Rádio Amália: Gala de Natal em tarde de elevada qualidade artistica e com presença do Ministro da Cultura

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O Salão Preto e Prata do Casino Estoril acolheu este domingo, 18 de Dezembro, a Gala de Natal da Rádio Amália com um elenco de elevada qualidade perante uma plateia esgotada.

 

 

A gala de natal da Rádio Amália já ganhou, por mérito próprio, o seu lugar de destaque e é uma forma de os locutores estarem com um contacto mais próximo dos seus ouvintes de todos os dias. Junta a esta proximidade e partilha, um elenco de luxo que proporcionaram no geral actuações de grande qualidade, beleza e sentimento. Tal como fado quer e pede!

 

 

Maria da Fé foi a melhor actuação da tarde. Perante uma plateia com um público mais sénior, a fadista esteve irrepreensível. Carisma, voz, sentimento, capacidade interpretativa e elevação da mensagem dos poetas. O Fado é Maria da Fé e no Casino Estoril foi possível ouvir pela sua voz os temas “Valeu a pena”, “Fado Errado” e “Divino Fado”.

 

Marco Rodrigues esteve correcto na sua interpretação, destacando-se a sua capacidade vocal e interpretativa. É das melhores vozes masculinas do fado e cresce a cada espectáculo. Ao Casino Estoril levou “Acho inúteis as palavras”, “Trigueirinha” e “Rosinha dos Limões”.

 

José Gonçalez esteve com duas interpretações de grande qualidade, destacando-se a dicção perfeita, a intensidade que deu aos poemas e a naturalidade com que modelou a sua voz de acordo com os temas interpretados: “Até Deus gosta de Fado” e “Não cantes esse fado”.

 

Os Sangre Ibérico trouxeram a fusão entre o fado e a rumba flamenca ao Casino Estoril. Destacaram-se na “Cavalgada”, single do próximo disco e no tema interpretado com José Gonçalez, “É sempre assim entre vinho tinto e gin”, que integrará o disco do fadista que sairá em 2017.

 

Nathalie teve a prestação menos conseguida desta gala. Tem um potencial incrível mas falta personalidade artística. Em palco toda a linguagem corporal e o modo como interpreta os temas não transmitem naturalidade e muito menos genuinidade, não esquecendo os vibratos. Lamenta-se porque o potencial é grande mas não se consegue entender qual o objectivo/rumo que Nathalie pretende para o seu fado. Pecou ao não ter a simpatia de dizer o nome dos músicos que a acompanharam, limitando-se a dizer que “são fantásticos”.

 

Fábia Rebordão está muito confiante e feliz em palco e transmite essas sensações ao público em cada actuação. Fábia é autenticidade e alegria em palco e aproveita o seu enorme aparelho vocal para um bom ataque e prolongamento das notas. E o sentimento em cada tema é arrebatador. Fábia mais do que fado é música em movimento. Foi acompanhada em palco por José Ganchinho no baixo, João Domingos na viola de fado, Bruno Chaveiro na guitarra portuguesa e Ivo nas percussões.

 

 

Jorge Fernando é um case-study do Fado. É dos nomes mais importantes na canção nacional, cantado por muitos dos fadistas, produtor, compositor, letrista e um óptimo instrumentista e intérprete. O público reage a cada entrada sua em palco e acompanha-o nas letras. A comemorar 40 anos de carreira, pede-se uma digressão pelos maiores palcos nacionais para a consagração de um nome que ficará para sempre na historia da cultura musical em Portugal. No Casino Estoril esteve soberbo!

 

Camané fechou as actuações com três interpretações correctas e ao nível do que nos habituou. Foi acompanhado por José Manuel Neto na guitarra portuguesa, Carlos Manuel Proença na viola de fado e Paulo Paz no contrabaixo, os músicos que neste espectáculo também acompanharam Nathalie.

 

 

Os restantes artistas, excepção aos Sangre Ibérico, foram acompanhados por Guilherme Banza na guitarra portuguesa, Rogério Ferreira na viola de fado e Francisco Gaspar no baixo.

 

 

Este concerto contou na plateia com o ministro da cultura. Destacar ainda todo o trabalho de José Madaleno e da sua equipa na Rádio Amália na divulgação e promoção dada ao Fado e aos seus interpretes e demais agentes. A ordem de actuação na gala foi a seguinte: Nathalie Pires, Sangre Ibérico, Fábia Rebordão, José Gonçalez, Marco Rodrigues, Jorge Fernando, Maria da Fé e Camané.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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