Peregrinação foi “feito de muita estrada, muitos concertos mas também de momentos sozinha em casa”

Dulce Pontes

 

Dulce Pontes, uma das melhores e mais aclamadas artistas nacionais, está de regresso à edição discográfica com “Peregrinação”, um disco duplo que promete saciar os admiradores da artista que esteve muitos anos sem editar.

 

 

“Peregrinação” é um disco duplo e que “foi feito de muita estrada, muitos concertos mas também de momentos sozinha em casa, nas catacumbas como eu lhe chamo”, explicando que esse espaço em sua casa, sita em Bragança, “era uma adega, não é muito grande, tem o tamanho perfeito, tem as paredes em xisto e tem uma acústica fabulosa”. Neste novo trabalho apresenta alguns temas que “já foram tocados bastantes vezes ao vivo”.

 

 

 

Ao longo dos últimos anos, Dulce Pontes tem actuado assiduamente em Espanha, com salas lotadas, uma aclamação unânime da critica e do público.  Mas a importância de Espanha neste disco está equiparada à da América do Sul. A relação com o púbico espanhol “está muito bem definida. Sabem que sou portuguesa e que canto em português ou espanholês conforme quiserem” diz, não evitando uma gargalhada.

 

 

 

O titulo não surgiu logo no inicio. Eu não pensei ah e tal vou fazer um trabalho assim e assim e vai chamar-se Peregrinação…Ele começou a ganhar vida própria a partir de certa altura. E com o “Puertos de Abrigo” começou a acontecer o contacto com vários músicos, uma família que eu não conhecia e passei a conhecer de uma forma muito intensa e muito querida” revela-nos sobre o titulo escolhido para estre disco duplo.

 

 

Peregrinação tem um álbum todo em português, o Nudez, e depois um outro, “Puertos de Abrigo, em que existem temas em castelhano, dois temas em galaico-português e um tema em inglês. E porquê um tema em inglês? Porque está dedicado a uma grande amiga minha que faleceu, este tempo foi marcado por muitos encontros mas também por perdas de pessoas que eu amava muito” revela-nos sobre a composição deste disco duplo.

 

 

 

O muito tempo sem edição discográfica “Não foi nada propositado. Este trabalho já era para ter saído. Está pronto desde Setembro. Eu trabalho de forma independente com tudo o que isso implica. Depois no inicio do ano passado tive mesmo que parar com a actividade dos concertos ao vivo para poder olhar para tudo aquilo que estava gravado, e enfim encaixar as peças do puzzle. Houve muita coisa que ficou de fora. A própria vida dita os tempos das coisas, não é que eu tenha decidido dessa forma, muitas vezes não temos qualquer tipo de decisão”, explica-nos.

 

O que será que esta Peregrinação tem da menina que encantou Portugal com “Lusitana Paixão”? “Eu não gosto de fazer comparações. Há um bocadinho de “Lágrimas” neste disco, há todo o meu passado, todo o meu background, há o meu ser, o facto de me desdobrar em diferentes estilos musicais. É como se todos os caminhos se tivessem unido para aqui vir desaguar. Estamos neste momento. O que vem a seguir não sei”, diz-nos ponderada sobre o presente e sem preocupação com o que virá a seguir.

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Considerada uma referência por muitos artistas nacionais, Dulce Pontes diz que “primeiro sinto a responsabilidade de ser exemplo para os meus filhos. Depois, há um respeito pela música em si mesma, pelo canto, pelos mestres todos com os quais me cruzei e que me transmitiram conhecimento. E respeitar também o facto de Deus me ter dado a possibilidade de poder viver disto, porque é o que eu gosto de fazer. Não existe em mim uma pré-consciência de “vou fazer isto para servir como exemplo”. Porque eu exijo de mim essa verdade, liberdade, nudez, porque caso contrário não vou gostar de mim”.

 

 

 

Convicta, revela que o reconhecimento que lhe interessa é o do público. E explica porquê. “O reconhecimento vem do público. Claro que também pode vir de determinados sectores da critica, mas com todo respeito para com as criticas boas e más sejam portuguesas ou estrangeiras, o importante para mim é o público. O importante para mim é que eu acabe um concerto,  olhe para as pessoas e veja ou sinta que 80% vai sair dali com o espirito e a alma cheia. Isso para mim é fundamental, vamos sempre construindo até porque não estamos iguais todos os dias. Por isso é que eu tenho sempre pânico antes dos concertos, porque nunca sei se vou conseguir, e não estou a falar tecnicamente. Porque cada vez mais eu valorizo o facto de transmitir paz, igualdade, liberdade e muitas vezes eu não estou, por circunstâncias da vida, em paz. E até me surpreende muitas vezes quando as pessoas no final do concerto me dizem que transmiti muita paz e eu muitas vezes não estava nada em paz. Agradeço muito a Deus por essa capacidade, a qual tenho medo de um dia perder”.

 

 

Este novo disco é o regresso de uma das maiores vozes nacionais e em breve será revelada a peregrinação nacional, que é como quem diz, a digressão em salas lusitanas.

 

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Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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