Pedro Marques: “O principal objectivo deste projecto é fazer da guitarra portuguesa a voz principal”

Funchal recebe, de 29 de Setembro a 4 de Outubro, nova edição do Fado Funchal, em vários locais da cidade, numa programação eclética. A 30 de Setembro, o guitarrista Pedro Marques sobe ao palco do Parque de Santa Catarina com o espectáculo ‘A Voz de Uma Guitarra’.

O músico concedeu uma entrevista ao Infocul, na qual abordou este espectáculo, o seu percurso e também o gosto pela guitarra portuguesa.

Em palco estará um quarteto de instrumentistas, uma formação que começou há dois anos e “tem como instrumentos uma guitarra portuguesa, viola baixo, viola clássica e um violoncelo”, começou por nos dizer.

O principal objectivo deste projecto é fazer da guitarra portuguesa a voz principal, como se fosse uma vocalista, mostrando ao mundo todas as suas vertentes musicais para além do Fado”, explicou.

O espectáculo será todo ele instrumental. “Inicialmente quis introduzir uma voz, mas quis fugir um pouco à regra e ficar somente na guitarra portuguesa, contudo tenho outro agendado que inclui uma voz”, confidenciou-nos, Pedro Marques.

A acompanhar Pedro Marques, na guitarra portuguesa, estarão “na viola Clássica, o Emanuel Faria, viola baixo Miguel Marques e no violoncelo, László Szepesi”.

No dia 30, no Parque de Santa Catarina, revela-nos que “o repertório é vasto passando por temas compostos por mim, música clássica, Carlos Paredes e por fim uma parte do espectáculo será dedicada à grande Amália Rodrigues”.

Questionámos Pedro sobre a primeira memória que tem da guitarra portuguesa, tendo-nos dito que “lembro-me de ouvir a minha mãe cantar acompanhada pela guitarra desde que me sinto “gente”. Acompanhei-a às casas de Fados desde que nasci e a guitarra sempre me fascinou pela sua sonoridade e também pelo desafio do seu jogo de cordas, sempre gostei de me desafiar e apesar de ter começado a minha formação musical pela viola clássica, aos 10/11 anos já tocava guitarra portuguesa”.

 

Sobre as opiniões que vai recebendo sobre o seu trabalho, destaca que “a opinião, em geral, é sempre bem-vinda, das opiniões guardo sempre o mais importante, algo que me faça crescer, tentando fazer e dar sempre o melhor no meu trabalho. Um dos meus objectivos de vida é sempre aperfeiçoar aquilo que faço, foco-me em mim, inspirando-me em alguns dos meus ídolos nacionais, sempre foi assim desde pequeno. Ambição de um dia estar ao lado de um ídolo faz-me querer sempre crescer musicalmente”.

 

O músico é casado com a fadista Sofia Ferreira. Questionámos se em palco isto era uma responsabilidade acrescida ou um conforto, com Pedro a explicar-nos que “responsabilidade tenho de ter com todos, com a Sofia além de ser um prazer, partilhar o palco com ela, é de facto um conforto, uma ajuda e um apoio mútuo. Em cima de palco, o amor que nos une vai muito além da música e sendo que foi pelo Fado que nos conhecemos torna-se ainda mais especial”.

 

Em termos discográficos, recorda-nos que “o meu primeiro álbum foi ao 15, anos, “A primeira Pedra”, ainda fui acompanhado pelo meu pai à viola clássica nos seus últimos meses de vida e isso fez com que tivesse muito tempo sem querer gravar novamente até há cerca de 1 ano, onde tenho vindo a preparar um regresso aos estúdios de gravação. Quero fazê-lo em Lisboa e de preferência rodeado de grandes referências para mim e grandes amigos, cercar-me das pessoas que acompanharam o meu percurso e que de uma maneira ou outra sempre me apoiam mesmo sendo um “ilhéu” no meio do oceano”.

 

Sobre o actual período de pandemia que atravessamos e os custos que isso trouxe ao seu trabalho, explicou que “não foi fácil, para ninguém, e para quem vive da música foi extremamente complicado, tínhamos muitos concertos marcados que foram cancelados, a casa de Fados fechada, os hotéis onde tocava, foi difícil, contudo também me fez descansar, procurar novos rumos e novos objectivos. Nem tudo foi mau”.

 

Para quem o queira ouvir, além do concerto de dia 30 de Setembro, “se vier cá à Madeira pode ir ao Sabor a Fado onde toco diariamente. Apesar de atualmente as redes sociais serem uma ponte importante para o trabalho dos músicos, confesso que não sou pessoa de estar “on-line” frequentemente, nem exponho assim tanto o meu trabalho. A verdade é que anseio ir para Lisboa e concretizar o sonho de tocar com os fadistas Nacionais e ao lado dos músicos que tanto me inspiram”.

 

Disse-nos ainda que “a ilha da Madeira abraça o Fado com muito carinho e dá-lhe o valor que ele merece e que deste lado tudo farei quanto possível para que o Fado cresça dia após dia, ensinando guitarra portuguesa, como o faço, divulgando os fadistas e músicos da nova geração, aconselhando a região a manter viva a mais bonita das tradições e que estou aqui, pronto para trabalhar para quem me quiser receber, seja ele/a de onde for”.

 

Para dia 30 de Setembro, “convido com a humildade que sei que será um bom espectáculo e diferente do que se costuma ouvir na região mas com o principal objectivo de mostrar que a guitarra portuguesa não é só um instrumento para Fado. Venham e ouçam a beleza que as doze cordas portuguesas conseguem dar a qualquer género musical”, rematou.

A programação completa do Fado Funchal é a a seguinte: 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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