Sílvia Pérez Cruz: Inebriante voz, poderoso concerto no CCB!

SilviaPerezCruz@CCB-3195

 

O Grande Auditório do Centro Cultural encheu, ontem, para ver e ouvir Sílvia Pérez Cruz, que apresentou em Lisboa, o seu disco “Vestida de Nit”.

 

 

Recebida com forte e prolongado aplauso, Sílvia Pérez Cruz abriu o espectáculo com o tema “Estrella”, após o qual revelou que a recepção do público lhe promoveu um “inicio muito forte” em termos emocionais, antes de acrescentar que “para mim, Portugal é muito importante”, revelando que neste espectáculo, o objectivo principal era “apresentar o disco ‘Vestida de Nit’, que resultou no trabalho de quatro anos”, antes de elogiar a qualidade técnica e também o enorme coração dos seus músicos.

 

 

Se o primeiro tema foi algo mais denso e profundo, Sílvia apresentou de seguida um tema que convidava a dançar, “Mechita”, caminhando novamente para algo para instrospectivo em “Tonada de luna llena” de Simón Diaz.

 

 

Sílvia Pérez Cruz apostou numa constante interacção com o público, conversando, explicando e mostrando um sentido de humor inteligente.  Fez um extraordinário esforço para conseguir falar em português, embora reconhecesse que o seu português era um pouco ‘trancoso’. Contudo tudo o que explicou e falou foi perceptível. A artista demonstrou ainda um carinho e uma proximidade muito grande com a cultura portuguesa, talvez, também, pela sua irmã viver há 15 anos cá.

 

 

Além de abordar vários assuntos sobre o seu percurso, deu, neste concerto, especial destaque a um filme para o qual compôs e escreveu canções. Sílvia Pérez Cruz é um caso de puro talento para a escrita e composição aos quais junta interpretações inebriantes que nos promovem uma viagem por lugares recônditos da alma. A voz da artista espanhola tem em si uma vida difícil de explicar mas fácil de sentir.

 

 

De Espanha soaram bons ventos e ainda melhor música, ao invés do ditado popular que diz que de nuestros hermanos nem bons ventos nem bons casamentos, mas Sílvia Perez Cruz navegou por outras sonoridades. Relembrou Luiz Gonzaga e Elis Regina, “Asa Branca”, sentiu cada palavra e cada letra cantada em “Estranha Forma de Vida” de Amália Rodrigues, o qual cantou com “todo o respeito mas com muito, muito amor”, mostrando que na música e na arte não devem ser criadas barreiras. Apenas deve haver uma entrega física e emocional completas a tudo o que se faz. Embora a dicção no fado seja algo de extrema importância, Sílvia combateu o seu português ‘trancoso’ com uma garra, alma e sentimento inigualável e de fazer inveja a alguns fadistas. Público rendido a tamanha interpretação.

 

 

Colocou o ‘coro do CCB’ a cantar o refrão de “Ai Ai Ai”, antes de ter, quanto a mim, o momento da noite com a interpretação de “No Hay tanto pan”. Um tema que fala da crise espanhola e que foi composto para um filme.

 

 

“Lambada (Chorando se foi)” ganha na voz da artista espanhola uma roupagem menos dançante mas mais emocional e “Hallelujah” mostrou toda a classe interpretativa da artista. Irrepreensivel.

 

 

As canções na voz de Silvia Pére Cruz ganham novas vidas, rasgam a razão de uma partitura e extravasam a emoção de um coração cheio de amor. Sente cada palavra que canta, faz-nos sentir uma panóplia quase infidável de emoções ao longo de um espectáculo. Sílvia Pérez Cruz não é apenas mais uma artista, é alguém que ira marcar o panorama musical por apostar nos sentimentos e em verdadeiras canções ao invés de um cada vez mais irritante ‘fast food musical’. Portugal estará sempre de braços e coração abertos para esta voz.

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2 thoughts on “Sílvia Pérez Cruz: Inebriante voz, poderoso concerto no CCB!

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    Absolutamente brilhante o concerto!
    Assina-lo e subscrevo as afirmações do articulista: «Sílvia Pérez Cruz é um caso de puro talento para a escrita e composição aos quais junta interpretações inebriantes que nos promovem uma viagem por lugares recônditos da alma. A voz da artista espanhola tem em si uma vida difícil de explicar mas fácil de sentir.»

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    Um concerto que nos deixou de “alma lavada”. Absolutamente de acordo o com as citações escolhida, de facto Silvia Pérez Cruz tem ” interpretações inebriantes que nos promovem uma viagem por lugares recônditos da alma. A voz da artista espanhola tem em si uma vida difícil de explicar mas fácil de sentir”.

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