Ricardo Ribeiro: Voz fadista em músicas do mundo encantou o Coliseu dos Recreios

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O Coliseu dos Recreios recebeu ontem o fadista Ricardo Ribeiro que apresentou o seu mais recente disco “Hoje é assim…Amanhã não sei” perante um público que não esgotou o Coliseu dos Recreios mas que acarinhou o fadista.

 

A expectativa era grande para este concerto de Ricardo Ribeiro e ingredientes não faltavam para aguçar o apetite dos espectadores: havia novo disco para apresentar e comemora-se 20 anos da primeira vez que Ricardo Ribeiro pisou pela primeira vez este emblemático palco.

 

 

O fadista abriu espectáculo acompanhado por José Manuel Neto na guitarra portuguesa, Carlos Manuel Proença na viola de fado (director musical e produtor do disco) e Daniel Pinto (Didi) na viola baixo com um cante ao menino em que improvisou (uma das suas melhores virtudes, demonstrando ali que este concerto iria ser bastante intenso e intimista. Depois de “Do tronco nasceu a rama” seguiu-se “Entrega”.

 

 

Cumprimentou o púbico explicando que ainda não conseguia falar muito pois as pernas ainda tremiam muito e que estava muito nervoso. No seu canto não se notou nenhum nervosismo, mas sim a qualidade e extensão vocal de sempre.

 

 

Na melodia de fado cravo interpretou “De Loucura em Loucura”, seguindo espectáculo com “Moreninha da Travessa”, em melodia de fado vadio e “Porta do Coração” antes de começar apresentar os temas do novo disco.

 

 

Neste seu novo disco, Ricardo Ribeira alarga os horizontes dos seus fãs, abordando os cânticos do mundo na sua voz fadista. Lembramos que Ricardo Ribeiro é um exímio cantor que não vive apenas de fado. A música árabe, o flamenco, o cante alentejano são por si valorizados, e ainda melhor interpretados.

 

 

Do novo disco cantou “Estrada da Vida”, “Nos dias de hoje” com letra de Tozé Brito, “Portugal” em melodia de Fado Maria dos Anjos” e “Rondel do Alentejo”, que consta no repertório de Amália Rodrigues.

 

 

Neste espectáculo fez questão de levar ao coliseu alguns convidados. Começou por chamar o acordeonista Ricardo Dias ao palco com o qual interpretou “Águas Claras” e “Fadinho Alentejano” numa das letras mais divertidas que se escutaram na noite de 30 de Abril no Coliseu de Lisboa.

 

 

O pianista João Paulo Esteves Silva foi os segundo convidado chamado a palco juntando-se a Ricardo Dias e Ricardo Ribeiro para “Soneto de Mal amar”. Apenas com o pianista em palco ouviram-se “Mal aventurado”, “Chanson d’automme” e “Mondadeiras”. Seguiu-se a habitual guitarrada, bem interpretada.

 

 

O concerto ia longo e intenso, mas ainda houve tempo para voltarmos ao Fado com “ Eu sei que sou demais” e “Nos gestos, nos sentidos”. Foram ainda chamados ao palco Artur Caldeira e Daniel Paredes com os quais Ricardo Ribeiro viajou até terras de nuestros hermanos para brindar o público com dois temas de flamenco: “SOS” e “Voy”. Mas ainda havia mais convidados, primeiro Daniel Duque no trompete na “Serenata do Adeus” .

 

 

Antecedeu o encore com “Ultimo poema” e de regresso ao palco teve o melhor momento da noite com os Ganhões de Castro Verde com “Fadinho Alentejano”. Tema divertido e com malicia saudável, mas interpretado com a garra habitual nos alentejanos e a alma fadista de Ricardo Ribeiro. Já sem o grupo coral e apenas com o seu trio habitual de músicos fechou concerto com “Fado do Alentejo”, perante aplausos do público.

 

 

Ricardo Ribeiro conseguiu assim levar o público a viajar por vários géneros musicais aos quais deu a sua identidade fadista.

 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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