Pres. Câmara de Évora destaca que “hoje finalmente assinámos aqui este acordo e sobretudo foi feita uma homenagem, justa, ao mestre João Cutileiro”

 

 

 

Foi numa cerimónia simples, mas cheia de significado, que esta quarta-feira (19 de Dezembro) se homenageou o escultor João Cutileiro, que recebeu a medalha de mérito cultural num dia em que foi oficializado o protocolo que formaliza a doação de parte do espólio e a casa-atelier ao Estado português.

 

 

O evento decorreu na no Museu Nacional Frei Manuel de Cenáculo, em Évora, e contou com a presença da Ministra da Cultura, Graça Fonseca, a Secretária de Estado da Cultura, Ângela Ferreira, a Diretora Regional de Cultura do Alentejo, Ana Paula Amendoeira, o Presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Pinto de Sá, a Reitora da Universidade de Évora, Ana Costa Freitas, entre outras entidades.

 

 

Em declarações à imprensa o escultor explica que este protocolo é agora oficializado, mas deu “muito trabalho. Muita burocracia. É preciso muito estofo e ter a ajuda da delegação de Évora, senão ainda estava no princípio.” Sobre as peças doadas João Cutileiro diz que “é a casa e são peças, não sei se terão sido contabilizadas mas são muitas e importantes.” Questionado sobre o que deveria ser feito com esse espólio o escultor afirma que “agora é com os outros…e foi essa uma das razões pelas quais cedi, foi poder hibernar…”. Ainda se imaginava o que poderia ser efeito Cutileiro diz que “se eu tivesse alguma ideia ficava muito desiludido por não a levar para a frente e assim é o que eles quiserem”. Sobre o que levou a tomar esta decisão de doar o seu espólio João Cutileiro concluiu dizendo “se eu não fizesse isso, os meus filhos ficavam encravados e não faziam mais nada da vida…

 

 

 

Já a Ministra da Cultura, Graça Fonseca, caracterizou este dia como “especial, um dia fundamentalmente muito emotivo, (…) porque como ouviram já há alguns anos o João Cutileiro tinha demonstrado vontade muito generosa de doar parte do seu espólio, e ainda mais importante como gosto de realçar, a sua casa para que aqui possa projectar-se o futuro com residências artísticas, ateliers abertos a alunos, professores, investigadores nacionais e estrangeiros.” A governante adiantou ainda que “parte do espólio arquivístico que vai permitir que novos trabalhos se desenvolvam a partir do que é a sua casa e o seu espólio, são mais de 700 obras que o João Cutileiro doa ao Estado.” Sobre o que se poderá tornar a casa de João Cutileiro, Graça Fonseca declarou que “tudo faremos a partir de hoje, como o mesmo empenho dos últimos dois meses, para que esta doação do João Cutileiro, e acima de tudo esta generosidade que queremos passar a outros artistas, que sirva de facto para aquilo que está no espírito do João Cutileiro, que é trazer novos artistas”, acrescentando ainda que “a nossa visão é a de criar algo que provavelmente nunca tenha existido, (…) numa visão do artista que quer a preservação mas que quer acima de tudo o futuro.”

 

 

 

A ministra da cultura foi ainda questionada sobre existência de mais parcerias como esta, tendo esta dito que “há um cruzamento muito importante que temos que fazer entre todos, juntando parceiros à administração central e local, universidades, parceiros privados também, porque nesta ligação e neste cruzamento de pontos em rede que existe no território é que conseguiremos dar mais acesso à cultura a nível nacional e independentemente do sitio onde as pessoas vivem. E este principio do acesso à cultura e da coesão territorial só se consegue, na verdade, se conseguirmos juntar artistas, universidades, câmaras municipais, o estado da administração central e trazendo também para aqui parceiros privados.”

 

 

 

Já sobre o início da execução deste protocolo, a Ministra afirmou que “a doação de receber na esfera do estado concretiza-se hoje. O que está previsto é, há um usufruto vitalício do João Cutileiro, obviamente, e temos aqui oportunidade, de com ele, montar o projecto, criar as residências artísticas, de definir a utilização do atelier por alunos e professores, organizar o arquivo para permitir que o arquivo de João Cutileiro possa ser utilizado por investigadores para novos projectos.

 

Em declarações ao jornalista Hugo Calado, d’ ODigital.pt, a Diretora regional de Cultura do Alentejo, Ana Paula Amendoeira, disse que para se chegar a este ponto “foi muito difícil por razões burocráticas e administrativas e conseguiu-se vencer”, acrescentando que  “não podíamos deixar cair [o projeto], porque ele é de tal maneira importante para as artes e cultura, no Alentejo e no país, um artista como o João Cutileiro dar o volume da obra dele que é tão extenso, além da casa, eu relembro que a doação é com reserva de usufruto, naturalmente.”

 

O Presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Pinto de Sá, revelou, ao mesmo órgão de comunicação social, ser “um dia muito feliz porque se concretiza algo que o João Cutileiro pretendia efectuar, esta doação. Em 2014 foi ter comigo ao gabinete e manifestou essa intenção de doar ao Estado português o espólio, mas disse que queria também que a gestão fosse não só feita pelo estado como também pela Universidade de Évora e pelo Município de Évora. Para garantir a diversidade das abordagens mas também para garantir que não se ia fechar o espólio numa casa mas que se ia abrir ao presente e ao futuro, o seu espólio.” O autarca eborense lembra que “passámos um período com alguma dificuldade, o estado parece ter sempre dificuldade em receber doações e ainda por cima com esta qualidade, mas hoje finalmente assinámos aqui este acordo e sobretudo foi feita uma homenagem, justa, ao mestre João Cutileiro por parte do Estado português.

 

Texto: O Digital/RL
Fotografias: Hugo Calado/ O Digital

 

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