Pierre Aderne e a sua Inês são Janela aberta para o amor e introspecção

pierre

 

“Da Janela de Inês” é o novo disco de Pierre Aderne. Em pleno centro Lisboeta, fomos falar com o cantor, compositor e autor (também é produtor) sobre este novo trabalho. Um luso-francês e um português conversaram praticando uma tradição inglesa, o chá das 5. 

Inês é uma “mulher portuguesa”, até porque “sempre pensei para mim como seria pegar um texto solto, em prosa, mas logo percebi que mesmo escrevendo em prosa os textos eram muito sintéticos, mesmo fugindo das estruturas, eles tinham cara de música”.

 

 

É um romance incompleto, na verdade, eu me senti como se tivesse numa oficina de literatura, para perceber como escrever um romance…” diz-nos, recordando que o seu pai é professor de literatura em Brasília, destacando ainda o facto de em Portugal ter conhecido três escritores de renome: Valter Hugo Mãe, José Eduardo Agualusa e José Luís Peixoto.

 

 

No processo criativo, o músico revela que “achei engraçado eu ir colocando fragmentos disto e vendo a reacção das pessoas”. O facto de “escrever apenas para uma personagem também foi interessante e diferente”, completa. Até que desafiou Leo Minax, “grande compositor brasileiro, radicado à 30 anos em Madrid e parceiro de Jorge Drexler e monte de gente bacana”, a dar corpo às suas letras. Este disco conta apenas com letras de Pierre Aderne e música de Leo Minax. Compara o processo como “se eu estivesse ilustrando o meu livro”.

 

 

Este processo foi quase como um romance, demorou muito tempo. Foram quase oito meses”, diz-nos sobre a construção deste disco. Quando questionado por nós, se em algum momento esta personagem imaginária, Inês, se tornou a mulher dos seus sonhos, respondeu-nos que “não”.

 

Durante todo este processo recolheu 150 dias, ou melhor escreveu, da vida desta Inês, sendo que no disco surgem apenas 11. Confessa que “ficou tomado pela personagem. É quase como se fosse um diário”, esclarecendo que maioria dos temas foram escritos “pela manhã, quase que meio no sonho e meio na realidade”. Este disco é todo ele baseado no amor, nas suas mais diversas formas de ser e transmitir.

 

Revela que os artistas portugueses “se levam demasiado a sério”, sendo que no seu entendimento a arte é o contrário disso, pois sendo prazeroso ou doloroso, “tem que haver uma entrega total”. Este é um ponto negativo, sendo que os elogios existem de sobra para a cultura portuguesa e os seus intervenientes, pois “gosto da escrita na língua portuguesa, tratada com tanta elegância”.

 

 

Diz que o tempo levará toda a música para a designação de “world music” pelo facto das várias fusões que vão existindo. Diz-se apologista das fusões culturais.

 

 

Neste disco, em termos de escrita, encontram-se “português do brasil e o português de Portugal”. Uma obra em que podemos viajar pelo mundo confuso e complicado de Inês, ao mesmo tempo que nos deixamos levar pela leveza da escrita de Pierre Aderne que consegue ao mesmo tempo transmitir emoção e uma profundidade da alma, muito bem complementados pelas melodias de Minax.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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