SENZA: “É um disco sobre lugares, pessoas e experiências em viagem”

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“Comboio de Bambu” é o novo single dos SENZA, que no disco “Praia da Independência”, que mereceu o selo “Disco Antena 1” e já foi apresentado ao vivo na Índia, China, Alemanha, Bélgica, Espanha e Portugal.

 

 

O disco foi apresentado em Fevereiro e o arranjo inédito: “Comboio de Bambu” é o segundo single extraido deste trabalho.

 

 

O Infocul entrevistou o duo não só sobre o novo single mas também para nos desvendarem um pouco do caminho já trilhado e o que está a ser preparado em termos de espectáculos.

 

Quando surge o projecto SENZA

 

Conhecemo-nos [Catarina Duarte e Nuno Caldeira] há cerca de 15 anos, e desde essa altura que tocamos juntos, mas foi depois de uma viagem de 3 meses que fizemos pelo Sudeste Asiático em 2015 que tivemos este desbloqueio criativo. 

Já tínhamos feito algumas viagens antes, algumas até de bicicleta durante alguns dias, e fomos querendo cada vez mais. Em 2012, fizemos uma que foi particularmente marcante, no comboio Transiberiano, começando em Moscovo, passando pelo interior da Sibéria, pela Mongólia, Pequim e finalmente, Xangai. Por isso, no ano passado voltámos ao local onde tínhamos ficado, para continuar conceptualmente essa viagem até ao fim da linha em Saigão. Daí, continuaríamos em autocarros e de bicicleta pelo Sudeste Asiático. Foram 3 meses, que é tempo suficiente para nos alhearmos de casa e do nosso ambiente. O suficiente para nos projectarmos naquilo que desejamos ser. Não íamos com o objectivo de iniciar este ou qualquer outro projecto, mas tínhamos connosco um microfone e um computador. Quando chegámos a Saigão comprámos uma guitarra, e daí em diante as pessoas, ao verem-nos com um instrumento musical, têm sempre a curiosidade aguçada, e uma pergunta pronta… foi num instante em que começámos a tocar em guesthouses e hotéis. Para os hotéis tivemos mesmo que comprar roupa, afinal todo o nosso estilo gritava: “somos mochileiros”. Em alguns sítios chegámos a tocar em troca de refeições e alojamento, algo que não estaríamos dispostos a fazer em lado nenhum, julgávamos. Mas eram alguns dos países mais pobres do mundo, há coisas que o dinheiro lá não podia comprar, e comer e dormir era-nos útil!… Foi uma experiência muito profunda, que nos arrancou da monotonia do nosso conforto. 

 

 

Este trabalho, “Praia da Independência”, surge quando? 

 

Estávamos em Sihanoukville, no sul do Cambodja e esse foi o primeiro sítio em que resolvemos ficar por mais que um par de dias… Sentimos algo de especial para além do especial que já são as praias paradisíacas, o clima e a comida maravilhosa. Abrandámos, reflectimos e disfrutámos de todos os instantes… Nunca nos sentimos tão conformados com o momento presente como nessa altura.  

O instante exacto do nascimento do disco (e de SENZA!) até está registado. Estávamos na praia, na água, e surge-nos um motivo musical que achámos interessante. Minutos depois estávamos de volta ao quarto da guesthouse para gravar essa ideia. Essa gravação sobreviveu aos arranjos que fizemos posteriormente. Está lá, no meio dos outros instrumentos, uma das guitarras da canção “Coração Gigante”, o nosso primeiro assomo criativo. Ficamos contentes com o simbolismo destas coisas. No fundo, o disco é o resultado do estado de felicidade em que nos encontrávamos. 

Foi nessa praia, traduzida do Khmer para Inglês como “Independence beach”, que encontrámos o nome do disco, o nome do primeiro single, e que encontrámos a nossa independência musical. 

 

 

Qual a principal mensagem que tentam transmitir com este trabalho? 

 

É um disco sobre lugares, pessoas e experiências em viagem. É uma forma de trazermos algo da nossa viagem que possamos partilhar: uma tradução das nossas experiências para o universo da música. Podiam ser fotografias ou textos, mas não, recorremos ao nosso ofício: a música. Abordámos não só experiências que foram responsáveis por momentos de felicidade, como as tardes numa praia paradisíaca ou passeios num comboio rudimentar, como outras situações que nos marcaram de forma oposta, como é o caso do trabalho infantil que constatámos em Halong Bay, ou de alguns viajantes mais idiossincráticos em guesthouses. Está tudo no disco. No fundo ele é a materialização da inspiração tal como ela nos chegou durante a viagem. 

 

 

“Comboio de Bambu” tem na sua base a história de uma viagem. Como tudo aconteceu? 

 

Existe, no norte do Cambodja, um comboio improvisado que usa as antigas linhas férreas construídas pelos franceses. Hoje, a rede férrea está desactivada, mas o passeio neste comboio não oficial, tornou-se numa atracção turística porque é uma experiência cénica incrível. Para começar, o comboio não é bem um comboio, mas sim um estrado de ripas de bambu colocado numa plataforma de rodados férreos. Estas “máquinas” percorrem, em carris desalinhados, campos de vegetação tropical, e passam por pontes vertiginosas. Claro que, como só há uma linha, a qualquer momento pode aparecer um outro “comboio” pela frente e ser necessário desmontar aquele que vá mais leve. Isso aconteceu-nos e como tivemos o azar do nosso ser o mais leve lá tivemos que ajudar a remover e a voltar a montar a geringonça. Uma verdadeira provocação às regras e normas de segurança a que estamos habituados no ocidente. 

 

 

O que está previsto em termos de espectáculos? 

 

Estamos neste momento a preparar a tournée do próximo ano e a única coisa que podemos desvendar é que inclui quatro continentes. Quer dizer, não sabemos sequer se já poderíamos revelar isto, mas agora já está!  

Temos muita vontade de tornar pública esta informação, não só porque nos agrada que haja convites, mas também porque tudo o que envolva visitar locais mais remotos mexe connosco. No fundo, alimenta a nossa vontade de continuar a escrever canções, não fossem as viagens o motor inspirador de SENZA. 

No início do próximo ano, começaremos a divulgar o percurso de 2017. 

 

 

Onde poderão os interessados em acompanhar o vosso trabalho, interagir convosco? 

 

Basta seguirem-nos no Facebook em facebook.com/senzamusic 

É lá que damos notícias primeiro. 

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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