espero que se confirmem e que haja mais, ainda melhores, para lhes juntar.

Quem são as grandes referências, na escrita, para Pedro Chagas Freitas?

Camus, Herberto, Al Berto, Saramago, Roth, Rui Nunes, … e muitos muitos mais.

Qual a mensagem que deixa aos leitores do Infocul?

Vivam e leiam, passe a redundância.

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Notícia publicada a 01/12/2018

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