Samora Correia: Gonçalves e Moura destacaram-se, mas a noite foi (mesmo) de Machacaz

 

 

Decorreu, esta segunda-feira, a tradicional corrida de touros em Samora Correia, por ocasião das Festas em honra de Nossa Senhora da Oliveira e Nossa Senhora de Guadalupe.

Em praça os cavaleiros Filipe Gonçalves, Miguel Moura e Verónica Cabaço. As pegas estiveram a cargo dos Amadores do Ribatejo e Alcochete. Lidaram-se touros da ganadaria Prudêncio. Como principal destaque esta corrida tinha a despedida do forcado João Machacaz.

Nas lides equestres destacou-se Filipe Gonçalves (no quarto touro da corrida) e Miguel Moura (no segundo touro da corrida). Mas a noite foi mesmo de João Machacaz que pegou, ao primeiro intento, o segundo touro da noite.

Filipe Gonçalves teve uma primeira lide positiva, mas sem romper para um plano triunfal. Assim, destacam-se os ferros cravados com batida ao piton contrário, perante um oponente, bem apresentado, que foi de mais a menos, tendo retirado brilho ao labor do cavaleiro. No segundo touro do seu lote, o quarto da corrida, esteve em plano muito elevado. Toureio alegre, diversificado, com boa brega e a escolher bem os terrenos para cravar a ferragem da ordem. As sortes continuaram, na sua maioria, a ser desenhadas com forte batida e a resultar em reuniões cingidas. Tempo ainda para um ferro cravado em sorte de violino e um palmito, posterior a ‘sacar’ o cavalo que bate palmas e que tanto agrada ao público. A sua lide merece mérito superior, pelo facto de o oponente desde início ter mostrado crença em tábuas, obrigando o cavaleiro a intenso, e frutuoso, labor.

Miguel Moura está numa belíssima temporada. O cavaleiro está com um concepção artística que demonstra maturidade, que se junta, assim, à sua reconhecida qualidade. Frente ao segundo touro da corrida, o primeiro do seu lote, esteve muito bem e num verdadeiro compêndio artístico. Nem sempre os decibéis dos aplausos fazem jus à qualidade da arte apresentada. Apresentou-se, medindo bem as distâncias e entendendo bem o seu oponente. Excepção apenas a um dos ferros curtos em que abriu demasiado quarteio. Na sua segunda lide, ao quinto touro da corrida, apenas elevou o nível na fase final com dois bons ferros e uma vistosa brega a duas pistas. Antes, esteve irregular, com algumas passagens em falso, frente a um touro que tinha as suas complicações. Contudo, uma lide positiva mas de menor valor comparativamente à primeira.

Verónica Cabaço esteve francamente mal frente ao seu primeiro touro. A única lide a não ter direito a música, justamente. Verónica Cabaço tem talento mas demonstrou total insegurança frente ao primeiro touro, deixando o público com o Credo na boca, pois a qualquer momento previa-se que algo poderia correr francamente mal. Um ferro cravado em modo regular, foi o que de melhor se extraiu. Melhorou frente ao último touro da corrida, mas continuando a demonstrar que tem um longo caminho a percorrer, se realmente quiser chegar a figura. Deverá melhorar a vertente emocional, em termos de segurança na arena, e o entendimento que tem dos oponentes que lhe calham em sorte nas corridas onde toureia. Uma noite pouco feliz, embora tenha sido muito acarinhada, jogando ‘em casa’. Ainda não é perceptível qual o seu conceito de toureio.

João Machacaz fez, ontem, a sua última pega. Foram mais de 100 touros pegados. Um respeitável cabo, nos Amadores do Ribatejo, e um Forcado, com F grande, valoroso e vistoso nos Amadores de Alcochete. Pegou o segundo touro da noite, ao primeiro intento, como atrás referimos. Deu volta acompanhado pelo cavaleiro Miguel Moura, mais uma a solo e depois…foi um derramar de lágrimas perante uma sentida e bonita homenagem que lhe foi feita. A Tauromaquia, também, é Amor!

Pelos Amadores do Ribatejo foram caras: Pedro Espinheira (1ª tentativa), João Pedro Oliveira (2ª tentativa) e Rafael Costa (1ª tentativa). Pelos Amadores do Ribatejo pegaram, além do já referido Machacaz, os forcados Vítor Marques e Leandro Bravo, ao segundo intento (ambos).

Lourenço Luzio dirigiu a corrida, sendo assessorado pelo veterinário José Luís Cruz. A desmontável de Samora Correia registou casa cheia, devendo ser dado mérito ao empresário Ricardo Levesinho pelo curro de touros apresentado, da ganadaria Prudêncio, capaz de envergonhar muitas praças de primeira categoria.

 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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