A Pré-História na nova exposição temporária do Museu Nacional de Arqueologia

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“Loulé. Territórios, Memórias, Identidades” é a nova exposição temporária  do Museu Nacional de Arqueologia será sobre a Pré-História. Esta é uma iniciativa conjunta dos Museus Nacional de Arqueologia e do Municipal de Loulé.

 

 

Esta exposição reúne mais de 500 bens culturais que testemunham os últimos oito milénios de história deste que é o maior e mais povoado concelho do Algarve. Esta mostra revela a ocupação humana do território louletano desde a Pré-história à Idade Média nas zonas da Serra, o Barrocal e o Litoral. A grande maioria destes nunca foi escavada, com excepção de um, que é fundamental.

 

 

O Cerro do Castelo de Corte João Marques foi escavado no século XX, em 1978/1979. Os materiais provenientes deste sítio pertenceram a uma povoação de metalurgistas do cobre. É mesmo dos poucos sítios existentes em Portugal onde há todas as fases da metalurgia. Isto é, há minério de cobre, há pedaços de fundição do cobre, há fornos para fundir o cobre… e depois evidentemente, materiais, artefactos que se inseriram numa rede de comércio local ou mais ampla, abrangendo o sul de Portugal. Portanto, é um sítio de mineradores e ao mesmo tempo de transformadores do minério em metal, um sítio de enorme importância.”, antevê Victor S. Gonçalves, Comissário Científico do Núcleo da Pré-História.

 

 

Por uma questão de preservação, o Cerro do Castelo de Corte João Marques, no qual existe agora a intenção de voltar a escavar, não é visitável. Os visitantes da exposição terão a oportunidade de conhecer peças provenientes deste sítio que vão ser expostas pela primeira vez. Mas existem outras surpresas no núcleo da Pré-história.

 

 

Há também um grande menir amplamente gravado que foi trazido do Museu Municipal de Loulé propositadamente para esta exposição e que será acompanhado de um conjunto de fotografias obtidas através de sistemas digitais de última geração, inclusivamente tridimensionais, que permitem ver gravuras que não são imediatamente visíveis a olho nu. Algumas dessas gravuras, como por exemplo os sóis, são uma representação que encontramos também nas placas de xisto que eram penduradas ao pescoço dos mortos entre 3200 e 2500 antes da nossa Era e na exposição teremos um exemplar excepcional.”

 

 

Teremos também uma queijeira semelhante a outras identificadas na região de Lisboa, no atual concelho de Mafra, e que foram analisadas por um laboratório com o qual fizemos um protocolo e encontrámos dentro dos orifícios restos de matérias gordas do leite, o que comprova que era essa a sua utilização.”

 

 

Ainda neste núcleo, vai estar exposta uma peça extraordinária de cerâmica, a bilha de Retorta, em Boliqueime, cujas condições precisas de recolha não se conhecem. Diz o Professor Doutor Victor S.Gonçalves.

 

 

Havia um padre conhecido, o Padre Semedo de Azevedo, que era um grande colecionador de antiguidades, e os paroquianos tinham por hábito levar-lhe algumas. Desta feita, estava ele numa necrópole romana, com sepulturas romanas por todo o lado, quando avistou um pedaço de barro a sair da terra. Decidiu escavar à sua volta e quando por fim conseguiu desenterrá-lo, era um vaso inteiro do neolítico. É a peça mais antiga que vamos apresentar na exposição.”

 

 

Os comissários desta  são Victor S. Gonçalves, Catarina Viegas e Amílcar Guerra, da Universidade de Lisboa.

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