Raquel Tavares levou uma maré de fado às Festas do Barreiro

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As Festas do Barreiro celebraram o Fado, esta quinta-feira, pela voz de Raquel Tavares. O público marcou forte presença no Palco das Marés, num espectáculo bem conseguido por parte da fadista.

 

 

Para Raquel Tavares, cantar no Barreiro é como cantar em casa, segundo disse durante o concerto. E pelos vistos, para o público do Barreiro, receber Raquel Tavares é um (óptimo) motivo para celebração da música, e do fado em concreto. Uma energia constante entre o palco e a plateia (artista e público) aqueceram ainda mais uma noite extremamente agradável no que à meteorologia diz respeito.

 

 

 

Continuando a digressão em que está a apresentar o mais recente disco, “Raquel”, a fadista abriu espectáculo com “Eu já não sei”, seguindo-se “Sombras da Madrugada”. Os aplausos e ‘vivas’ (entre outros elogios) já eram bastantes e tornaram-se mais efusivos quando a fadista na primeira conversa com o público disse ser “muito inspirador” cantar no Barreiro, recordando tempos idos em que para ali ia participar em “grandes patuscadas” até às tantas da noite. Recordou a tradição fadista desta localidade e lembrou o seu padrinho de Fado, Jorge Fernando, que é um homem da terra e aclamado por todos (dada a reacção do público).

 

 

 

A Madeira viveu esta semana uma grande tragédia, de conhecimento público, e que serviu de introdução ao tema seguinte, com a fadista a pedir ao público para dizer, e não ter medo, que gostam muito aos que mais importam na vida de cada um…porque amanhã pode ser tarde demais. “Gostar de quem gosta de nós”, foi assim um momento de celebração da amizade e de introspecção sobre o que realmente importa nesta vida.

 

 

 

“Não me esperes de volta”, de António Zambujo e Paulo Abreu Lima, remete-nos para a desvalorização a que muitas vezes somos sujeitos no amor e para a necessidade de nos valorizarmos.

 

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Em “Limão”, começou, verdadeiramente, o deslumbre vocal da fadista. O ataque às notas, o prolongamento e/ou suspensão das mesmas foi feito, em todo o concerto, de forma sublime, com os momentos de brilhantismo a sucederem-se. É um animal de palco, canta incrivelmente bem (viajando inclusivamente por sonoridades além fado) e não há público que não conquiste. Está num momento em que tudo parece correr bem, provando a cada concerto (que parece encarar como se fosse a última coisa que fizesse na vida) que é das mais emblemáticas e poderosas fadistas da actualidade. O futuro encarregar-se-á de a colocar no lugar que merece, e que certamente será de destaque.

 

 

 

Em cada espectáculo, Raquel promove uma viagem por diferentes tonalidades emocionais ao público, bem como por sonoridades que vão desde canções, marchas e claro ao fado tradicional, a sua raiz. Relembrou, como sempre, Beatriz da Conceição, em “Meu Corpo” (Fernando Tordo e Ary dos Santos), “Nem às paredes confesso” (provavelmente a melhor interpretação da noite. Uma suspensão de tirar o fôlego…), “Deste-me um beijo e vivi” na melodia do Fado Cravo e “Foi Deus” fizeram o público aplaudir bastante e piropear a fadista com “Ah fadista”, “És linda”, “Puxa”, entre outras expressões tipicamente fadistas.

 

 

 

Homenageou o seu padrinho de Fado com a interpretação de “Trigueirinha” (fez questão de referir que este tema não consta do seu alinhamento e que foi cantado ali apenas em homenagem ao padrinho), antes de arrebatar no Fado Corrido, com versos de João Linhares Barbosa e numa criação de Fernando Maurício, com o tema “Ardinita”.

 

 

 

Raquel Tavares esteve acompanhada em palco por André Dias na guitarra portuguesa (este menino de 22 anos é um caso ímpar de talento e personalidade artistica), Bernardo Viana na viola de fado (está a tornar-se um monstro em palco, com um talento incrível), Daniel Pinto no baixo (classe e simplicidade) e ainda João Sousa na bateria. A habitual guitarrada a meio do espectáculo foi em crescendo, mostrando as (muitas) valências do trio de fado.

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Para o final do espectáculo ficaram temas como “Meu amor de longe” ou “Rapaz da camisola verde”.

 

 

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Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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