padilla

 

Está inaugurada a temporada tauromáquica 2017 no Campo Pequeno. Foi com lotação esgotada, assim dizia a porta principal, que João Moura, Juan José Padilla e Roca Rey, proporcionaram uma noite com bons apontamentos, estando as pegas a cargo dos amadores de Vila Franca de Xira, sendo as reses de Vinhas (para toureio a cavalo) e Varela Crujo (toureio a pé).

 

 

As cortesias demoraram uma eternidade havendo a necessidade da intervenção do director da corrida, dois avisos, para que os toureiros surgissem na arena. Este foi o motivo para os primeiros sonoros assobios, desta temporada, no Campo Pequeno.

 

 

No que ao toureio diz respeito começamos por João Moura. O seu primeiro touro tinha pouca (quase nula) emoção. Isto não impediu que na cravagem do segundo ferro comprido a sua montada escorregasse na frente do touro levando mesmo o cavaleiro de Monforte a cair, sem contudo haver gravidade. Mostrou alguns, dos muitos, pormenores de classe que a ‘escola mourista’ tem para apresentar. No seu segundo touro, Moura teve apenas um bom ferro como destaque, tudo o resto foi banal para a sua qualidade. Na abertura de temporada tivemos Moura por metade…

 

 

Os forcados amadores de Vila Franca de Xira pegaram ambos os touros à segunda tentativa. A primeira por Ricardo Castelo e a segunda por Rui Godinho.

 

 

Padilla foi ‘rey’ nesta noite. Duas lides cheias de garra, constante ligação ao público e com lampejos de classe e desplante perante os dois touros de Varela Crujo que lhe couberam em sorte. No primeiro destaque para as afaroladas com o capote, o tércio de bandarilhas que cumpriu bem e com a muleta brilhou sobretudo pelo piton direito, não largas vezes de ‘rodillas en tierra’. Não exagerou mas colocou tudo de si nesta lide, compensando a pouca emoção do touro. Injustificável a volta do touro à arena. Merecidas as duas voltas de Padilla, sendo que o ganadeiro também deu volta ao ruedo. No seu segundo touro manteve a fasquia. Contudo há uma questão que merece ser debatida: Padilla é idolatrado maioritariamente pelos seus desplantes, pelos riscos que corre e não tanto pela qualidade técnica, que a tem, imprimida no seu toureio. Resumindo: falta cultura tauromáquica ao público e isto não desvaloriza nem retira o enorme valor do toureiro Padilla. Nesta segunda lide, deu três voltas à arena e conquistou a Porta Grande. Sem surpresa.

 

 

Roca não teve o ‘Rey’ da festa, ou seja, o touro. Nas duas lides e perante reses de Varela Crujo, esforçou-se, mostrou algumas pinceladas da sua arte, mas tudo sem grande história nem ligação. Em termos físicos também não pareceu estar ainda totalmente recuperado da colhida que teve recentemente, embora demonstrasse condições para brilhar. Faltou touro!

 

 

O Campo Pequeno abriu a temporada com um triunfo de Padilla, com lotação esgotada. O resto não fica na história da temporada em que o tauródromo lisboeta celebra 125 anos!

 

Fotografia: Campo Pequeno

Rui Lavrador

Iniciou em 2011 o seu percurso em comunicação social, tendo integrado vários projectos editoriais. Durante o seu percurso integrou projectos como Jornal Hardmúsica, LusoNotícias, Toureio.pt, ODigital.pt, entre outros Órgãos de Comunicação Social nacionais, na redacção de vários artigos. Entrevistou a grande maioria das personalidades mais importantes da vida social e cultural do país, destacando-se, também, na apreciação de vários espectáculos. Durante o seu percurso, deu a conhecer vários artistas, até então desconhecidos, ao grande público. Em 2015 criou e fundou o Infocul.pt, projecto no qual assume a direcção editorial.

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