“Rule of Thirds” é dança que nasce da fotografia de Henri Cartier-Bresson

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No próximo sábado, dia 26 de Novembro, às 22h00, o Grande Auditório do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, recebe a peça “Rule of Thirds”, assinada e interpretada por António Cabrita e São Castro. A dupla criativa de coreógrafos e bailarinos construiu este espectáculo a partir da obra fotográfica de Henri Cartier-Bresson, pai do fotojornalismo e uma referência na fotografia. A partir da imagem parada, António Cabrita e São Castro (a quem se juntam mais dois bailarinos em palco) desenham uma belíssima coreografia.

 

 

O fascinante nesta abordagem criativa, a partir de uma obra fotográfica, não é so­mente o confronto com o ato de criar a partir de uma imagem, mas também toda a dramaturgia em torno desse corte temporal incapaz de anular por completo a sugestão de movimento. O corpo em pausa. Um foco sobre a beleza formal de um momento, o seu conteúdo expressivo, o acaso objetivo, a compreensão através do olhar. A poética ambígua do visível onde o detalhe do gesto se encontra e é intrínseco ao ato de nos movermos, numa lin­guagem própria, que nos fala sem uso da palavra.

 

 

A peça, cujo título é uma expressão que se refere a uma regra a aplicar na fotografia, é um exemplo sublime de como todas as formas de arte se influenciam entre si. Quase em antagonismo, uma peça de dança que brota da imagem estática. Como, a partir daí, nasce a inspiração para criar movimento.  “Rule of Thirds” é uma obra densa e complexa, com uma certa aura de mistério, que nos surge sempre a preto e branco precisamente numa alusão ao estilo fotográfico de Bresson.

 

 

Em “Rule of Thirds” o processo é como uma fotografia bem enquadrada. Sensibilidade, intuição e sentido de geometria. O domínio do tempo e o controlo do espaço num olhar sobre a vida. O enquadramento natural do instinto humano numa coleção de instantes capta­dos por Henri Cartier-Bresson e utilizados como mote coreográfico. O lado mais humano e real do sujeito captado de forma excecionalmente natural e exímia. O palco como enquadramento do corpo em tempo real.

 

 

Uma obra meticulosa, que revela até preciosismo por parte dos dois criadores (que a eles chamam mais dois excelentes bailarinos) para em palco se enquadrarem como que numa fotografia, entre solos, duetos e quartetos para um resultado final que também exige da plateia entrega e imaginação.

 

 

Os bilhetes para o espetáculo podem ser adquiridos nas bilheteiras do Centro Cultural Vila Flor e da Plataforma das Artes e da Criatividade, bem como nas lojas Fnac e El Corte Inglês, entre outros pontos de vendas, e na internet em www.ccvf.pt e oficina.bol.pt. 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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