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O Rancho de Cantadores da Aldeia Nova de São Bento editou no final de 2016 um disco em que viaja pelo melhor do cancioneiro alentejano, integrando neste trabalho alguns nomes bem conhecidos como António Zambujo, Miguel Araújo, Luísa Sobral, Jorge Benvinda e claro Pedro Mestre, que é também o ensaiador do grupo.

 

 

Celebrando o segundo aniversário da elevação do Cante Alentejano a Património Imaterial da Humanidade pela Unesco, o Rancho de Cantadores da Aldeia Nova de São Bento apresentam um disco com 19 faixas, nas quais viajamos pelas planícies alentejanas, conhecemos estórias deste povo e através das suas vozes poderosas e quentes aquecemos a nossa alma, perante um beleza estonteante que a simplicidade destas gentes nos transmite.

 

 

O Rancho é, na opinião de David Monge da Silva, “herdeiro de uma longa tradição da arte de bem cantar que sempre foi apanágio da sua vila, de há muito reconhecida na região como uma “terra de bons cantadores”, num texto incluído na bula do disco.

 

 

Acrescenta ainda que “são continuadores de uma antiga tradição que teria surgido na agricultura, quando grupos de homens e mulheres, trabalhando de sol a sol, humanizavam a sua faina entoando, em conjunto, as belas modas do cancioneiro alentejano”.

 

 

Há muito reconhecidos pela arte de bem cantar, os cantadores de tão afamado e conceituado rancho contaram neste disco com as participações de: Pedro Mestre e da sua viola campaniça em “Fui ao Jardim Passear”, Miguel Araújo em “Romaria de Santa Eufémia” que conta com letra e música do artista nortenho, Ana Dias e a sua harpa em “Oh Francisca Oh Francisca”, Marcos Alves na percussão em “Ao romper da Madrugada”, António Zambujo em “Trago Alentejo na voz”, Jorge Benvinda em “Cantar até cair” com letra e música da autoria do músico dos Virgem Suta e Luísa Sobral em “A Rosa” num tema da sua autoria na música e letra e que conta com a inclusão de uma quadra popular

 

 

Mais do que cantarem tradições, vidas e estórias do povo alentejano, este disco mostra um conjunto de vozes cantando e celebrando  vida. É impossível ficar indiferente ao sentimento transmitido em cada uma das modas, numa escolha de alinhamento que revela inteligência, bom gosto e sabedoria, pois o cancioneiro alentejano é vasto e muito mais haveria por onde escolher.

 

 

Este disco mostra acima de tudo a continuação de uma tradição, onde “cantavam não só a dureza da vida mas também a beleza da natureza que os envolvia, as plantas e os animais que os rodeavam e os amores e desamores que viviam” como escreve David Monge da Silva na bula que acompanha o disco.

 

 

Para percebermos a riqueza de vida deste povo, David Monge da Silva recorda-nos que “na segunda metade do século XX, o cante perdeu o seu cenário natural e os seus protagonistas começaram a emigrar. Num curto espaço de 20 anos (de1950 e 1970), Aldeia Nova perdeu quase dois mil habitantes e, até ao presente, mais 1.500”. “O cante adaptou-se a esta nova situação, tornou-se outro, cantando uma realidade que já não existia, passando assim de vivencial a evocativo e subsistindo, sobretudo, no local onde os homens se juntavam: a taberna, tornou-se então só masculino, já que este espaço estava vedado às mulheres” acrescenta.

 

 

Neste disco está complementada a melhor tradição com a inovação. É um disco de sempre e que ficará no ouvido de quem o ouça, também para sempre. O velho renova-se sendo constantemente novo. Que saibamos perpetuar no tempo a história de um povo e de uma região que nos dá muito do que de melhor temos na música portuguesa (não esquecendo tudo o que envolve o cancioneiro tradicional português). A ideia de Zambujo em fazer este disco foi genial, a concepção não ficou atrás. Aconselha-se que este disco seja escutado com o que de melhor a gastronomia alentejana nos oferece, sem esquecer um bom vinho!

 

 

A produção musical é da autoria de Ricardo Cruz e a produção executiva de António Zambujo.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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