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Pedro Moutinho apresentou ontem com uma actuação de sentimento e verdade o seu mais recente disco, “O Fado em Nós”, no Grande Auditório do Centro Cultural de Belém. Este espectáculo, inserido no ciclo Há Fado no Cais, trouxe um Pedro Moutinho diferente, para melhor, do habitual.

 

 

“O Fado em Nós” é o disco de Pedro Moutinho. Em palco mostra uma segurança e maturidade que por vezes faltavam nos seus espectáculos. Ontem, 30 de Novembro, o fadista esteve em grande nível ao longo de quase duas horas de espectáculo.

 

 

Abriu a função cantando sem suporte instrumental e doseando bem a sua voz. Com uma assistência que não esgotou a sala lisboeta, o fadista não se deixou afectar e proporcionou dos melhores espectáculos em que já o vimos.

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Em palco esteve acompanhado por André Dias na guitarra portuguesa, António Neto e Tiago Silva na viola de fado e Daniel Pinto no baixo e além de apresentar o novo disco, viajou também pelos temas mais marcantes da discografia anterior. Em termos vocais sabe dosear bem, não arriscando, mas empregando a intensidade e emoção em doses equilibradas.

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Este novo disco, gravado ao vivo no Museu do Fado, apresenta-nos letras de autores intemporais como Fernando Pessoa ou Alexandre O’Neill  mas também de escritoras mais contemporâneas como Manuela de Freitas, Amélia Muge ou Mª do Rosário Pedreira. Mas o maior realce é o crescimento de Pedro Moutinho que rompe com o “peso” que muitas vezes o associava sempre aos seus irmãos criando uma pressão desnecessária.

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Actualmente é Pedro Moutinho que ouvimos por inteiro sem nos lembrarmos da família fadista a que pertence. É a sobriedade em palco e o olhar semelhante a uma criança feliz que nos prende. É a desenvoltura que apresenta em palco e que permite uma maior interacção com um público que o acompanha em alguns temas mais “orelhudos”. Pedro Moutinho está diferente sem perder ou desvirtuar a sua essência de fadista tradicional.

 

 

“Leva-me contigo” de Amélia Muge, “Mas falta escrever na lua” de Júlio Sousa, “Veio a saudade” de Aníbal Nazaré, “Ao Deus Dará” de Maria do Rosário Pedreira, “O Fado em Nós” de Amélia Muge, foram alguns dos temas que nos fizeram viajar por um fado que sendo antigo se renova pela escrita dos autores e interpretação de Pedro Moutinho.

 

 

“Além Terra” foi o instrumental que mostrou o virtuosismo e valia dos músicos que acompanharam o fadista num espectáculo em que se viajou por temas conhecidos da discografia anterior de Pedro Moutinho como “Um copo de sol” ou “Rua da Esperança”.

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Mas Pedro Moutinho levou ainda convidados (muito) especiais ao CCB. O violoncelista Hugo Fernandes e os seus irmãos Helder Moutinho e Camané. Helder fez um “dois em um” interpretando e muito bem o fado menor e o fado pechincha com vigor e raça recebendo dos maiores aplausos da noite. Camané esteve sóbrio, como é habitual, mas com uma interpretação intensa, também bastante aplaudida, no fado cravo. Contou ainda com a presença de uma dupla de bailarinos em “Um carnaval” num bonito momento de dança.

 

 

Pedro Moutinho mostrou nos momentos em que falou com o público uma alegria imensa de estar ali naquele palco. Uma alegria que rapidamente passou para o público que num respeitoso silêncio o ouvia atentamente tanto no canto como na fala. O público obrigou ainda o fadista a um encore que encerrou em grande o espectáculo.

 

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Pedro Moutinho está em crescendo artístico com este disco e o público agradece. O fado merece e deve acarinhar um fadista que ama o que faz e que aprendeu a exteriorizar emoções.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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