Seixal iniciou comemorações do 25 de Abril com “alma alentejana” por Pedro Mestre e “Campaniça do Despique”

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O Cinema São Vicente em Paio Pires encheu para ouvir Pedro Mestre e a “Campaniça do despique”, o seu último disco, num espectáculo inserido nas comemorações do 25 de Abril no Seixal.

 

Antes do espectáculo era grande a azafama na entrada para a sala seixalense. Muitos admiradores de Pedro Mestre e amigos ansiavam pela abertura de portas, tendo enchido a sala em dez minutos.

 

 

Pouco passava das 21.30 quando Pedro Mestre subiu sozinho a palco e tocou uma melodia dedicada ao cante, ao despique. Logo de seguida e já acompanhado por António Caixeiro e Pedro Calado, nas vozes, tocou e cantou “Campaniça do Despique”. “Boa noite. Obrigado por terem vindo” disse cumprimentando o público antes de dedicar o concerto a Manuel Bento, um baluarte da cultura alentejana e exímio tocador da viola campaniça, sendo carinhosamente tratado por ‘Ti Manuel Bento’.

 

 

Depois foi altura de subirem a palco os restantes músicos que acompanham Pedro Mestre: José Manuel David nas teclas, Miguel Carreira na guitarra (e acordeão) e Nuno Fernandes no Baixo, para interpretaram “Brota Água” que no disco “Campaniça do Despique” é interpretado por Pedro Mestre e Janita Salomé.

 

Da autoria (letra e música) de Pedro Mestre seguiu-se “Olhos verdes”, para depois ouvirmos “uma cantiga que fiz em 2003/2004 que deu nome a um disco meu chamado ‘Ilha dos Vidros” disse o artista antes de interpretar “Ilha dos Vidros” que integra também o último disco de Pedro Mestre, sendo no disco interpretado por Pedro Mestre, Cantadores do Sul e Pedro Ferreira. O público acompanhou e Pedro Mestre até pediu ‘mais uma voltinha’, ou seja repetindo o refrão a que o público acedeu cantar. “Viva o Alentejo” disse no final do tema.

 

 

Questionou depois a sala se “O Alentejo está presente aqui em peso, não está?” tendo obtido resposta positiva da plateia, que respondeu de alguns locais específicos de onde tinha vindo.

 

 

“Jardim dos Sentidos” é talvez das modas mais bonitas do último disco de Pedro Mestre e é interpretada com António Zambujo. Ontem sem Zambujo, Pedro Mestre encantou com a sua voz que carrega a alma alentejana.

 

 

Pedro Mestre que ao longo da sua vida artística tem-se dedicado muito à divulgação do cancioneiro alentejano. É dos melhores representantes do género musical desta região do país. Em primeiro por ser um excelente músico e intérprete, depois porque sente o que canta e por último porque consegue transmitir, seja através da campaniça ou da sua voz, toda a alma, todo o sentimento, toda a simplicidade das letras e do povo alentejano.

 

 

“Silva verde”, que no disco conta com os Cantadores do Sul, teve ontem Pedro Calado e António Caixeiro (que vozes extraordinárias, que garra) a acompanharem Pedro Mestre. De Martinho Marques ouviu-se de seguida Sobreiro Velhinho”.

 

 

Uma cantiga que fizemos a homenagear uma grande cantadeira, Mariana Maria, da autoria de Rosa Dias e música de José Manuel David” disse antes de ouvirmos “Ti Mariana” que na ua letra fala um pouco sobre a homenageada.

 

 

Estão a gostar ou nem por isso?”, questionava amiúdes vezes Pedro Mestre, a resposta era sempre positiva. Por isso que seguisse a festa.

 

 

“Canta Alentejano canta” foi dos momentos mais arrepiantes da noite, ou se preferirmos o mais espiritual. “Canta alentejano canta, o teu cante é oração” diz a letra e com toda a razão. Ouvir cante para além de um valorizável acto cultural e conhecer um pouco mais das suas gente, da sua história, das tradições.

 

 

Mas Pedro Mestre levou no alinhamento também modas festivas, tendo aliás dito, para o público desviar as cadeiras e bailar. Mas fixas ao chão, era impossível, e o baile ficou “para o São João, e tocamos ali na rua” disse um bem disposto Pedro Mestre. “Que é feito das Mondadeiras?” (no disco conta com a participação de Rui Vaz), “Danças comigo ó Rosa” (no disco com Cantadores do Sul) ou “Zuca Zuca” trouxeram alegria e sorrisos à sala.

 

 

Pelo meio Pedro Mestre recordou que este espectáculo estava inserido nas comemorações do 25 de Abril, tendo interpretado entre outras a “Grândola Vila Morena”, dizendo “Viva o 25 de Abril”, obtendo da plateia a resposta “Fascismo nunca mais”.

 

 

Mas Pedro Mestre levou também ao bonito cinema São Vicente convidados. O Grupo de Violas Campaniças Alma Alentejana, é um projecto de Ricardo Fonseca, que ensina, em Almada, a tocar o instrumento alentejano. Ontem em acústico prendaram o público com duas modas, entre as quais “Aurora tem um menino”. De seguida Ricardo Fonseca acompanhado por Ana Tomás mostraram que a campaniça pode viajar para outros géneros musicais, mostrando-o através do “Avé Maria”.

 

 

“Quem não tem amor sou eu” e “Gota de água” marcaram o regresso ao palco de Pedro Mestre e dos seus músicos.

 

 

A festa terminou de forma original. Pedro e os seu músicos de pé, cantando modas tradicionais do Alentejo. O público de pé aplaudiu efusivamente. E que bem merecidos foram os aplausos. Pedro Mestre deu assim o melhor inicio às comemorações do 25 de Abril no Seixal.

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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