Ruben Luz Lameira: O futuro do Cante também passa por ele!

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Rúben da Luz Lameira é das mais bonitas e poderosas vozes da nova geração. Entre o Cante Alentejano e a música tradicional, Ruben integra projectos como Adiafa ou Os Vocalistas.

 

 

Desde cedo o cante faz parte da sua vida. É um apaixonado pelo Alentejo, pelas tradições, pelas suas raízes e tem nos seus pais os maiores exemplos de vida. Em entrevista ao Infocul, revela um pouco mais sobre si e dá a conhecer o homem por detrás do artista.

 

 

Rúben, quando é que começaste a cantar? 

 

Olá! Eu comecei a cantar há 16 anos, tive a primeira actuação em palco no dia 24 Julho 2000, com o grupo coral feminino de cante alentejano da minha terra natal também era sua primeira actuação nesse dia. 

 

 

A tua carreira foi sempre dedicada ao cante alentejano e musica tradicional portuguesa ou tentaste outros géneros? 

 

Sim! Por enquanto em termos profissionais a minha carreira tem sido dedicada ao Cante Alentejano e à música tradicional, apesar de algumas surpresas que irão surgir brevemente com um dos projectos que tenho, Os Vocalistas. 

 

 

O que é que mais te emociona no cante alentejano? 

 

Eu comecei muito criança a escutar o Cante nas tabernas e em algumas festas que se comemoravam na minha terra, como o 25 de Abril por exemplo. A carga emotiva que transparecia nos rostos dos homens e a força dos coros alentejanos com o “alto” sempre a brilhar lado a lado com o coro, é sem dúvida chocante! As letras das modas alentejanas falam de vida, saudade, morte, amor, trabalho etc, por isso eu acho que se canta como se se defendesse uma causa em que acreditamos, ou seja cantamos a realidade. 

 

 

Tu és da mesma geração que eu e certamente que ainda viveste a altura em que o Alentejo era uma terra esquecida, havia ate quem dissesse que era local de passagem da auto-estrada para o Algarve. Como vês o actual reconhecimento que o Alentejo está a ter em termos das suas tradições e também no turismo? 

 

Sim eu assisti a isso tudo! Havia quem disse-se que só passava ao Alentejo para ir de férias para o algarve, que era uma região de pouco trabalho e de pouco interesse. Mas também tenho agora assistido ao virar da página, como viajo muito por todo o país, percebo que todos agora querem ter uma “costela alentejana”, que todos gostam da nossa gastronomia dos vinhos e das paisagens e de tudo o que o Alentejo oferece, na minha opinião no Alentejo a vida é mais vida.  

 

 

Sentes que o cante já não é olhado pelas gerações mais novas, e até as mais antigas, como uma canção para idosos? 

 

Sim sinto, a distinção pela UNESCO veio sem dúvida ajudar. Hoje os jovens cantam cante alentejano quando se reúnem em aniversários, festas ou até na noite quando saem para se divertirem. Como deves calcular quando comecei, não era bem visto um jovem cantar aquele que na altura era o cante dos velhos, até mesmo nos grupos não se aceitavam jovens, eu tive sorte por que percebi desde cedo como se fazia e cantava como eles sem que se notasse que havia ali uma criança que estava na mudança da voz. 

 

 

Sendo tu natural do Alentejo, o que tem para ti essa região de diferenciador relativamente a todas as outras? 

 

Vou me repetir, como disse anteriormente, no Alentejo a vida é mais vida! 

 

 

Tu és considerado uma das melhores vozes da nova geração no que ao cante e musica tradicional portuguesa diz respeito. Pergunto como reages a isto e também o que pretendes para a tua carreira? 

 

Vejo isso com muita naturalidade, humildade e com a simplicidade que tenho desde sempre transportado da pessoa que sou para a minha carreira e vida pública. Não preciso de ter uma placa na testa a dizer que gosto do que faço e que defendo o cante todos os dias, mas não sou hipócrita ao ponto de dizer que não o faço bem, porque sei que faço, se não optaria por outro ofício. Para a minha carreira eu pretendo continuar a ter Voz e o respeito do Publico e a respeitá-lo. Sinto que se morresse amanhã ficaria imortalizado na história do cante Alentejano pois eu conquistei o meu lugar no cante e todos o sabem, quando canto é quando sou mais feliz na minha vida, e gostaria de perpetuar esses momentos.    

 

 

Neste momento quais os projectos musicais em que estás envolvido? 

 

Neste momento tenho dois projectos profissionais Os Adiafa recentemente renovados e com disco novo, e tenho um grupo que criei juntamente com dois colegas José Emídio e Bernardo Emídio em que convidámos mais dois cantadores jovens de Beja a fazer parte deste projecto musical chamado Os Vocalistas, que pretende levar o cante ao mais alto nível com harmonias vocais e com alguns instrumentos que só dignificam e acrescentam emoção á nossa forma de interpretar as modas alentejanas, mas em que também queremos abraçar outros géneros musicais como terão oportunidade de ver em breve num programa televisivo onde fomos sem dúvida bastante desafiados.  

 

 

Quem é o Ruben por detrás do cantador? 

 

Eu sou uma pessoa muito ocupada porque tenho dificuldade com a palavra “não”, dei por mim a ter só já tempo para comer e dormir, tive de acalmar. Tenho amigos de todas as idades, eu tanto estou uma tarde inteira numa tasca a beber um copo de vinho com os velhos como saio à noite para um bar ou discoteca com os meus amigos mais jovens. Detesto acordar cedo, sou sem duvida um homem da noite que é quando me dou mais ás outras pessoas, durante o dia a luz do sol deixa me tímido e mais sério. Não tenho qualquer problema em chegar a um local novo e arranjar logo amizades. Sou muito próximo das minhas raízes e da família, moro em Beja mas se tiver muito tempo sem ir à aldeia ver os amigos, vizinhos e família começo a ficar desesperado, é como se fosse carregar a bateria às origens.   

 

 

Quais são os teus maiores exemplos de vida? Aqueles que mais admiras? 

 

Os meus maiores exemplos de vida são sem dúvida os meus pais pois são pessoas lutadoras que emigraram e que quiseram ter uma vida melhor. Eu acho que os filhos são o reflexo dos pais ou das adversidades da criação e educação que tiveram. A educação não tem obrigatoriamente que ser dada pelos pais, eu posso ir á rua ou a um lado qualquer e ser educado por qualquer pessoa. Eu como sou uma pessoa de rua fui criado nas vizinhas, amigos… sei lá por aí!!! 

 

 

Em termos profissionais tens ídolos? Se sim quem? 

 

Eu não tenho ídolos, mas tenho pessoas de quem gosto muito! Quando me fazem arrepiar são os meus ídolos do momento pois gosto de ser surpreendido e que me emocionem, tenho como é óbvio referências, mas são desconhecidas do grande público!  

 

 

Como analisas o actual estado da música portuguesa? O que tem de bom e de mau? 

 

Existe na minha opinião muito boa música em Portugal e grande parte dela escondida. O mau da música é quando se pretende tornar comercial o que deveria ser puro, profissional pois tradicional não é sinónimo de amadorismo ou pouco profissional, mas compreendo pois também o faço para conseguir pagar as contas, nem sempre o muito elaborado é o que o público gosta, temos tendências “pimbas” e sentido “ovelhismo”  

 

 

Achas que neste momento há uma maior valorização da cultura em Portugal? 

 

Não nem sempre se continuamos a dar valor às Marias Leais desta vida! O público é quem mais ordena e isso é que interessa, louvores deste ou daquela não nos dá o pão de cada dia!  

 

 

Qual a sala em que gostasse muito de actuar e ainda não tiveste essa oportunidade? 

 

No MEO arena! E cheio, disposto a ouvir 2 horas de bom cante alentejano! 

 

 

Se tivesses oportunidade de escolher alguém para efectuar um dueto, que ainda não tenhas tido oportunidade, quem seria? 

 

Talvez a Dulce Pontes, já conhece o Cante alentejano também muito ligada á musica tradicional Portuguesa e depois tem a melhor voz feminina na minha opinião em Portugal.  

 

 

Um disco a solo é um projecto que tenhas em mente? 

 

Sim é uma possibilidade talvez nos 20 anos de carreira, não sei… quero crescer! 

 

 

Quais géneros musicais que queres trilhar no teu percurso? 

 

PORTUGUÊS! Estou aberto a desafios. Um músico cresce quando sai da sua zona de conforto e tem experiências em outros géneros musicais  

 

 

Através de que canais podem as pessoas ir acompanhando a tua carreira? 

 

Nas Redes Sociais, basta procurar Ruben Luz Lameira ou os meus projectos musicais que referenciei na entrevista. Fiquem atentos ao nome “Os Vocalistas” que a partir Janeiro serão desafiados num programa musical de Televisão No canal 1 da RTP.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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