“Simples Lamento” é uma homenagem de Tiago Correia ao avô

 

 

“Simples Lamento” é o single de Tiago Correia que antecipa o disco que sairá em 2019, um tema no qual presta homenagem ao seu avô.

 

 

Tiago Correia tem 21 anos e é fadista, tendo começado o seu percurso artístico aos 12 anos, idade na qual começou a cantar. Em termos televisivos revela que “estreei-me em 2009 no programa Uma Canção para ti – TVI. Em 2010 venci o concurso televisivo – Nasci para o Fado na RTP”, antes de acrescentar que “durante um ano fiz parte do elenco de Filipe la Féria no Musical Fado História de um Povo no Casino do Estoril”.

 

Em declarações ao Infocul, Tiago Correia, que assina a letra e música do tema, disse que “este tema foi escrito e composto em Dezembro de 2017. O meu avô partiu em Junho do ano passado e desde então faltava me algo que pudesse ser um agradecimento por toda a música que me deu. Se juntos partilhámos a vida de cada um e o amor de avô-neto que tanto nos ligava, por outro acho que faltava cumprir o terceiro elemento da nossa relação – A música. Foi ele que me a deu aos 12 anos de idade, quando pela primeira vez me fez ouvir Fernando Farinha. A partir daí o meu amor pelo fado nasceu. Nessa noite de Dezembro estava em casa, já de madrugada e lembrei-me do meu avô de tal forma emocionada que comecei a escrever e a tocar uma melodia para a letra. A minha forma simples de escrever cruzou-se com o lamento de já não o ter e nasceu este Simples Lamento”.

 

Este tema foi gravado ao lado de Bruno Chaveiro na guitarra portuguesa, João Domingos na viola de fado e Carlos Menezes no baixo. A Captação, Mistura e Masterização de Som é da autoria de Carlos Menezes, a realização de videoclip de Jéssica Cruz e produção de videoclip de Ana Assunção.

 

Questionado se pesa mais a dor da perda ou o amor que temos a quem nos é importante e que perdura após a perda física, Tiago Correia, disse “para mim, ambas estão ligadas. A dor da perda estará sempre ligada ao amor que temos por algo ou alguém. Quanto maior o amor por uma pessoa ou por algo, maior a dor da sua perda. Quando perdemos alguém que amamos, perdemo-nos um pouco também. Porque deixamos de ter uma parte de nós que era presente. Onde é que vai estar o sorriso ou o abraço que dava ao vê-lo? Onde é que irão estar as tardes prolongadas que juntos passávamos a ouvir os mestres do fado e a conversar sobre as histórias da vida de cada um? Neste tema, eu digo num dos versos que “até de mim me sinto ausente”. Ao escrever este verso eu tento revelar a forma de como o meu avô me faz falta. Um dia o poeta Mascarenhas Barreto que “Partir é morrer um pouco / A alma de certo jeito / A expirar dentro de nós”. É exactamente isso que se sente quando perdemos alguém que amamos”.

 

O avô de Tiago “foi trompetista na Banda Filarmónica de Beringel durante muitos anos tendo eu herdado dele o gosto pela música mais concretamente pelo fado. Lembro-me dos meus 12 anos e do dia em que me pediu para escutar Fernando Farinha. Gostei muito. Eu que era até então pouco ligado a música, achei a sonoridade perfeita. E o que era isto? O Fado. Fado esse que continuámos a partilhar juntos até ao dia em que nos deixou em 2017. “Divide bem as frases”. “As palavras têm que se entender”. “E canta com alma” foram muitas das frases que o ouvi dizer e que sempre guardei com o maior carinho. Este tema será a partir de hoje e para sempre o meu agradecimento pela música, a vida e o amor que me deu e que partilhámos lado a lado”, acrescenta.

 

 

Sendo natural do Barreiro, mas tendo o avô ligação a Beringel, questionámos qual a importância do Alentejo na sua vida. “O Alentejo tem muita importância na minha vida. Em miúdo fui lá poucas vezes. Agora acabo por ir mais, mesmo em noites de fado e ver o encanto que o Alentejo tem. Mas é interessante perceber que tudo aquilo que parece que estou a conhecer na realidade já conheço há anos. A comida, o diálogo, as práticas. Até o cantar. Convivi com a herança alentejana desde criança. Através dos meus avós, dos meus pais. Quando visito o Alentejo sinto me em casa. Junto dos meus. E isso faz-me feliz. Tenho o Alentejo no coração”, referiu.

 

Tiago acrescentou ainda que “este single antecipa o disco que sairá no próximo ano, mas que não tem ainda data prevista”, antes de esclarecer “para já no que diz respeito a questões editoriais ou de produção, posso apenas adiantar que há várias hipóteses em cima da mesa e que estão a ser estudadas”. Apenas disse que “posso desvendar que este disco mostrará todos os passos daquilo que eu tenho sido ao longo de quase 10 anos de fado. Este disco conta a minha experiência de aprendizagem.  Devo-a aos fadistas, poetas, compositores e músicos que fui conhecendo ao longo destes anos, bem como a todas as pessoas importantes que se cruzaram pela minha vida no decorrer destes 10 anos. E o Simples Lamento foi o ponto de partida. Homenageando o meu avô que é o ponto de partida para toda a minha história musical”.

Ao vivo, “o público pode ouvir-me de Sexta a Segunda Feira, no Restaurante O Forcado na Rua da Rosa no coração do Bairro Alto em Lisboa. Entrei para esta Casa de Fados em 2016 e estarei sempre grato pelos ensinamentos que os meus colegas fadistas e músicos me têm dado ao longo destes anos. Para breve poderão ouvir-me também no Pateo da Galé – Terreiro do Paço em Lisboa no dia 28 de Maio ou ainda na Praça da Alegria em Lisboa nas comemorações do 10 de Junho”.

Em termos de redes sociais, o público pode encontrar e interagir com o fadista “nas minhas páginas de Facebook, Instagram e Youtube. Em ambas as páginas comunico quase que diariamente com o público, através de fotografias, vídeos e outras informações que pretenda destacar.  Podem ainda ver o videoclipe do Simples Lamento”. 

 

Já para os leitores do Infocul, “a mensagem que pretendo deixar, é uma mensagem de agradecimento. O agradecimento pelo público não abandonar a cultura. É bom sentir que o público está com a cultura. Com os artistas das mais diversas áreas. E que acompanha o trabalho dos jornalistas especializados na área da cultura. Há muitos e que se dedicam diariamente à procura de noticiar o trabalho que tanta gente desenvolve e de tão bonita maneira. Continuem a acompanhar a Infocul e continuem a acompanhar o Fado. Não só comigo, mas com todos os meus colegas. Faço parte de uma nova geração que me orgulha muito. Há jovens fadistas e músicos absolutamente brilhantes. Que estão a começar. Que tal como eu, têm todos os sonhos do mundo, e ao mesmo tempo têm um elemento ainda mais forte – O amor pelo fado. Fico feliz de os acompanhar e espero que vocês também os possam acompanhar com a mesma felicidade com que eu acompanho. Sejam sempre felizes. E estejam sempre com a cultura. E com a Infocul”.

Partilhar
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  

Notícia publicada a 07/05/2018


About the author /


1 comentário

Post your comments

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

_