Rocío Márquez prepara concertos em Portugal e assume: “Gostaria que este fosse o começo de um longo relacionamento com o país”

Rocío Márquez actua nos dias 11 de Janeiro (CCB) e 12 de Janeiro (Casa da Música) em Portugal e conversou com o Infocul.pt sobre este dois espectáculos, que serão baseados no seu mais recente disco, ‘Visto em El Jueves’.

Ser considerada “a voz da nova geração do flamenco” é uma responsabilidade, uma motivação ou ambas?

Bem, ambas. Por um lado, isso motiva-me a dar o meu melhor e agradeço o apoio e a visibilidade que a imprensa e os críticos me dão. Mas também vivo o ónus da responsabilidade, em relação às expectativas que posso gerar.

Quais são as suas expectativas para os espectáculos em Portugal?

Sou muito grata por poder apresentar o meu último álbum em dois espaços de prestígio, como o CCB, em Lisboa, e a Casa da Música, no Porto. O meu desejo com estes concertos é dar-me a conhecer ao público português. Embora existam pessoas que já ouviram os meus álbuns, a minha música ganha ao vivo. Gostaria que este fosse o começo de um longo relacionamento com o país, como acontece, por exemplo, em França.

Ao longo dos anos, e ao longo da história, é costume juntar-se o Fado e o Flamenco. Encontra pontes entre estas duas artes?

Sim, claro. São duas músicas de raiz de cidades próximas, então têm conexões musicais. Tanto no fado como no flamenco, hoje existem artistas de alta qualidade que mantêm viva essas belas músicas.

O que mais gosta no Fado?

Eu realmente gosto da emoção na interpretação e da verdade das suas letras.

“Visto em El Jueves” é o último álbum. Quais são as principais mensagens deste álbum e como as apresenta no palco?

Bem, eu queria reflectir sobre os conceitos da memória e autoria, obscurecendo as fronteiras entre criação, recreação e remixagem, bem como as fronteiras entre o que consideramos flamenco e o que não consideramos. Criar a partir do já criado, dando uma nova vida às músicas e canções, para que também me conecte com o conceito de reutilização nestes momentos de consumismo cego.

No palco, quem a acompanhará?

Bem, as mesmas pessoas que no álbum. A guitarra de Canito conseguiu encontrar novas texturas e sabores nas músicas tradicionais do flamenco, para que eu pudesse alimentar a minha curiosidade e inquietação com a mão dele. A percussão é responsabilidade de Agustín Diassera, músico de grande sensibilidade, capaz de adicionar sem invadir.

Tradições, como o flamenco, duram enquanto houver memória. Gostaria de saber se hoje o mundo não está a subestimar a memória e o que ela nos trouxe até hoje.

Acho que sim. A memória é o que nos perdura na arte e na vida. Sabendo de onde veio, o que tinha que acontecer para chegarmos aqui. A memória permite-nos encarar o presente com perspectiva e é o único antídoto para evitar repetir os erros do passado.

Quais são suas grandes referências no flamenco?

Muitas e muitas. Se eu mencionasse apenas algumas, eu diria Pepe Marchena, Pastora Pavón, Manuel Vallejo e Enrique Morente.

Rócio Márquez, o que mais gosta enquanto cantora de flamenco?

A interpretação do flamenco permite-me alcançar um estado de grande dedicação e conexão comigo no palco. Tenho a sensação de que dou ao público as profundezas de mim.

Se pudesse escolher um artista português para um dueto, quem escolheria?

Eu também admiro muitos artistas daqui. Agora Salvador Sobral vem à mente.

Sente que existe agora uma maior ligação e intercâmbio cultural entre Portugal e Espanha?

Bem, vejo que sim, somos muito próximos e permeáveis ​​a deixar um ao outro permear. E, ao mesmo tempo, certamente que essa troca poderia ser muito mais rica se nos conhecêssemos melhor.

Para quem nunca assistiu a um espectáculo seu, como convida para os espectáculos em Lisboa e Porto?

Eu adoraria ver vocês partilhar esta música. Certamente, devido à nossa proximidade, que podem entender a proposta e serem movidos pelo nosso trabalho.

Que mensagem deixa aos nossos leitores?

Abram os vossos corações, que o resto vem.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

Rui Lavrador has 6663 posts and counting. See all posts by Rui Lavrador

Rui Lavrador

One thought on “Rocío Márquez prepara concertos em Portugal e assume: “Gostaria que este fosse o começo de um longo relacionamento com o país”

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.