Rocío Márquez, um dos nomes contemporâneos mais em voga da actualidade flamenca, proporcionou um extraordinário espectáculo, este sábado, no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém.

Um espectáculo com casa cheia (e que bom é ter sala cheia para apreciar arte) e no qual Rocío entrou declamando e cantando, demonstrando, logo aí, todo o poderio, alma e qualidade da sua voz.

Depois, e acompanhada dos seus dois músicos, desenhou um espectáculo no qual permitiu ao público conhecer alguns temas importantes do flamenco, tradicional e não só, que recuperou no seu último disco, ‘Visto em El Jueves’, que serviu de base a este concerto.

‘Visto em El Jueves’ refere-se a um mercado de Sevilha, onde podemos comprar objectos em segunda-mão e outros inimagináveis. E foi isso que quis fazer neste disco, pegar na tradição e dar-lhe uma nova roupagem. Fê-lo, com tremendo bom gosto, respeitando a matriz e arriscando. Rocío arrisca-se, e bem, a não ser apenas mais um nome do flamenco. Rocío tem desenhado um percurso que a pode levar ao topo.

O espectáculo que trouxe ao CCB é envolvente, intenso e arrebatador. Sem artifícios cénicos. Vale pela voz poderosa e a genialidade dos seus músicos (Juan António Suárez ‘Canito’ na guitarra e Agustín Diassera na percussão). O desenho de luz é adequado e potencia o espectáculo, sendo responsabilidade e Manuel González de Tánaco, que assina também o som.

Rocío consegue, através da sua arte e de boas canções, perceber que esta era do descartável não nos torna melhores. Rocío leva-nos para a profundeza da alma e dos valores humanos. A partilha ao amor, Rocío canta-nos ao coração e propõe-nos um exercício e memória, do que fomos ao que somos.

Um espectáculo em que a Arte mais do que ser descrita, pôde ser sentida. Hoje actua no Porto e apenas podemos desejar que volte muito rápido a Portugal.

 

Texto: Rui Lavrador
Fotografias: João de Sousa

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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