Pedro de Tróia tem novo disco mas assume que “com os concertos a serem adiados, vai ser complicado aguentar-me”

Foto: Rita Borba

Depois logo se vê’ é o nome do disco de Pedro de Tróia e também o fio condutor a entrevista que o artista concedeu ao Infocul.pt .

Com 10 faixas, arranjos e produção a cargo de Tiago de Brito, este disco traz-nos Pedro de Tróia na interpretação e na escrita de todas as canções, sendo que em apenas uma conta com co-autoria de Tomás Branco.

Um disco com sensibilidade e que merece audição atenta. Mais do que é dito, deveremos reflectir no que não é dito. É um disco completo em todas as suas vertentes e aqui explicado na primeira pessoa, por Pedro de Tróia.

 

Depois logo se vê” é uma expressão muito portuguesa. A que se deve este título e qual  mensagem que pretende transmitir?

Precisamente por ser uma expressão na qual me fui apoiando despreocupado, quando decidi gravar este disco foi o título que me ocorreu. Não por não me preocupar mas sim por ter chegado a um lugar onde não queria mais estar e ter percebido que só lá fui parar por me ter limitado a seguir a direcção do “depois logo se vê”. Ao mesmo tempo há que reconhecer que somos a construção de tudo o que vamos decidindo e há momentos em que é preponderante vermos antes de ir. Desenvolver a visão. Ver antes de partir, em vez de ir e depois ver o que acontece.

 

Além de intérprete, também escreve e compõe. Quais os desafios de cada área?

Considero-me mais um autor que canta, do que um intérprete que escreve. A escrita e a composição são frutos que preciso de criar, de ver crescer e de deixar cair. Quando crio, entendo-me, resolvo-me e aprendo a aceitar-me. Já quando canto sinto-me completo. Saber que estas canções podem ser cantadas por mim é o encaixe perfeito. De outra forma não faria (tanto) sentido. A procura do encaixe, do sentido e da elevação, é diária. Importa-me existir fazendo por me sentir livre. E sinto-me livre sentindo-me composto.

 

É mais confortável cantar o que escreve e compõe ou por outro lado expõe-se mais?

Neste disco em particular sinto que a exposição é tangível. Mas trata-se de um disco em que o que escrevi me foi necessário e aquilo que canto é imperativo. Sinto-me mais confortável a cantar uma verdade que me deixe despido, do que cantar alguma coisa que não me diga respeito.

O que de mais profundo este disco revela sobre si?

Não consigo responder a essa questão. Mais depressa alguém que o escute saberá dizer.

 

Para quem se habituou a ouvi-lo nos Capitães da Areia, o que traz este disco de diferente?

Traz-me à frente.

 

Quem são os músicos que o acompanham neste disco?

Na bateria contei com o Vasco Magalhães, no baixo com o Vasco Abreu, nos sintetizadores com o Silas Ferreira, na guitarra com o Tiago Brito, em duas guitarras com o Tomás Branco e nos coros com a Rita Laranjeira e Bernardo Barata.

 

A escolha do Tiago Brito para produtor deveu-se a algo em específico ou foi uma escolha  natural?

Ambas. O Tiago conhece-me musicalmente e emocionalmente muito bem. Musicalmente talvez melhor do que ninguém. Isso nem sempre significa que possa ser uma mais-valia, mas neste disco tornou-se óbvio que tinha de ser ele a entender-me e resolver criativamente o espaço sonoro que cada canção merecia ocupar.

 

Quem é Pedro de Tróia?

O disco revela-me bem, mas hei de ser velho e continuar a fazer a pergunta.

 

Quanto tempo demorou toda a produção deste disco?

Sensivelmente dois anos. Desde a selecção das músicas, às discussões sobre potenciais caminhos a seguir, passando pelos ensaios, marcação de estúdio, gravação, edições, misturas, arte gráfica, enviar para a fábrica, com os habituais percalços pelo meio.

 

É mais fácil expor o que sente através da Arte?

Não é mais fácil mas é mais simples.

Perguntar-lhe-ia agora quais os espectáculos de apresentação do disco. Mas com a actual pandemia instalada, pergunto-lhe qual o efeito e dimensão financeira da actual situação na sua vida enquanto artista?

Tenebrosa. Dediquei muito tempo a este disco e investi todo o dinheiro que me sobrava. Era agora que finalmente ia começar a amortizar o investimento e gerar algum rendimento. Com os concertos a serem adiados, vai ser complicado aguentar-me. Mas cá estarei, de mangas arregaçadas.

Sente que com tudo o que de mau esta pandemia traz, pode trazer para debate público a precaridade da classe artística nacional?

Estou seguro disso mas há muito que esse debate já devia ter sido iniciado.

Onde pode o público interagir consigo e aceder ao disco?

Convido-vos a seguirem-me no Instagram (@pedrodetroia) e no Facebook. A par disso, o disco pode ser escutado em todas as plataformas digitais e podem encomendar em formato físico enviando um e-mail para geral@azafama.com

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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