Raquel Tavares deu um “workshop” de fado no Casino Estoril

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Raquel Tavares deu, ontem, um daqueles concertos que ficam para a história: não por se celebrar uma efeméride qualquer mas pela postura com que optou, e bem, por educar o público. Foi um workshop de Fado, gratuito, e tão essencial para quem vai a um espectáculo de raíz fadista.

Aos primeiros acordes de “Eu já não sei” Raquel sobe a palco e manda os músicos parar de tocar. O motivo foi algum público que numa zona perto das mesas estava de pé, impedindo visibilidade a quem estava atrás das baias de segurança. Raquel ficou em silêncio, tendo depois solicitado às pessoas que se sentassem. Depois de “colocar os pontos nos Is”, recomeçou o espectáculo.
Sombras da Madrugada” foi o momento em que Raquel começou a abrir o livro na arte de bem interpretar e de como liderar um espectáculo, desde a sua equipa de músicos até o público. Poder interpretativo a sobressair, uma dicção perfeita e um sentimento capaz de fazer parar o batimento cardíaco. Brilhante.
Raquel tinha avisado no início do espectáculo, aquando da solicitação para que alum público se sentasse, que queria proporcionar uma noite de fado. E fê-lo. Do seu mais recente disco trouxe “Gostar de quem gosta de nós” e “Não me esperes de volta”. “Limão”, do cancioneiro tradicional e também integrante do novo disco foi o tema que se seguiu e onde além de ter o ‘Coro do Casino Estoril’ a cantar o refrão, deu ainda para Raquel Tavares pegar nas baquetas e definir o compasso.
Ambiente fantástico no Lounge D do Casino Estoril, Raquel Tavares a gosto em palco e tudo pronto para um mergulho profundo pelo fado tradicional. Começou por relembrar Beatriz da Conceição e uma ida ao Casino Estoril, relembrando o lado boémio de uma fadista com um feitio especial e a quem Raquel Tavares dedicou o seu último disco e dedica um momento de todos os seus concertos. “Meu Corpo”, “Deste-me um beijo e vivi” e “Reza por Mim Lisboa” foram os temas do repertório de Beatriz da Conceição, que Raquel levou ao Casino Estoril.
Homenageou ainda Fernanda Maria com “A Candeia” e Fernando Mauricio, ou ‘Faísca’, com a interpretação soberba do Fado Anadia. Raquel tem este poder de viver com um pé na tradição e outro no futuro. O seu fado tem um mundo de sensibilidades que faz o público encantar-se por uma artista com uma identidade muito própria ao mesmo tempo que continua com um rosto e sorriso de menina. Raquel Tavares é um caso ímpar no fado e na música portuguesa, tem uma noção de espectáculo como poucos e ainda consegue educar o público a envolver-se num espectáculo de fado, como por exemplo quando ensinou os dizeres praticados numa casa de fados, como “puxa”, “vai”, “ah fadista”, ao invés das ‘palmas’, até porque “numa casa de fado não se bate palmas”.
Ardinita”, “Marcha de Alfama”, “Meu amor de longe” e “Rapaz da Camisola Verde” completaram um espectáculo com mais de duas horas, que ficará na memória de todos os que ali estiveram. A fadista puxou dos galões, que os tem, e deu uma aula ao público sobre fado. Esperamos que todos tenham aprendido a lição. A destacar ainda os músicos que acompanharam, brilhantemente, Raquel Tavares: André Dias na guitarra portuguesa, Bernardo Viana na viola de fado, Yami no baixo (ouviu cantarem-lhe os parabéns no seu dia de aniversário) e Fred Ferreira na bateria.
Fotografias: Casino Estoril
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Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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